mtm rj.f 'ibrarg of í^í Btisewm OF COMPARATIYE ZOÕLOGY, AT HARVARD COLIEGE, CAMBRIDGE, MASS. JFouníieíi bv pvíbate suisrrtptíon. ín 1861. Deposited by ALEX. AGASSIZ. No. /lJ/L¥: /l/innAj./J. /^(^^- JtLm^.^í ■ im ANNAES DE CIÊNCIAS NATURAES PUBLICADOS POR AUGUSTO NOBRE VOLUME PRIMEIRO PORTO TYPOGRAPHIA OCCIDENTAL 8o — Rua da Fabrica — 8o 1894 >^ ^f. — Alfena, Leça do Balio, Santa Cruz do Bispo, Rio Tinto (proximidades da estrada do Porto a Vallongo) e proximidades de Avintes, nas margens dos rios e ri- beiros. LITHOSPERMUM PROSTRATUM, Lois. {Herva das sele sangrias) Hab. — Nas mattas e tojaes, abundante. OPHIOGÍ.OSSUM LUSITANICUM, L. (JJngua de cobra) Hab. — Terra preta nas proximidades do mar, em Guarda, Leça e Lavadores. Também apparece em terras húmidas perto da praia, nas proximidades de Espinho (em grande abundância) e do Senhor da Pedra. .TOIINSTON : FLORA DOS ARRKOORES DO PORTO ANEMONE TRIFOLIA. L. Hnb. — Leca de Balio, Santa Cruz do Bispo e Alfena, perto da margem do Rio Leça, Rio Tinto, proximidades da estrada do Porto a Vallongo, S. Pedro da Cova, per- to das minas de carvSo, e proximidades de Avintes, per- to do Rio Avintes. RANUXGULUS LENORMANDI, Schultz Hab. — Abundante. Hab. — Margens dos ribeiros e terras lamacentas. STELLARIA HOLOSTEA, L. Hab. — Nas sebes, Leça do Bjilio, Rio Tinto (proxi- midades da estrada de Vallongo) e vários outros logares. ERODIUM CICUTARIUM, Hicrit. Hab. — S. Gens, Leça do Balio, Custoias e muitas outras parles, nos campos cultivados, e nas margens das estradas. GENISTA FALCATA, Brot. Ilab. — Alfena, Leça do Balio e Santa Cruz do Bispo, nas margens do Rio Leça. Margens do rio Douro, proxi- midades de Fonte da Vinha, e mais acima. SHERARDIA ARVENSIS, L. Hab. — Nos campos, abundante. TARAXACUM OFFJGlNALE, Wigg {Dente de leão) Hab. — Terras cultivadas e margens das estradas. Abundante. ERIÇA AUSTRALIS, L. Hab. — Entre Alfena e Vallongo (proximidades da es- trada), SeEra de Santa Justa e margens do rio Avintes em Alheira Baixa. 10 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES EUPHORBIA HELIOSCOPIA, L. {Maleilcira) Hab. — Nos campos, vulgar. EUPHORBIA SEGETALIS, L. Hab. — Leça da Palmeira, Mattozinhos, Lavadores e Valladares, nas proximidades do mar. ALNUS GLUTINOSA, Gàrtn. {Amieiro) Ilab. — Margens dos rios Leça e Avintes em varias partes, Valladares, nas margens dos ribeiros. NARCISSUS CYCLAMINEUS, Baker. (Estampa ii) Hab. — Nas margens dos ribeiros, quasi á flor da agua. A's vezes está em flor em Janeiro ou mesmo em Dezembro. NARCISSUS BULBOCODIUM, L. Ilab. — Campos cultivados, proximidades de Leça do Balio, Guarda e S. Gens. NARCISSUS PSEUDO-NARCISSUS, L. (Aarciso) Hab. — Mattozinhos, nos tojaes. NARCISSUS TRIANDRUS, L. Hab. — Nos pinhaes, abundante. TRICHONEMA BULBOCODIUM, Ker. H(ib. — Bouças, pinhaes e tojaes. Abundante em muitas localidades. MARÇO CARDAMINE PRATENSIS, L. Hab. — Margens dos rios e dos ribeiros, em Leça do Balio, Mattozinhos, Valladares e outros locaes. CARDAMINE HIRSUTA. L. Hab. — Leça do Balio, S. Gens, Mattozinhos e ou- JOHNSTON : FLORA DOS ARREDORES DO PORTO 11 Iras partes, nas margens dos ribeiros e em terras húmi- das. CHELIDONIUM MAJUS L. Hab. — Muros e rochedos húmidos, em Mattozinhos e nas proximidades de Custeias, e Candal. VIOLA PALUSTRIS, L. Hab. — Margens dos rios Leça, Ferreira, Avintes, e em varias localidades. MELANDRYUM PRATENSE, Rohl. var. coloratum ROSTR.? Hab. — Serra de Vallongo, nos rochedos. SILENE INFLATA, Sm. Hab. — Leça da Palmeira e Lavadores, nos rochedos á beira mar. BRAGHYTROPIS MICROPHYLLA, Wk. Hab. — Serra de Vallongo e nos montes, entre Alie- na e Vallongo. HALIMIUM UMBELLATUM, Spach. Hab. — Sen-â de Vallongo e Ponte Ferreira. ANTHYLLIS VULNERARIA, L. Hab. — Leça da Palmeira e Lavadores, proximidades do mar. SAROTHAMNUS GRANDIFLORUS, Webb. {Giealeira) Hab. — Entre S. Gens e Mattozinhos, nos bosques de carvalhos, e entre Santa Cruz do Bispo e Leça da Palmeira, nos rochedos graníticos das margens do rio Leça, e mais outras partes. GENISTA BERBERIDEA, Lg. Hab.— Nas margens dos ribeiros e terras pântano- 12 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAKS sas, em Alfena, na Serra de Vallongo, e nas margens do rio Ferreira, em S. MirLinho do Campo e ao sul de Ponte Ferreira. PTEROSPARTUM GANTABRICUM, Spach. {Carqueja) llab. — Alfena e Serra de Vallongo, e nas proximida- des de Arnellas. ULEX EUROPAEUS, L (Tojo) Ilab. — Abundante em todo o districto. Continua com flores quasi todo o anno. ULEX LUSITAMCUS, Mariz. Ilab. — Serra de Vallongo e Alheira Baixa, proximi- dades das margens do rio Avintes. RHAMNUS ALATERNUS, L. Ilab. — Foz, pinhaes ao nascente do Castello do Quei- jo e Valladares, mas raro. POTERIUM, sp.1 Hab. — Leça do Balio e Santa Cruz do Bispo, nos muros e nos rochedos graníticos. FRAGARTA VESCA, L. (]Ioran(jo) Hab. — S. Pedro da Cova e Valladares, nas sebes e nos arrelvados. SAXIFRAGA GRANULATA, L. Hab. — Nas fraldas do convento da Serra, em Cam- panha, (Freixo e estrada de S. Cosme) Santa Lomba e Guifões, perto das margens do rio Leça e em S. Marti- nho do Campo, margens do rio Ferreira. CIRSIUxM PALUSTRE, Scop. Jíab.—S. Gens, Leça da Palmeira e Valladares, nas margens dos ribeiros e em terras pantanosas. JOHXSTON : FLORA DOS ARREDORES DO PORTO 13 CREPIS VIRENS, L. Uab. — Muros, campes cultivados e arrelvados, em muitos loG:ares ao norte e sul do Douro. •'fe'^ EVAX PYGMAEA, Pers. Uab. — Terras areentas nas proximidades do mar, em Leça da Palmeira, Mattozinhos e Valladares. COLEOSTEPHUS MYCONIS, Cass. (Ualmequer, Pam- pilho de Micão) Ilab. — Abundante nos campos cultivados e em mui- tas localidades, tanto ao norte como ao sul do Douro. SOLIVA BARCLAYANA, D. G. Ifah. — Abundante nas margens das estradas, proxi- midades da Boa Vista (Fonte da Moura), Quinta da Pre- lada, S. Mamede de Infesta, Rio Tinto (estrada do Porto a Vallongo), Vendas novas (idem), estrada do Porto a Ermezinde, rua da Restauração, Massarellos, Ouro, (per- to da estação dos carros americanos) S. Pedro da Cova, e margens do Rio Ferreira, ao sul de Porto Ferreira. Do lado sul do Douro, também nppare(is na estrada de Villar do Paroizo. E^ta planta parece ter sido importada da America do Sul. DABOECIA POLIFOLIA, Don. Hab. — Alfena, nos pinhaes e nas serras entre a mes- ma e Vallongo. ANAGALLIS ARVENSIS, L. {Murrião) Hab. — S. Gens, campos e terras cultivadas. PINGUÍCULA LUSITANICA, L. Hab. — Ponte Ferreira, na encosta do monte. Serra de Vallongo, nas margens dos regatos, e nos atalhos en- tre Santa Cruz do Bispo e a estrada de Pedras Rubras a Leça da Palmeira, em granito decomposto. 14 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES OMPHALODES LUSITANICA, Pourr. líab. — Nas sebes e nos atalhos, em Leça do Balio, bosques entre S. Gens e a estrada de Leça, Fonte da Moura, Alfena, Valladares e vários outros lugares. MYOSOTIS PaLUSTRIS, With. Hab. — S. Gens, Leça do Balio, Leça da Palmeira, e varias outras partes, nas margens dos ribeiros e em ter- ras lamacentas. EGHIUM PLANTAGINEUM, L. (Soage^n) llab. — Campos húmidos, abundante. PHILLYREA ANGUSTIFOLIA, L. llab. — No lado do nascente da Serra de Santa Justa, entre Lugar da Mó e Ponte Ferreira, e entre Alfena e Vallongo, nos montes. VERÓNICA SERPYLLIFOLIA, L. Hab. — Entre Santa Cruz do Bispo e Leça da Pal- meira, nos atalhos e nas margens das estradas. PEDICULARIS LUSITANICA, Hffg. Link. Hab. — Nos mattos, tqjaes e nos pinhaes. Abun- dantes. AJUGA REPTANS, L. Hab. — Nas margens dos rios Leça e Avintes em varias partes. ARMERIA LANGEANA, J. Henr. Hab. — Villa do Conde, Guarda, Boa Nova, Leça da Palmeira e Lavadores, nos rochedos á beira-mar. PARONYCHIA ARGÊNTEA, Lam. Hab. — Terras areentas nas proximidades do mar. Vulgar em muitos togares tanto norte como sul do rio Douro. JOHNSTON : FLORA DOS ARREDORES DO PORTO 15 RUMEX ACETOSA, L. Hab. — S. Gens, Leça do Balio, Valladares e outros logares, nas margens dos ribeiros e terras húmidas. QUERCUS PEDUNCULATA, Ehrh. (Carvalho) Hab. — Leça do Balio, nas margens do rio Leça, Valladares, Alfena, margens do rio Ferreira, ao sul de Porto Ferreira e outras partes. Plantado em muitas loca- lidades. POTAMOGETON NATaNS, L. llah. — S. Gens e Boa Nova, nos pântanos e naís aguas estagnadas. LAURUS XOBILIS, L. (Loureiro) Hab. — Perafita, Leça do Balio, proximidades de S. Gens e de Avintes. Subspontanea nas sebes e nas mar- gens dos rios e ribeiros. ORCHIS MORIO, L. Hab. — Serra de Vallongo. TRICHONEMA CLUSIANITM, Lge. Hab. — Terras areentas nas proximidades domar, em Boa Nova, entre Foz e Mattozinhos, e Lavadores. SCILLA MONOPHYLLOS, Link. Hab. — Terras seccas e pedregosas, em S. Gens, Leça do Balio, Serra de Vallongo e varias outras locali- dades. Abundante. CONVALLARIA POLYGONATUM,L.(5eíío deSalomào) Hab. — Leça do Balio (proximidades do rio Leça), Santa Cruz do Bispo (idem), Rio Tinto, (n'uns bosques de carvalhos, perto da estrada de Vallongo), S. Pedro da Cova, perto das minas de carvão, e Valladares, n'uns bosques de carvalhos. 16 AXXAES DE SCIENCIAS NATURAES MUSCARI RACEMOSIjM, D. C. Hab. — Foz do Douro e Villarinha, nos campos cul- tivados. ORNITHOGALUM UMBELLATUM, L. (Leile de galli- nha) Hab. — S. Gens e Valladares, nos campos. POTENTILLA TORMENTILLA, Sibth. Hab. — Nos pinhaes, abundante. COREM A ÁLBUM, Dox. (Camarínhcira) llab. — Eníre Ovar e Esmoriz, nas margens da estrada. HALTMIUM LIBANOTÍS, Lge. //aò. — Nas mesmas localidades. isrox A.S Viola odorala. — Em ílôr desde ílns de novembro até meiados de fevereiro. Oxalis purpúrea. — Floresce desde dezembro até março. Ophioglussum lusiíanicum. — A fructificação continua cerca do mesmo praso. Continuam em ílôr em fevereiro : Senccio scandens: — Bellia sijlccslris — Lamium macu- lalum. Em Março : Anemone trifo lia — Corlilcaria danica —Viola silralica — Slcllaria Holo>;lea-Gcnisla falcata — Poleníilla spleri- dens — Euphorbia segelalis — Trichoucma Bulbo co liam — Aarcisms Psculo-iiarriasuíi — ^arcissuí( Bulbocodíum — Narcissus Iriandrus . {Conlinàd). Oliservações solire o systeina Dervoso e affiiiflades zoolOEicas fle aipis palmoDaflos lerresfres POR AUGUSTO NOBRE Por pouco regular que pareça, nao estão ainda exa- ctamente estabelecidas as affinidades zoológicas de alguns dos grupos dos pulmonados terrestres, como o dos Arionideos e o dos Helicideos. Alguns naturalistas reúnem todos estes animaes em uma só família, Helicidtc, outros porém collocam os Arionideos com os Limacideos na fa- mília íAmacida\ São estas as (ílassi ti cações seguidas pelos principaes auctores e sQo sufíicientes para demonstrar a funda diver- gência que ainda existe na classificação de muitos dos grupos zoológicos. E' curioso notar que a demasiada importância ligada ao apparelho lingual, ou radula, veiu collocar os Arioni- deos na familia dos Helicideos. Um só caracter foi suffi- ciente para comprehender aquelles animaes n'este ultimo agrupamento, quando ó positivo que em tudo o mais a sua organisação apresenta divergências notáveis. Antigamente era a concha elemento sufficiente para a classificação meth'^dica das espécies; reconheceu-se de- pois que tal proces.so não bastava e não satisfazia, dando logar a erros de im;iortancia. Veiu em seguida o appare- lho lingual occupar o logar de principal caracter distin- Ann. de Sc, Nat., v. I., Jan. 1x91. 8 18 ANNARS DIÍ SCIRNCIAS NATLUARS ctivo dos famílias, e julgou-se que estava definitivamente encontrado o meio de resolver todas as lacunas e diífi- culdades que appareciam nas classificações zoológicas. Troschel chegou mesmo a estabelecer uma classificação dos molluscos baseada no seu apparelho iingual, classi- ficação que ainda hoje é geralmente adoptada. Os anatomistas, porém, teem pouco a pouco mostrado a insuíficiencia de tal processo e provado que, não se deve concluir a aífinidade das espécies pela similhança do appa- relho dentário, quando tomado isoladamente. O aííinco com que a maior parte dos naturalistas attribuem á radula um valor que na realidade ella nao tem, é uma teimosia aná- loga á que nutriam os antigos conchyliologistas com a im- portância que julgavam dever ligar á concha. Alguns malacologistas, convencidos da insufficien- cia da theoria de Troschel, Macdonakl e de outros, e da verdade das afirmações dos anatomistas, que viam de um modo mais geral, porque attendiam á anatomia compara- da e nao, restrictamente, aos caracteres externos e da radu- la, avançaram um pouco e ligaram uma im|)ortancia no- tável ao systema reproductor, am[)liiind') portanto um pouco mais as bases de uma boa classificação : cara- cteres externos e concha, quando a houvesse, externa ou interna, radula, maxilla e órgãos reproductores E' mesmo este o processo usado actualmente por grande numero de naturalistas, mas, não parece que o caracter tirado dos órgãos genitaes seja de valor tal que possam distinguir-se espécies com a convicção de que se nao errou, visto que este apparelho varia com a edade e porque, como se sabe, são os órgãos que mais tarde apparecem e se desenvolvem, softVendo atrophiamentos durante os períodos de inactividade reproductora, e sendo por conseguinte variável o desenvolvimento dos órgãos segundo as épocas em que podem sor observados. Emquanto a maior parte dos malacologistas prose- guem na classificação das espécies íundament mdo-se em differentes caracteres isolados, outros fjzem a anatomia AUG N(n5Rr:: obs. sobrp: o syst. nervoso 19 •comparada dos diversos orgSos com o fim de estabelece- rem a classificação geral ou especial de algumas famílias e espécies, dando a maior importância ao systema ner- voso, porque, está provado, podem operar-se modifi- cações profundas na forma do corpo sem que o plano ■cVaquelle systema seja alterado. E' claro que devem ser tomadas em consideração as relaçõas entre o systema nervoso e os diversos órgãos, incluindo a radula, maxilla e a concha : deve faz3r-se emfim a anatomia do animal tomando por ponto de partida o systema nervoso, como a base mais importante da classificação natural, confor- me foi, desde ha muito, considerada por alguns naturalis- tas a partir de Cu vier e confirmado sobretudo pelos tra- balhos de Ihering, Lacaze Duthiers, B)uvier, e outros mais. Toda a classificação baseada no estudo da concha, maxilla e da radula, nao poderá dò modo algum ser apre- sentada como definitiva, muito principalmente depois que o valor da radula declinou pelas anomalias a que tem dado origem, em algumas das classificaçõas em qie tem sido tomada como base. A verdade d'este facto resalta mais uma vez do es- tudo, embora rápido, que segue. Tomei para typo dos Arionideos o Árion Iwiilanica^^ Mabille, vulgar nos arredores do Porto. O estudo do systema nervoso d'este animil é feito nos principaes detalhes, emquanto que o das outras espé- cies do mesmo género é simplesmente comparativo, as- sim com o de todos os outros grupos que são estudados : Hclix^ Geomalacus, Limax, Zoni'es, Aríoplianía^ l*cir- macella, 1'lutoma e TcÁtacella. Quasi todos estes animaes foram obsequiosamen- te recolhidos vivos para este estudo pelo meu presado amigo e distincto inspector do Jardim Botânico da Uni- versidade de Coimbra, o snr. Adolpho F. Moller, a quem a sciencia portugueza deve excellentes serviços pa- las suas infatigáveis investigações scientificas. ^0 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES imposição geral do ayntema nervoso — Como ordina- riamente succede, os centros nervosos occupam a parte- superior e posterior do bolbo pharyngeo e reúnem se aos ganglios inferiores ou viscero-pediosos abraçando o eso- phago pelas ligações lateraes, duplas. Tanto dos ganglios superiores como inferiores nascem numerosos nervos que se distribuem para todas as regiões do corpo. Dos ganglios superiores ou cerebraes partem, além dos con- nectivos, dois finos nervos que vao ligar-se aos pequenos ganglios stomato-gastricos situados na base do esophago, entre as camadas musculares da pharynge, e ligados por um filamento (|ue passa inferiormente áquelle canal no ponto em que elle penetra no bolbo pliaryngeo, assim como outros nervos finíssimos que vêem terminar nos octocystos situados na face superior dos ganglios pedio- sos. Ganglios cerebraes — Em alguns dos indivíduos c fá- cil vêr distinctamente os ganglios que compõem esta mas- sa nervosa superior, n'outros porém os ganglios confun- dem-se mais ou menos. Quando os ganglios se apresen- tam nitidamente observam-se em numero de fjuatro^ dois de cada lado, unidos por uma faxa nervosa. Dos dois ganglios anteriores partem quatro nervos : os dois primeiros pares (ry, h e g' h\ fig. I), seguem quasl soldados até ao musculo retractor do tentaculo occular, inserindo-se o nervo g na parte mais dilatada do musculo e o outro, h, na base do tentaculo (3, fig. 3); segue se o nervo í, que parte do lado inferior dos nervos g e h, e é um pouco mais grosso que o antecedente e que, assen- tando sobre a parte lateral do bolbo pharyngeo (í fig. 3),. se divide em dois ramos, um dos quaes se dirige para a maxilla e o outro, bipartindo-se novamente, vae innervar a parte superior da cabeça. Temos em seguida os nervos /. (fig. 1, J, fig. .3) bastante grossos e que, correndo quasi j)aralellamente ao nervo m we innervar o tentaculo infe- rior. (Continua). AVES DE PORTUGAL POR W. C. TAIT O meu primeiro ensaio de um catalogo das Aves de Portugal, foi imj3resso na Revista da Socicdale de In.^- trucçào do Porto durante o anno de 1883; como porém ■depois de terem sahido alguns números aquella revista suspendeu a sua publicação, resolvi reproduzir o meu trabalho, ampliando-o, no jornal ornithologico de Lon- dres, Jbis, o que se effectuou durante o anno de 1887. Pouco se tem escripto até hoje acerca da ornitholo- gia de Portugal e, realmente, segundo creio, só um pe- queno numero de pessoas se teem occupado d'estes es- tudos. Em 1862, o dr. Barbosa du Bocage publicou o cata- logo das Aves de Portugal existentes n'essa época no Museu de Lisboa, ao qual se seguiu o das que se acha- vam colleccionadas no Museu de Coimbra, publicado em 1889 pelo dr. Albino Giraldes, tendo sido um grande nu- mero d'essas espécies offerecidas ao museu pelo snr. dr. Manoel Paulino de Oliveira, lente de Philosophia na Uni- versidade de Coimbra e actual director do museu e que, em tempos, fez da ornithologia a sua especialidade. Além d'estes trabalhos o rev. A. C. Smith inseriu no Ibu, em 1868, (pg. 428 a 460) um Skelch of lhe birds of Portugal Ann. de Sc. Nal., v. I., Jan. lídk. 22 ANNAES DE SCIENCIAS NATUP.AES no qual enumera 19;] espécies. Posteriormente ú publi- cação (Festes trabalhos teem sido adquiridas muitas ou- tras observações sobre este mesmo assumpto e algumas das espécies que eram entflo consideradas como raras são actualmente reconhecidas como vulgares, pelo menos em certas localidades, ou, especialmente, durante alguma das estações do anno, sendo também outras formas differen- ciadas, taes como Silla ccesia, Ácrcdula irbiiy etc. InfeJizmente o numero dos cultores da ornithologia em Portugal tem continuado muito limitado, e. segundo creio, ha até hoje no paiz muito poucos ornithologistas amadores, entre os quaes se conta o meu prosado amiga dr. José Maria Rosa de Carvalho, de Coimbra. Trocamos durante muitos annos uma agradável correspondência so- bre o assumpto da nossa especialidade, sendo-lhe eu de- vedor de muitas informações relatndas n'esta memoria, especialmente no que diz respeito ás aves dos arredores de Coimbra e aos nomes vulgares porque ali í-ão conhe- cidas. N'estes últimos annos, sabendo muitos dos meus ami- gos que eu colligia observações sobre aves, obsequiosa- mente me teem enviado exemplares com as datas de ca- ptura e localidades onde foram obtidos em tempo de caça^ o que me tem sido de grande utilidade pai-a fixar as da- tas de chegada dos emigrantes do outomno, raros e vul- gares. Posto que a fauna de Poitugal srja, como natural- mente era de esperar, quasi idêntica á de Hespanha e muito similhante á de Itália, ha todavia alguns pontos de especial interesse no paiz, que constilue, como é sabido, a região mais occidental da Europa, differindo considera- velmente muitas das suas aves das da parte oriental da continente. A longa linha de costa jjortugueza banhada pela Atlântico é favorável as observações relativas a aves ma- rítimas, algumas das quaes não se encontram talvez no Mediterrâneo. Portugal é também um dos principaes ca^ w. c. tait: avf.s de Portugal 2:í minhos de emigração seguidos pelas aves na ida e volta da Africa. Algumas espécies só apparecem durante o verSo e outras no inverno. Por todos estes motivos seria muito para desejar que se fizessem em todos os paizes numero- sas observações sobre o chamado «Mysterio dos myste- rios»: a emigração das aves. O coronel Irby coUigiu, durante a sua estada em Gi- braltar, cxcellentes observações acerca da emigração das aves do sul da ílespanha, |)ublicando-as no seu livro The ornilhologij of lhe Síraiís of Gibrallar, sendo estas, segun- do creio, as únicas que teem sido publicadas sobre a emi- gração das aves d'aquelle paiz. O que dá um particular interesse á ornithologia por- tugueza é a grande corrente de emigrantes f|ue passam no outomno ao longo das costas, do norte para o sul, voltando na primavera em direcção contraria. Gom a approximação do inverno observam-se á bei- ra-mar algumas aves que parecem chegar dos montes do interior de Hespanha e de Portugal, como, por exemplo, a Cotovia pequena {Alauda arbórea, L.) ; o Picanço real {Lanius meríHonalis, Temm.); Felosa preta, Cheide etc. (Uclizophilm undaim, Bodd;. Esta ultima espécie foi con- siderada como uma das aves que não emigram, mas é fora de duvida que n'este paiz é parcialmente emigra- dora. Durante o mez de setembro o observador mais su- perficial não pôde deixar de notar a passagem, para o sul, de muitos bandos de Rollas, Tialhões e Poupas, aos quaes se seguem os de Pombos torcazes, Lavercas, Dou- radas, Gallispos, Alcaravães, etc. E' interessante notar que, muitas das espécies de aves que no outomno passam aos milhares do norte para o sul não regressam pelo mesmo caminho na pri- mavera. N'essa época do anno é certo que se observam no sul de Hespanha: parece, porém, que não é pela costa de Portugal que ellas voltam para o norte, mas sim que 24 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES essa passagem se effictua mais pelo interior ou pela costa oriental de Hespanha. Nao julgo todavia provável que as aves ribeirinhas atravessem as serras do interior. Durante a primavera, repetidas vezes procurei, mas sempre em vão, os Acrocephalm aqualicm e À. phragmils, LocLislclla ncevia c Cyanecula wolfi, nos logares pantano- sos da costa marítima onde são tão communs e certos de se encontrar durante toda a época da sua emigração ou- tomnal. Com o Chasco {Pralincola ruhclra) dá-se um facto análogo : só reapparece no outomno. A partida d'esta espécie em setembro e o seu regres- so a Gibraltar na primavera, são factos afifirmados pelo coronel Irby. Seria realmente interessante investigar, se na volta para o norte da Europa, ella segue um caminho diverso d'aquelle por onde vem. As aves marítimas e ribeirinhas e ainda algumas ter- restres voltam para o norte pelo litoral. Os pássaros granívoros: Pintasilgos, Milheiros, Ser- sinos e Verdilhões, muitos dos quaes se encontram aqui durante todo o anno, mas que, em maior numero do que geralmente se suppõe, emigram para o sul nos mezes do outomno, voltam depois para o norte na primavera atra- vez de Portugal, viajando todavia um pouco mais pelo in- terior do paiz do que quando se dirigem para o sul, o que c muito sabido dos passarinheiros. Palmén refere que, em algumas localidades, tem sido notado o facto de certas aves apparecerem unicamente no outomno {Zug^lraascn der Vògel, p. p. 18, 28 e 37) e tenta demonstrar isto por um modo que nada me satisfaz, quando os seus argumentos dizem respeito ás aves ribei- rinhas. Só na costa Occidental da Península ibérica, se en- contram paragens adequadas a estas aves, onde seria de esperar que, como no outomno, apparecessem também durante a primavera, o que porém não succcde. w. c. tait: aves de portugal 25 Dâ-se um caso análogo com umi ove que vive nos prados húmidos, a Boieira (UolncUla //aí/), a qual durante o outomno atravessa a costa de Portugal, substituindo a forma do sul, a Lavandisca amareila {)loíacilla flava). Esta ultima espécie regressa na primavera, mas só uma vez tive occasiâo de observar a .)/. Ilaii n'esta estação. E' mais natural que esta ave atravesse o interior do que a Locw^lella nauna e o Acrorcpliahis aqualicu^; sup- ponho comtudo que na primavera sobem a costa oriental de Hespanha, para attingirem a estação de verSio em re- giões mais septentrionaes. Quando no outomno por uma bella manha de vento leste nos encontramos em uma praia portugueza, e que para o sul passam voando bandos e bandos de aves emi- gradoras, um estranho sentimento de admiração e vaga curiosidade se apodera de nós ao pensarmos nas longín- quas paragens a que essas pequenas aves se destinam. De que paizes vêem e para onde irão ainda? Que muitas d'ellas atravessam o estreito de Gibral- tar, seguindo a costa africana, sabemos nós, mas qual o limite da sua expansão geographica nas regiões do sul? Algumas das retardatárias passam o inverno com- nosco, como por exemplo a Lavandisca — .l/o/afu/Za lugu- bris, o Corvo — Corem fru^ilcvu^, o Gallispo— Vauellus vulgarin, a Laverca — .4 /ait/a arcensis, a Sombria — /í/z- thus pralcnHs, desapparecendo na primavera. Em geral as aves terrestres emigram desde cerca de meia hora depois do nascer do sol até ás 9 da manhã; passada essa hora demoram-se pelos campos em procura de alimentos, ou descansam nos mattos e pinheiroes. Tenho observado a maior parte das aves portuguezas na sua passagem para o sul taes como: Andorinhas, Pe- dreiros, Lavercas, Sombrias das duas espécies (\nlhus Iricialis e Anlfim pralcmis), Rolas, Felosas, (PhijUosco- pus Irochilm), Pombos torcazes, Gallispos, Andorinhas do mar. Gaivotas, Patos, Maçaricos e Borrêlhos, além de muitas outras. 26 ANNARS d:-: scihncias naturaks A mnior emigração de aves marítimas que tenho pre- senceado deu-se em uma manha um tanto nublada; re- cordo-me de ter visto, entre outras espécies: Gaivotas, Patos, Alcatrazes, Andorinhas do mar e algumas Pernal- tas. Em geral estas ultimas aves emigram principalmente durante as noites; pelo canto, porém, tenho podido reco- nhecer milhares de Maçaricos passando a certa altura, assim como vários outros, taes como: Borvèlhos {Tring a alpina); Strcpsilas intcrpres; Fusellos, {Totanuíi calíilrú), e Maçaricos gallegos ( \umcnius pkwopw^), muito especial- mente em noites de nevoeiro porisso que constantemente vão chamando uns pelos outros. Em dias de primavera tenho tido occasiào de ver o Maçarico gallego voltando ao norte em grandes bandos. Até hoje que eu saiba nenhumas observações teem sido publicadas sobre a emigração das aves nas costas de Portugal, Palmén no seu Zug^lrassem der Vògel: (Vias de emigração seguidas pelas aves) apresenta a costa de Portugal como um d'esses caminhos, o que é exacto, toda- via, parece ter obtido poucas datas relativas a esta pas- sagem, referindo-se aquellas apenas a duas espécies da costa septentrional de Hespanha e a nenliuma do litoral j)ortuguez. Quando em 18 de abril de 1884-, acompanhado pelo dr. Hans Gadow e pelo snr. Scott B. Wilson visitei o sul de Portugal encontrei dois exemplares de Alauda arvcnníi, Laverca, de plumagem muito escura, no pico de Foja, serra de Monchique, a sudoeste do paiz. Surprehendido peio tacto de ainda n'esta época en- contrar esta espécie em Portugal, pois que dos arredores do Porto ella desapparece logo em fins de março, e por observar que esses dois exemplares de Foja possuiam uma plumagem muito mais escura que os dos arredores do Porto, fui levado a crer que os dois exemplares de Foja podiam pertencer a uma forma meridional d'esta es- pécie, quer sedentária, quer emigradora, isto é: das que w. c. tait: aves de poiitloal 27 apenas aqui passam o verão. lafelizmenle, por um des- cuido do portador, perdi esses dois exemplares; mas, como esta espécie fjsse miis tarde encontrada na serra do Roxo, arredores de Coimbra, olitive um ainda novo que mandei para Inglaterra. O snr. Howard Saunders informou-me porém, que de Ríigen, Báltico, lhe tinha sido enviado um exemplar ainda mais escuro e que nOo via n'isso razão para constituir uma nova espécie. Esta ave prendeu-me a attenção porque sup|)u/. muito possível que a Laverca do sul, que no inverno frequenta os campos visinhos do Porto, não permaneceria em Portugal du- rante todo o verão, mas sim emigraria para o norte: França, Inglaterra, Allemanha, etc. Estes exemplares parecem-me de côr mais clara; só tive porém occasião de examinar dois adultos, e um novo da forma mais escura. E' bem possível que, com a approximarão do inver- no, os que habitam o norte venham refugior-se em regiões situadas mais ao sul, substituindo ahi um grupo da mes- ma espécie, o qual, simultaneamente, caminhará para re- giões mais temperadas, como de resto succede com indi- víduos de espécies djfferentes. Muito provável me pa- rece portanto, que possa dar-se este facto entre indiví- duos de uma mesma espécie. E' este um assumpto digno de attenção, mas que só por um aturado estudo da emi- gração das variedades geographicas pôde ser suííiciente- mente determinado. Os meus apontamentos sobre a emigração das aves de Portugal começaram systematicamente em 1878, e, des- de então, tomei nota de numerosas observações que se en- contram condensadas n'este trabalho, constituindo ellas o maior inte]'esse das minhas excursões em horas de ócio. A falta de mais tempo disponível não me permiltiu tor- nal-as tão completas como desejaria. E' por conseguinte inútil esperarse um trabalho pei-feito: fiz no entanto todo o possível para realisar esse meu intento. Alguns orníthologistas americanos referem, se bem me recordo, que no limite meridional da exi)ansão geogra- 28 ANNAKS DK SCIKNCIAS NATURAES phica diis espécies, o poder reproductor das aves se torna mais fraco. Supponho que este facto se dá em Portugal, a avaliar pelas observações que tenho podido fazer. Parece-me que a Tordeia e a Negrinha, aves que criam em Portugal, que é o seu limite meridional na Europa occidental, põem menos ovos aqui, do (jue em Inglaterra. Em geral tenho encontrado três ovos nos seus ninhos, e só uma vez observei um ninho de Negrinha com cinco. Para podermos chegar a uma conclusão exacta n'esle assumpto, seriam necessários alguns annos de observa- ções minuciosas e frequentes visitas aos ninhos, durante a época de incubação, com o fim de observar se o ninho contém o numero completo de ovos, e comparar seguida- mente os resultados obtidos com os que teem sido regis- tados nos paizes mais septentrionaes. Durante as minhas excursões pelas diversas províncias de Portugal tive sem- pre o maior cuidado em obter, em cada localidade, os nomes exactos dados ás aves mais vulgares. A minha longa residência n'este paiz e o intimo co- nhecimento da lingua, tem-me, segundo creio, ajudado a vencer muitas difíiculdades e a corrigir erros da gente do campo, que em diversas localidades, dao o mesmo nome a aves differentes e até nomes errados, porque alguns dos camponezes nem mesmo conhecem os nomes das aves lo- caes, o que, diga-se de passagem, nao constitue excepção, pois que succede isto em muitos outros paizes. Em geral até, a gente do povo tem aqui um sufficiente conheci- mento das aves mais communs e sabem distinguil-as pe- los seus nomes vulgares. São curiosas as observações relativas aos nomes vul- gares, muitos dos quaes são onomatopaicos, isto é : deri- vam o seu nome do canto das aves, como por exemplo : Pim-pim (Fringilla ccelebs), arredores do Porto; outros como a Arvella {.Uolacilla alba), Aveiro, teem similhança com o latim, outros são idênticos como, Merula pro- víncia do Algarve {Turdm merula); Tordo ('/'w/v/ws- mmi- w. c. tait: avi:s de portugal 29 cus, Tiirdus ilifirus), encontrando-se lambem alguns que provavelmente derivam do mourisco, como Boita. Aveiro, {Cislicola cursilfins); Uou-fcú'o, Tanger (v. Cor. Irby, Orn. of lhe Slr. o [ (Vibra liar) ; Bibe^. Algarve e Alemtpjo, [Va- nellus vulgaris), Ikcbél, Casa Branca, na co&ta de Marro- cos. Alguns sao tirados de fjualqucr signal característico, como as pennas da crista do \ ancllm vulgarix, Gallispo, arredores do Porto, (do Latim linllu^, o Gallo), outros dos seus babitos, Pica-pau, ou do seu alimento favorito, Papa-amoras {"^yíria rufn) e emfim alguns ha que emba- raçariam por certo os |)hilologistas f(ue procurassem a origem dos seus nomes. Comprehende-se bem, que dêem o nome de rcnl á espécie maior dos Pica -paus, mas qual a razão ponjue á espécie mais pequena chamam gnllcgo ? Este mesmo qualificativo é applicado a outras espé- cies, taes como: Narceja gallega. Calhandra gallega, Tou- ro gallego, etc. Supponho que a explicação encontra a sua origem no facto seguinte. A Galliza é, como se sabe, uma das províncias do norte de Hespanha d'ondo voem para Portugal ganhar a vida muitos criados e can-ogado- res, que constituem uma ulil e laboriosa classe; mas, como muitos d'elles se occupam também na profissão de aguadeiros e de outros trabalhos rudes, os portuguezes haljituaram-se a olhal-os com uma certa superioridade, resultando d'isto ser dada á jialavra gallego uma signiíl- caçHo subalterna. E' provavelmente, como disse, este o motivo porque aquelle qualificativo se applica ás espécies mais pequenas, havendo mais que uma no mesmo género. Quando uma ave apresenta a plumagem de muitas cores vivas chamam-lhe, em geral, francez ou da lui!'ut., talvez por que a gente do povo aprendesse a conhecer os brilhantes adornos com estes dois i)aizes, com os quaes Portugal mantém relações commerciaes de ha muitos sé- culos. Para as incorrecções que possa haver n'este meu tra- 30 ANXAKS Dl'. sr.IKNXIAS NAIURAFS balho conlrii)uii-am por cerlo, o pouco tempo de que dis- puz, a falta de exemplares de c)inparaçiio e os poucos li- vros de historia natui'al, especialmente sobre ornithologia, que se encontram na Bibliotheca Publica. Approveito este ensejo para agradecer o benévolo e prompto auxilio do professor Alfredo Newton, de Cam- bridge, que teve a bondade de me communicar informa- ções muito completas, em resposta ás minhas perguntas feitas sobre diversos pontos. Para a elaboração d'e5ta lista segui a classificação do catalogo das aves da Europa, de Dresser, mas em um pequeno numero de casos avenlurei-me a juntar um ter- ceiro nome, segundo o systema trinominal. Parece-me muito arbitrário dar nomes de valor especifico a raças es- treitamente ligadas. A enumeração das aves que se segue, embora abran- ja informações concernentes a todo o paiz, refere-se espe- cialmente ás observações feitas sobre as aves dos arre- dores do Porto. {Conlinna). MOTE SUR UN POISSON-LUNE (ORTUAGORISCUS .MOI.A, L,), DE GRANDES DIMENSIONS, CAPTURE SUR l.ES COTES DU PORTUGAL PAR ALBERT A. GIRARD Les m27 Nag-eoií-cs: D. 17 ou 18; A. 18; C. 13; V. 13. Poids: 120 kilogrammes. Dans ce specimen la longueur fait exactcmcnt une fois trois quart la hauteur, landis que chez les individus de petile taille ces deux diamètres sont prescfue égaux, mais 11 est admis aujourd'hui, d'apròs la mesure de noni- breux échanlillons, que ces diíTérences regardées d'abord comme des caracteres spécifiques par plusieurs natura- listes, tiennent uniquement à Tuge, le mole devenant de plus en plu? oblong avec la croissance. A Tétat frais cet individu était couvert d'une muco- sité épaisse et três adhérente (|ui enscvelissait pour ainsi dire les nombreux parasites qui s'y attachaient. J'ai pu observer le disque osseux independant du squelette qui forme le museau de Tanimal, et qui presente la particularité d'èLre «usé». Celte usure que Tcn avait A. girard: note sur un poisson-lune 33 observe chez quelques jeunes specimens tient peut être au mede d'alimentotion de cette espòce qui parait être exclu- sivement herbivore. A la gorge et le long de la ligne me- diana, à 25 et oO cenlimòtres de la bouche, on voit aussi deux autres petites plaques ossifiées, oblongues. L'e3tomac était absolument vide et les organes géni- taux três rudimentaires permettaient cependant de distin- guer deux testicules. Quelques naturalistes qui ont étudié le mole ontété frappés du nombre de ses parasites, nul ne mérite mieux que lui, dit Van Beneden, le nom d'hôtelle- rie. Je n'ai pu reconnaitre que quelques espèces, mais le nombre des individus était considórable. Sur la peau. prés de la lente des ouíes et à la base des pectorales, abondait le curieux polystomien le Trisloma mokv, Blanchart, et sur la bande qui se detache par sa couleur et s'étend depuis la nageoire dorsale jusqu'à Tanale en bordant la oaudale, ou la peau est moins épaisse et moins rude, toute une colonie de l'andaruíi, sp?, s'était établie en la perforant pour y loger leur tête. Sur les branchies j'ai recueilli de nombreux couples du Cccrops Lalrcillci, Leacli, qui parait ne jamais faire dé- faut chez le mole, et en petit nombre un Caligus, sp?, peut- être celui dcjà tiguré par Couch. Si je n'ai pu observer des vers dans Tintestin, le foie était tellement perforé par un cestode qu'il était trans- forme en une véritable éponge. Je crois pouvoir rapporter cot abondant parasite au (iymnorhynchus reptam, Ru- dolph, déjà signalé par Cobbold dans le foie d'un jeune mole pris en Angleterre. NOTAS E COMMUNICACÕES Piscicultura — Ha trabalhos de piscicultura, que se relaciooann muito com os serviços que o sylvicultor tem de desempenhar, especialmente, quando se occupa da arborização de dunas ou de montanha?. Se se trata de fixar e cobrir de maltas resinosas os areaes da costa, depara-se, em muitos logares, com extensas lagoas de agua doce, aonde seria muito ulil introduzir e desenvolver a creação de boas espécies de peixes. Se é no revestimento das nossas montanhas que tem de ser em- pregada a actividade do sylvicultor, este vae encontrar, nas origens e nas aguas altas de alguns dos nossos principaes rios, os logares onde nascem, reproduzem e vivem, temporária ou permanentemente, algumas espécies de peixes das mais apreciadas. Quem se occupa de serviços florestaes por conta do Estado, tem, com certeza, muita occasião de emprehender e dirigir serviços de piscicultura, e tudo que u'este simtido se fizer, terá seguramente muita utilidade, visto que as nossas aguas interiores são de uma pobreza ictiologica muito no- tável e por isso oíTerecem fraco recurso para a alimentação publica. Esta pobreza nào deriva da falta de boas espécies, mas é motivada principalmente pelos processos seguidos na exploração das aguas, que mais parece terem em mira a total ruina da producção piscicula, do que auxiliar o seu desenvolvimento. Basta dizer que se pesca em qualquer tempo, escolhendo-se muitas vezes de preferencia a occasião da desova, que se usam apparelhos de malha muito miúda, empregaado-se substancias venenosas e explosivas para matar o peixe e praticam-se outros abusos, cujas consequências não podem ser mais funestas. Existem, é certo, algumas disposições adminis- trativas, que regulam o modo de exercer a pesca fluvial, mas não são cumpridas e por isso o despovoamento das aguas continua no noesmo es- tado ou peior de dia a dia. (*) Rios e ribeiros que eram, não ha ainda muitos annos, abundantes ád (1) Ha poucos annos, parece-me que em 1882, foi tão grande a quan- tidade de peixe destruído por meio de dynamite no rio Z'zere e seu aílluen- te ribeira d'Alie, tão inquinadas ticarain as aguas, que todíts as pessoas de Figueiró dos Vinhos, que naquelle anno lizerani uso de banhos na Foz d'Alje, foram atacadas de febres muito graves e passados mezes ainda algumas se achavam muito doentes. Imagine-se a quantidade de peixe que tinha sido morto, para assim corromper a agua de duas correntes tão caudalosas, como o são o Zêzere e a Aije. NOTAS E COMMUNICAÇÕES 35 peixe, teem hoje grande escassez. A truta jà é rara e todavia é um dos peixes que melhor se cria e muliipHca nos rios de montanha e que, se fosse convenienlemente explorada, poderia prestar abundante e delicado alimen- to aos habitantes de muitas locilidades serranas do paiz. E' necessário estudar e pôr em execução algumas medidas tendentes a proteger e augmentar a producção ictiologica das aguas interiores e para nos guiarmos n'este caminho, vamos encontrar óptimo ensino em alguns paizes da Europa, que de ha muitos annos tratam da cultura das suas aguas. Não precisamos até de ir muito longe, para nos aproveitar a expe- riência alheia, pois que ha bastante tempo que a Hespanha fundou com resultado feliz no mosteiro de Piedra um estabelecimento de pÍ!tes trabalhos de arborisação que podem realisar-se com pequeno dispêndio e sem que se altere o piano geral da arborisação das dunas en- tre o M mdcgo e o Liz, evitarão immediatamente que as lagoas continuem a ser areadas e prestarão sombra e abrigo aos ppixes, quebrando ao mes- mo temp) a força dos veutos, que muitas vezes faz levantar ondas curtas, mas bastante altas, que espraiando-se nos logares aonde os peixes des- ovam, podem destruT muitos germens e creação miúda. 40 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES Nas lagoa? que lembro se submetiam a este ensaio de piscicultura, não é uso pescar, ponjuanto, com) disse, as especie> ieiiologicas que as povoaai são iosiguiiicaotes: além d'isso, tanibím não se pratica a extrac- ção de plantas aquáticas, por consequência, não se prejudicando interesses já existentes e crean lo-se uma cousa inteiramente nova, parece-me que ao depois será fácil regular o exercido da pesca nestas lagoas, perinittin- do-a só sob condições, que não pre-judiquem nem esterelisem a creação do peixe. De outra sorte, se depois de conseguirmos enriqupcer estas aguas com boas espécies de peixes, os methodos seguidos na pesca não furem racionaes e muito diversos dos que geralmente se usam, seriam perdidos todos os trabalhos e dospf^zas que se tizesscm. Tenho-me referido especialmente á lagoa da Ervedeira e também aos outros alagamentos qae lindam na lagoa dos Linhos, porque estas aguas estão junto de uma matta nacional que administrei ou de areias rrovedi- ças cuja arborisaçio me competiu dirigir, e, pelos motivos já apontados, prestam-se muito a ensaios de piscicultura, cujo resultado afigura-se me favorável quanto possível. (*) Parece-me que, tratando-se do aproveitamento das lagoas littoraes, con/em começar aqui, parque o êxito será seguro e o dispêndio insignifi- cante. Dados os primeiros passos e obtidos os primeiros heneticios, melhor será o ensejo de fazer encetar trabalhos de mai')r vulto em outros logares. As lagoas de Mira, da Veia, de Óbidos, Albufoira, de Melides, Santo André, etc, oíTtirecem vasto campj, cerca de 1:500 hactares, para se pôr em execução interessantes emprehcadimontos de piscicultora. E' possível até que em algumas das lagoas do littoral do Alemlejo e do Algarve possa conseguir-se com proveito a iatroducção de peixes oriundos de paizes quentes. Termino a |Ui esta exposição, que julgo conter alvitres aproveitáveis e que ligam intimamente com uma questão de máxima importância, a alimentação da gente pobre. Tudo o que possa contribuir para o augmento dos recursos alimentares no nosso paiz, deve ser devidamente estudado e attendido, porque pôde dar origem a muitos benefícios, que serão sobre- tudo partilhados pelas classes que mais carecem de auxilio. Lisboa C. A. DE SOL'SA Pimentel. (1) No pinhal nacional do Vallado, situado no conselho de Alcobaça, uma das lagoas que ali existem, a do Saloio, cujas aguas são límpidas pode muito bem servir, apesar da sua pequena extensão (3,^60), para a creação de peixe, da carpa provavelmente. O peixe que aqui se produzisse poderia também ser aproveitado para povoar a lagoa rle Pataias, que flca perto e que pela sua grandeza, natureza das aguas, vegetação etc, não deve dilíirir muito da lagoa da Ervedeira. NOTAS E COMMLÍNICACÕES 41 Subsídios para o estudo da Fauna de Portugal. — Ullimamente, a pedido do snr. dr. K. Mubias, sabio director do Museu Zoológico da Universidade de Berlim, tenho mandado para aquelle estabelecimento scienlifico alguns exeir-plares de animaes da nossa fauna, producto das miohas explorações no paiz. O snr. dr, K. Mobius tem tido a amabi- lidade de me communicar a maior parte das vezes os nomes scicntificos das espécies que lhe teuho enviado; e, como supponho que não deixará de ser interessante para os nossos naturalistas conhecer esses nomes e o local onde ellas habitam, apresento hoj.} a lista das espécies de Lumhrici- deos das visinhançns de Coimbra e de alguos mexilhões de agua doce das valias dos campos do Mondego. Lnmbricideos : .VIolobophora foeUda, (Sav.) ; A. trapesoides, (Dugès); A. chiorofica, (Sav.); A. Molleri, Hosa; .-1. complanata, (Dugés); A. pró- fuga. Rosa; Allnrus tetraedrus, (Sav.) Em 18S9 tinha eu enviado algumas espécies de Lmnbrirideos de Por- tugal ao distincto professor do Museu de Zoologia e Anatomia comparada da Universidade de Turim o snr. dr. Danicle Rosa, entre as quaes ia ura^ espécie que não mandei.para o Museu de Berlim, a Allolobophora veneta' Rosa, var., emquanto que para este ultimo museu enviei uma espécie que não foi na remessa que fiz enião ao dr. Rosa, a A, prófuga, l?osa, das vi- sinhanças de Coimbra e que, segundo um trabalho deste- naturalista pu- blicado em 1S89 no BoUelino dei Mtisei di Zoologia ed Anatomia comparata delia fí. Unicersit a de Turino, só tinha siilo encontrada no Escuiial. iS'es- te trabalho é egnalmente mencionada a A. veneta, Rosa, var. e uma Peri- chata, spf, abundante no jardim Botânico da Universidade de Coimbra e que, segundo o snr. dr. Rosa, deve ter sido importada dos paizes tropicaes. Os mexilhões de agua doce a que me referi são os seguintes: Unio littoralis, Guv., var. pianasis, Lea; U. daclylus, Morelet; U. mucidus, Morelet; l. pictorum, Linneu. Aproveito esta occasião para também dizer qual o nome de um ouriço do mar que colligi em S. Thomé, na Bahia de Anna Chaves, o de que man- dei dois exemplares para o Museu de Berlim e que é o Cidaris íribuloi- des, Lin. Coimbra, Dezembro de 1893. Adolpho Frederico Moller. Cinulus aquaticus, Bechst; n, vw\%.. Melro ribeirinho, v^^allongo. — Descrevenilo os costumes d'esta espécie, diz Brehm que ella m^^rgulha e ca- minha debaixo d'agua, descendo e subindo a corrente. Degland, porém, afflrma que o Cinclus cann'nha pelo fundo da agua setnpre em direcção op- posla á corrdinte. Nas nossas excursões pelas margens do Rio Ferreira, onde esta espécie é muito abutidanlc, tivenjos occasião de observar, (]ue um mel- 42 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES ro ribeirinho tendo mergulhado em um sitio onde a corrente era bastante f )rte, apparecera à superfície da agua a uma distancia talvez de dez me- tros do ponto onde desapparecera, deixando-se depois ser levado pela cor- rente até novamente mergulhar e assim successivamente durante um certo numero de vezes. Editas ob-íervações estão em desaccordo, como se vê, com a afflrmação de Degland. E-^peramos porém em futuras excursões ter oc- casifio de obter mais algumas provas em favor do facto que observamos. E' costume quasi geral nas aves, abandonarem o ninho quando lhes roubam os filhos, esta porém parece accommodar-se no mesmo ninho como tenho observado frequentes vezes. Em priucipios de abril de 1892, um casal de melros ribeirinhos construiu o ninho no cabouco d'u(n moinho, com grande satisfação do moleiro que via na futura ninhada excellente isca para a pesca. E' aciui usual entre os amadores da pesca tirarem os passaritos dos ninhos, e cortal-os em pedaços para iscarem os anzoes para a pesca da en- guia. Foi o que suc>'.edeu á ninhada installada no moinho; apesar d'isto, porém, o=! pães procederam a alguma^ reparações no ninho e eíTecluaram nova postura que, escusado será dizer-se, teve egual sorte, Yailongo, Janeiro de 189J. João Alves dos Beis Júnior. Notas sobre a fauna da Serra do Suajo — Quando em junho e ju- lho de 1890 visitei a serra do Suajo com o fitn de fazer uma explora- ção botânica, oíTereceu-se me ensejo do tomar alguns apontamentos sobre a sua fauna. Como me parece que poucos naturalistas a teem visitado, ou pelo menos não teom publicado as suas observações, vou roferir-me ás notas que poude colher e que dizem respeito a esp-^cies vulgares e que eu conheçj por existirem no Museu de Zoologia da Universidade, visto que não s\o estes os assumptos especiaes dos meus estudos. Já em tempos dei uma noticia sobre a serra do Suajo no Jornal de Horticultura Pratica; hoje amplial-a-ei com mais alguns apontamentos. Eis a lista dos animaes : Mimm' feros — Sus scrof'i, Lin. (Javali), raro; Cervus capreolus,L. (Corso) ; Lepus meridionalis, Gene. (Lebre); Lepus cuniculus L., (Coelho); Canis lupns, Lin. (L'ibo): Canis melanogaster, Gh. Bp. (Raposa); Arvicola amphibins, L, (llato d'agua) ; Mus sy'caticus, L. (f\ato do campo). O Félix pardina, Oken. (Lynce, ou Lobo cerval) era ali outr'ora vul- gar, segundo me disseram; mas híj^ é extremamente raro pela caça enér- gica que lhe deram pira evitar Oa estragos que fazia no gado. O mesmo aconteceu na serra do G^rez. E n Junho de 1890 disse-me um pastor d'esta serra ter visto, havia NOTAS E COMMUNICAÇÕES 43 pouco, O rasto de um Lynce, cou^a que ha bastantes anãos se não lem- brava de observar por aquelles sitios. Também fiz toda a diligencia por obter ÍQformaç53S exactas sobre se a Cdbra brava, (Gapra hispânica S^-himp.), esp^^cie quasi extincta entre nós, se encontrava na Serra do Suaj t ; mas nenhum dos caçadores mais afamados d'ali, a quem interroguei, me deu noticia d'ella. Alguns chamam, no Suajo, Cabra brava ao Corso ou Cabrito dos montes (Cervus capreo- lus L. Peio qae poude averiguar, por pessoas d'ali, a Capra hiapanka Schimp. ainda se observa ás vezes na Serra Amarella, próximo á nascente do Rio Homem e um pouco mais adiante; mas não passa o valie do Lima. No próprio Gerez eila é bastante rara; só quasi se encontra nos pin- caros elevados das margens do rio Homem, próximo à fronteira da Galiiza. Em fins de Julho de 1892, andando eu a herborisar na Serra do Gerez, o guia mostrou-me o rasto da Cabra brava, não muito longe do Borraji'iro, o ponto mais alto d'esta serra. ^te5 — Apenas tomei nota das espécies seguintes: Aiulla Adalberli; Dress. (Águia real); Milvus regalis, Briss. (Milhafre de rabo de bacalhau) Strix flamea, L., (Coruja das torpjs); Corvus corax, L. (Corvo); Oxculus canorus, L. (Cuco), Gecivus Sharpi (Pêlo real): Tardus merula, L. (Mel- ro); Perdrix rubra, Bris. (Perdiz), só nos pontos menos elevados; Starna cinerea, L. (Perdiz cinzenta); etc. Esta ultima espécie, disseram-me os ca- çadores da Serra do Suajo ser ali vulgar, havendo locaes, nos sítios mais altos, onde só ella se encontra. A Perdiz cinzenta lambem se observa, que eu saiba, na Serra do Ge- rez, nas immediações do Borrajeiro e mais ao norte do paiz, nas serras de Rebordão e Montesinho, próximo a Bragança. Ainda não ha muito tempo que um caçador de Coimbra me aíTirmou, que também a havia nas encostas quasi inaccesslveis da margem esquer- da do rio Ceira, a uns 10 a 12 kilometros de distancia d'esia cidade. Não garanto, porém, a veracidade d'este facto. Nas povoações menos elevadas da Serra do Suajo também se encon- tra o Pardal (Passer domeslicus L.). No Gerez nunca o vi senão na base da serra, na povoação de Viilar da Veiga. Reptis e ainphibios:—Pelonectes Boscai, Lalaste; Alytes obstetricans, Laur.; Bufo vulgaris, Dum. et Bib. ; Rana ibérica, Boulenger; R. escu- lenta, C. ; Lacerta ocellala, Tsch.; L muralis, L. ; Tropidosaura algira, L.; (*) Codopellts monspessulanus, Herm.; Anguis fragilis, L., etc. Não me foi possível encontrar n'aquella serra um uuico exemplar tan- to da Lacerta Gadowii, Boulenger, como da Vipera Latasíei, Bosca, reptis muito frequentes, na Serra do Gerez. As pessoas a quem ali interroguei (1) As Lacertas e a Tropidosaura soas observei nos pontos mais bai- xos da serra. 44 ANXAES DE SCIENCIAS NATURAES sobre a vibira não me souberam dar noticia alguma dVlla. Na serra dj Gerez observei um f ii;io curioso com relaçlo ao que se dá na Serra da Es. trella. e que se repele lambam na do Suajo, Vem a ser que, na Serra da Estrelia, nos pontos altos, como nas Lagoas, l\edonda e Secca só teuho visto o Triton tnarmoratas, Dum. et Bih. (T. Gesoeri, Laur.) e a Fiana esculen- la,L. (R. viridis Dum. et Bib.); emquanlo que nas reg õ-^s mais elevadas do Gerez e Suajo só ob-ervei a Rana ibérico, lloulenger e o Pelonrcíes Boscai, Lataste. Este ultimo euconlra-se também nas Caldas do Gerez e ainda mais abaixo. A Rana esculenia L., só a vi entre as Caldas do Gerez, Villar da Vei- ga e Caldo. O Triton marnioralus, Dam. et Bib. só próximo áquellas duas ultimas povoaçõjs se encontra. Em 1890 tive occasião de observar na Serra do Gerez, próximo a Leonte, n'um ribeiro, um exemplar da Chioglossa liisitanica^ Bocage. meu amigo o snr. Alfredo Tait disse-me tel-a tam- bém encontrado na sua propriedade, junto ás Caldas do Gerez. Aquellj distincto loianico amador e eu esforçarno-nos o mais possível para des obrirmos no Gerez o Pleurodcles Waltlii, Micb., salamandra de que o professor Simrolh diz ter apanhado dois exemplares no sitio deno- minado Agua do Gallo, o que nó-; não podemos conseguir O que eu encontrei nas Caldas do Gerez foi a Salamandra maculosa, Laur., var. Molleri^ BeJriaga. Peixes — Na Ribeira do Suajo e no Lima, ha a Trntla fario, Steind, (Truta); Cliondrostoma p')'y'epis, St^nd. (B)ga); Squalus cavednnus. Sleiud. (Escalo); Leuciscus pyrenaicus, Gthr. (Bordalo) e a Anguilla acit- tirpstris, Yarrel. (Enguia), etc. Na ribeTa da Peneda só vi a Truta. No Vez e na sua juncç^w cora o Lima tamb.im linj! ha grande abumiaticia de Barbos. Outrora o V' ez era abundante em Trutas, Bogas, Escalos, ele; mas segundo me disseram na villa dos Arcos, houve um individuo que teve a infeliz lembrança de deitar D'aquelle rio alguns exemplares de Barbos, os quaes depressa se propaga- ram e o resul'ado foi ire.n diminuindo as outras espécies, pois, como é sabido, o Barbo sustenta-se na primavera com as ovas e creação dos outros peixes. E"a conveniente guerrear o mais possível os Barbos, pois que, além de destruírem as ovas dos outros peixes são de inferior qualidade para a alimenla^"io. Já que estamos a fallar em peixes e se tratada creação no paiz de estabelecimentos aquicolas, convém lembrar que existem no Pinhal nacional do Urso, umas lagoas d'agua doL'e que se não devem despresar para este fim: ali se poderiam introduzir as Ca/"/)eas, (Cyprinus carpio, Lin.) as Titicas (Tinca vulgaris, Cuv.) e as Trutas dos lagos. As primeiras o;icontram-se em Elvas; as segundas em vários pontos do districto dn Portalegre e no rio que vai de Alcobaça á Nazareih; as terceiras vrem á v-mda ao mercado de Bragança, pesraias n'uinas lagoas heão assigoa- lados serviços a Morelet, que nos não podemos limitar ao simples tributo de homenagem de registar o seu fallecimento. Nascido em 26 de agosto de 1809 mostrou nos mais verdes annos uma verdadeira paixão pelas viagens e depois de percorrer a Itália, a Córsega, a Sardenha, e de ter explorado a Argélia durante dous annos como mem- bro da expedição scieatilica organisada pelo governo fran^^ez, dirigiu-se em 18l'i para Portugal que durante seis mezes percorreu em quasi todas as suas províncias. O resultado desta exploração foi a publi^ição do seu bím coativ-id) trabalh) sobre os molluseos terrestres e ílavia-^s de Portugal, obra aimli hoje fuodamental sobre a matéria, que permittiufixar o caracter até então desconhecido da nossa fauna malacologica. Depois de numerosas viagens na America, descriptas n'uTia impor- tante obra em dous volumes — Voyjgs dans rkmériqm centrale — M)rolet dirigiu-se novamente para Portugal e em abril de 1S37 embarcava em Lisboa, em companhia do seu amigo Henri Drouet, com destino aos Aço- res, terras até essa epoiíha quasi completamente desconhecidas dos zo3lo- gistas. Reinava então em Portugal El-R;i D. J )ão V, cultor illuUrado das sciencias nalnraes espe>;ialm3nta da cinMiyiiologia, quí dispsnsou aos dous incansáveis exploradores a mais decidida protecção nã) eoaeorrenlo pouco para os valiosos resultados d'esta viagem. Durante seis raízes Mjrelet e Drouet psrcorreram quasi todas as ilhas do Archipelago, com excepção de S. Jorge, colhend) nunerosos e imp)r- tanles dados sobre as prolucçõis natui-ae^ d'aia;llaí iltia-; iiie deram a conhecer era varias memorias. Morelet, n'uma excellente obra magaifivja- 50 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES mente illustrada, occupou-se mais especialmeule dos mollu.«.eos terrestres reconhecendo 69 espécies habitando o archipelago, das quaes não menos de 30 eram completamente novas para a seiencia. A conclusão a que chegou Morelet é que a fauna malaeologica dos Açores distinguiu-se de um modo nitido da dos archipelagos visinhos, emquanto se liga estreitamente á do continente europeu, apresentando comtudo ura caracter notável de especialidade. Se foi esta a ultima exploiação de Morelet a terras portuguezas, a sua penna auctorisada aiada firmou durante a sua longa vida seientiíiea al- guns trabalhos não só sobre a nossa fauna continental mas principaln:iente sobre a das nossas colónias. A Morelet devemos o primeiro trabalho de- senvolvido sobre a malacologia da ilha do Prineipe, pelas colheitas feitas em 1846 pelo distincto oíTicial da marinha franceza o Marquez de Folin. Foi elle também que se encarregou do estudo dos numerosos materiaes conchyliologicos reunidos pelo Dr. Frederico Welwitsch nas suas viagens no território d'Angola e em S. Thomé, collecções preciosíssimas pela ignorância qua?i completa que até então havia sobre essas regiões. Morelet publicou ainda muitas outras noticias sobre molluscos inse- ridos no Journal de Concyliologie de 1850 a 1890, algumas tendo referen- cias á nossa fauna colonial, e subscreveu ainda vários volumes puramente litterarios. Todos os trabalhos d'este naturalista distinguem-se pela concisão e pela clareza. Adoptando o systema de especificação seguido pelos mais auctorisados conchyliologistas modernos, como Cuvier, Deshayes, Pfeiffer, Kobeit, Crosse e Fischer, era adversário declarado da moderna eschola ma- lacologista patrocinada por Bourguignat. Esta não lhe poupou algumas criticas ao seu primeiro trabalho sobre molluscos de Portugal, em parte fundadas emquanto á confusão de alguns typos espeeificos diíTerentes, cri- ticas a que em parte se conformou na suà—Revision des mollusques ter- restres et fluviatiles ãu Portugal, refutando outras com a maior probida- de scientifica. Morelet é incontestavelmente um dos naturalistas que maiores servi- ços prestou á malacologia portugoeza; oxalá o seu exemplo eo seu metho- do fossem seguidos, infelizmente alguns adeptos da nova eschola «producto- res de especits novas», como Servain e Castro, explorando a nossa fauna malaeologica ainda não de todo conhecida, vão-na transformando n'um verdadeiro chá^s, sem especificação possível. Os principaes trabalhos de Morelet relativos à nossa fauna continental e á das colónias são os seguintes : Description des mollusques terrestres et fluviatiles du Portugal. Paris, 1845, 8.0 14 pi. Récision des mollusques terrestres et fluviatiles du Portugal. Io Jour- nal de Conchyliologie, Paris, 1877, 8.° A. GIRARD: ARTHUR MORELET 51 Notke sur VHisloire Natvrelle des Açores suiiie cVune description ées moltusqves ime.^írrs de cet Archipel. Paris, d860, 8.°, 5 pi. col. Testacea qvcedam Africce occidentalis terresíria et fluviatiUa. In Re- vue Zoologique, 1848, S.» Series conchyliologiqves, í.^e livrahcn. Cote occideniale d'Afriqne, Pa- ris, 1858, 8.° gr., 3 pi. col. Voyage du Doctenr Friederich Wehntsch à Avgola et Bengnella. Mol- lusques, 1860, 4.« gr. 9 pi. col. Coquille?. nouvelles recueUlies par le Br. F. Welwitsch dans V Afrique equatoriale ; in Joiíro. de Conctiyl., 1866, 8.o Notice sur les coqnilles rapportées par M. M. Bouvier et de Cessac des iles du Cap.-Vert, 1873, B.» Mollusqiies novveavx de la cote occideniale d' Afrique. In Journ. de Conchyl., 1863, S.» Morelet poísuia uma rira bibliolheca e uma valiosa collecção de mol- luscos terrestres e íluviaes eomprehendendo os typos das numerosas espé- cies que tinha descripto. Diz-se que esta collecção foi adquirida pelo snr. Hugh Fullon de Londres. O Governo francez recompensara os serviços de Morelet nomeando-o Cavalleiro da Legião de Honra. Era em Portugal sócio correspondente da Academia Real das Seiencias, e Commendador da ordem de Christo. Museu de Lisboa, 8 de Fevereiro de 1894, Alberto A. Gikard. CoDtriliDlli à rétnie fles joissons M loíce 4ii Portiial d'après la coUectioi t Miiseé âe 2oolOiie íe rUDiversilé de Goilira PAR LE DR. LOPES VIEIRA aide naturaliste inlerin Avertissement Le Catalogue préliminaire des poissons d'eau douce du Portugal par Mr. F. H. Steindachner, Lisbonne 1864, à été la première publication qui ait parue sur ce sujet. La détermination dcs espèces de poissons qui y sont consignées a été faite en présence des exemplaires qui se trouvaient alors au Musée de" Lisbonne, dont la collection avait été commencée, il y avait peu de temps, de quel- ques endroits du Portugal. (Vid. catai, cit., note pag. 6.) Dans cette publication on a énuméré les espèces, sans décrire les caracteres des exemplaires qui les répre- sentaient, exceplé pour ceux des espèces Barbus Hocagei, Steind., Barbus comizo, Steind., Chondrosloma poíylepú, Steind., qu'on a considérées comme nouvelles et dont on a donné les diagnoses résumées. Dans le Catalogo doa Peixes de Porlugal por Felix de Brito Capello, Lisboa, 1880, on a mentionné les espèces contenues dans le catalogue de Mr. Steindachner, en ajoutant quelques autres, également d'eau douce du Por- Anii. de Sc. Nat. v. I., Abril, 1894. 4 54 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES tugal, qui seulement ont pu être connues récemment. Mais il est certain aussi qu'on ne les y decrit pas, et on cite seulement les publications faites en 1866 à Tétranger par Mr. Steindachner, et que je n'ai pu consulter, ou le Catalogue of Fuhea in lhe Ifrilish Muscum, le seul ouvrage, que je connaisse, ou Ton peut voir tous les diagnoses des poissons d'eau douce du Portugal. Voilà pourquoi je me suis toujours rapporté au Ca- talogue du British Museum, de Mr. Gunther. UHisLoire naturclle des poissons de France, par Mr. Moreau, Paris, 1881, representante plus moderne d'une icthyologie semblable a celle de mon pays, me devait sur- tout servir de guide. Le résultat au quel je suis arrivé dans mes investi- ga tions est bien extraordinaire; car, pour quatre genres^ je suis reste indécis quant à la distinction d'espèces que je trouvais faite et je n'ai pu harmonisôr le résultat de mes observations avec celles des naturalistes autorisés qui les ont établies. Ne doutant pas de mes propres investigations, et n'ayant point de motif pour douter de celles des autres, il ne me reste seulement qu'à attribuer cetLe notable diver- gence à ce qu'il ne leurs a pas été possible d'examiner un nombre suffisant d'individus, condition que j'ai pu réa- liser. Quoiqu'il en soit, mon but n'est pas de discuter les compétences, ni même de m'attribuer des mérites que je ne possède pas, ou de me donner des honneurs qui ne me rapporteraient également aucun profit. Mon désir est d'harmoniser les observations des uns et des autres; de voir une contre épreuve des diagnoses faites et d'établir enfin une diagnose indubitable des es- pèces de poissons d'eau douce du Portugal. Qu'on le croit ainsi tel est mon but. Coimbra, janvier, 1894, DR. L. vieira: POISSONS DU PORTUGAL 55 NOTE A Je n'ai pas, à Tégard des espéces du genre Barhus d'eau douce du Portugal, à me rapporter à VHistoire na- turellc (Ics poiíiso?ts de hrance, de Mr. le Dr. Moreau, parce que cet ichthyologiste ne s'occupe que des espèces qu'on trouve en France; et les espèces du Portugal, se- lou Tavis et les descriptions de Mr. le Dr. Steindachner, in Catalogue préliminaire dcíi poissons d'eau douce du Portugal, Lisbonne, 1864, ainsi que les descriptions qu'on peut lire dans le Catalogue des poissons du British Muséum, vol. 8." pag. 92 et 93, sont particulières à la péninsule Iberique. Je me suis donc servi des descriptions de Mrs. le Dr. Steindachner et le Dr. Giinther, en profitant de toutes les deux; et j'ai mis en parallèle les caracteres de pre- mier ordre de leurs descriptions et ceux trouvés dans les individus du Musée de Coimbra. Voici les conclusions que je dois faire ressortir de ce parallèle. Je n'y vois pas de diíférences qui permettent de dis- tinguer d'une manière precise, comme il est nécessaire, les deux espèces du genre Barbus. Ainsi, la forme de la ligne rostro-frontale n'est pas toujours droite chez les individus dont la tête est nota- blement allongée ; ni n'est pas toujours convexe chez ceux qu'on dirait liarbm Bocagei, Sleind. Tels sont les in- dividus números 7, 8. La bouche n'est pas três fendue que dans le supposé Barbus comizo, Sleind. Au contraire, on la voit aussi fen- due chez le numero 10, qui n'a rien de plus de semblable à celui-là. Le grand rayon ossé de la nageoire dorsale n'est pas toujours fort et distinctement denteie dans le Barbus^ qu'on dirait comizo, parce qu'il a la tête et le museau ex- traordinairement allongés, comme on le voit dans Texem- plaire empaillé numero O de la collection du Musée de 56 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES Coimbra. D'un autre cote, on voil un rayon três fort et três denteie dans Texemplaire numero 6, qu'on devrait appe- ler Harbm fíocagci, pour tous les autres caracteres. Les rayons de Tanale, ainsi que la formule des sé- ries d'écailles ne permettent plus d'établir aucune dis- tinction. En vue d'un tel résultat, je n'ose pas appliquer aux exemplaires du Musée de Coimbra la distinction préten- due par Mrs. Steindachner et Gunther, ni je trouve as- sez justifiée cette distinction, malgré la grande autorité, généralement reconnue, de ces deux savants ichthyo- logistes, et de ce qu'on dit cette distinction constatée, non seulement dans les exemplaires observes au Musée de Lisbonne, mais aussi confirmée par des investigations accomplies par Mr. Steindachner en Espagne. Mais si Tallongement de la tète n'est pas suffisam- ment caractéristique d'une différence d'espèce des Ihirbus du Portugal, on peut se demander si elle ne será pas un effet de Tâge? On voit que les individus O, 1, qui sont ceux de plus grandes dimensions, sont aussi ceux dont la tête est la plus notablement allongée. D'un autre cote, dans aucun des nombreux exem- plaires de la coUection, que je n'ai pas trouvé nécessaire de mesurer, on ne voit Tallongement de la tête. 11 n'y a qu'une exception pour les exemplaires 4, 6 ; car le nu- mero 4, qui a 26 -|- centimètres de longueur, a la tête três allongée, comme Tindique la mesure de 3 f ; tandis que Texemplaire numero 6, de 30 | centimètres de longueur totale, ne presente pas la tête allongée. En remarquant que Texemplaire numero 4 provient du íleuve Guadiana, ainsi que tous les autres qui présen- tent un allongement égale de la tête; tandis qu'on ne trouve pas un tel caractere dans aucun des exemplaires des autres tleuves, on pourra se demander si un sem- blable caractere ne será pas exclusif d'une varieté du genre Barbus, propre à ce íleuve? Paralléle entre les 'Barbus-'"^Bocafjei, Stoitid. et 'Barbas comuo, Steinrl. et les Barbas des fleuves et rivières du Portugal de la collection du Musée Zoologique de l'Univei-sité de Coimbr-a Barbus Bocaq-ei, Steind. Barbus comizo, Steind. Numero I Nonibre de fois | Nombre de fois que I de ! que riiiuleur du trone i la longueur de la tôte ; Forme de la ligne se cdiitltiU daris la longueur tutale se contient datis la longueur totale loslro frontal Bouctie [ Derni^-r rayon . ■ siinpledeladorsale ^ Formule des écailles convexe ,.^„, ^ três fendiie, obli recte ou concave ' *■ • i que, terminale petite, horisonta- ' 1.1. 1 .> o ^i„ Lr....; „ I peu denteie '■. 8/8 três denteie et fort 1 3/0 ou 7 droite, peu incli- fendue, oblique, née términale droite, três peu três fendue, obli- inclinée que, términale 8 ou 9; 47 a 52; 5 ou 6 8|ou9|;48a50;5i sinueuse, três peu inclinée sinueuse, peu inclinée quelque peu con- cave, três peu in- clinée quelque peu con- vexe, peu incli- née droite, presque rien inclinée idem droite, presqne en prolongement du dos. convexe, inclinée idem fendue, oblique, términale idem idem petite, oblique, términale idem idem idem idem fendue, oblique, términale peu fort, pas denteie fort, peu ou pas denteie fort, denteie três fort, três denteie fort, três denteie faible, pas denteie extra rdinai- rement fort, três denteie faible, pas denteie idem idem i peu fort, pas denteie 3/8 9/54/6 ."3/6 9/49/6 idem 9/51/6 idem 9/50/6 idem 8/49/6 idem 9/52/6 idem 9/49/6 idem 8/49/6 idem idem 3/8 8/50/6 3/8 8/51/6 Parallèle entre le.s %euciscus arcasii., Steind.; Tjeuciscas aula, Cuv. & Vai.; i. aLbartioides,^\.emá^- 2/. macrolepidotiis, Steind. et les poissons du genre Jjenciscus qui se trouvent au Musée de Zoologie de TUniversité de Coimbra, provenants des fleuves et rlvières du Por-tugal. Numero de Texem- plaire 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 Denls pharyng. Rayons dís nageoires D. A. 10 10 ou 12 10 3/7 10 011 11 5/5 2/7 idem B/7 2/7 idem 3/7 3/7 idem 3/8 3/8 ne s'oni pas examines 3/8 3/7 5/5 3/7 3/7 idem 3/8 3/8 idem 3/8 3/8 idem 3/7 3/7 idem 3/8 3/8 idem 3/8 3/8 idem 3/8 3/8 idem 5/8 3/8 idem 3/8 3/8 idem 3/8 3/8 idem 3/8 3/8 idem 3/8 3/8 idem 3/8 3/8 2/7 2/7 2/7 2/7 2/7 2/7 2/7 2/7 2/'8 2 '7 2/7 2/7 2/7 2/7 2/7 2/7 2/8 2 '8 Series d'écailles dH la ligne latérale 10 ou 11 10 ou 11 • ? ! 42 a 46 11 ou 12 11 ou 12 10 j 37 a 46 •>. , 39 a 40 9 ou 10 33 a 36 36 ou 37 40 37 ou 38 35 32 34 36 40 38 38 38 34 ou 35 38 41 39 37 43 45 Serie d'ecailles entre la ligne la- térale el la liase de la ventrale ^ "2" 7-8 21 9 1 3 n n 21 ^ou 2 2 2 Nombre de fois que riiauteur du trone estcon- tenue dans la longueur totale Q 3 3i 34 3 f 3i 3| 3i 3i 3i 1 1 3 ? 1 Provenance Leuciscus arcasii. Steind. Leuciscus aula. Cuv. k Vai. Leuciscus alburnoides. Steind. Leuciscus macrolepidotus. Steind. rivière d'Espinho. fleuve Mondego, Coimbra. idem. rivière de Condeixa. idem. rivière d'Ansos, Pombal. ruisseau du Pinhal nacional, Leiria. fleuve Mondego, Coimbra. rivière d'Ansos, Pombal. rivière Antuà, Estarreja. rivière d'Ansos, Redinha. rivière d' Espinho. fleuve Arunca, Pombal. idem . fleuve Liz, Leiria. idem. fleuve Guadiana. idem. DR. L. vieira: POISSONS DU PORTUGAL 57 Même si cela était, comme il nous le semble proba- ble, on doit cependant ajouter qu'une telle variété de Bar- bus ne serait pas la seule qui existe dans le fleuve Gua- diana; car Texemplaire numero 6, qui provient aussi de ce même fleuve, n'a pas la tête allongée. Toutefois, comme le Musée Zoologique de TUniver- sité de Coimbra n'a pas encore achevé Texploration des fleuves et des rivières du Portugal, je n'ose point attri- buer à mes conjectures un caractere de généralité et de certitude; me résérvant, au contraire, de revenir sur ce sujet dès que je possederai de nouvelles observations. NOTE B J'ai étudié les poissons du genre Leuciscus, en face du Catalogue du British Muséum ou Mr. Gúnther dé- crit les quatre espèces — /,. aula, Bp., L. arcaúi, Steind.; L. macrolepidolm, Slcind.\ L. alburnoides, Steind.: puis- que Mr. Moreau ne décrit que le L. rulilus, Agass., que Mr. Gunther croit represente par le L. aula, Cuv. óe Vai., dans le midi (southern). 11 ne m'a pas faliu examiner tous les nombreux exem- plaires du Musée de Coimbra pour me sentir incapable de démêler toutes ces quatre espèces; et après avoir ins- crit, dans le tableau ci-joint, les caracteres de dix-huit individus, je me suis arrêté pour consulter, au sujet de mes hésitations, Mr. le Dr. Boulenger, du British Mu- séum, auquel j'ai envoyé ce même tableau, ainsi que les poissons auxquels il se rapporte. L'il lustre savant me permettra ici de rendre publique son opinion autorisée, qu'il a bien voulumecommuniquer, ce dont je le remercie infiniment, et qu'il a résumé ainsi: «Leuciscus n."' 17, 18 are young L. alburnoides, Steind.; ali the others I would refer to L. macro lépido tus ^ which, together with /.. arcasii, I do not regard as speci- fically distinct from L. aula. » Cela me suffit. 58 ANNAES DE SGIENCIAS NATURAES Je puis donc comprendre le motif de mes hésitations et je les crois bien excusables, ou plutôt, três justifiées. Mais alors il faudra refaire la science et produire de nouvelles descriptions de les deux espèces que Ton croit devoir conserver. On doit attendre ce bon service d'un des grands ichthyologistes de TEurope, qui les premiers se sont oc- cupés de ce point. NOTE G Mr. Moreau (ouvrage cite, tom. III, pag. 429) ne dé- crit au genre Chondrosloma que Tespòce nasus ; et j'ai presente, en tableau, les caracteres qu'il attribue à cette espèce. Mais il ne cite à ce sujet ni le Catalogue prélimi- naire des poissons d'eau douce du Portugal par Mr. Steindachner, qui décrit une Cliondroídoma polijlepn com- me nouvelle espèce, ni même le Catalogue du British Mu- seum par Mr. Gunther, vol. VII, fjag. 272 et 274, ou Ton décrit les trois espèces nasus, j)olylcpis et Wilkomii, dont les deux dernières seraient particulières à la péninsule Pérynéenne. Corame les caracteres de la Chondrosloma nasus de Mr. Moreau ne s'accordaient avec ceux des exemplaires que j'avais à étudier, surtout pour ce qui touche au nom- bre d'écailles de la ligne latérale et de la ligne transver- sale, ]'ai été conduit à considérer les espèces décrites par Mr. Gunther. En regard de ces descriptions, dont on voit les cara- cteres dominants dans le tableau que j'ai dressé, voici les conclusions aux quelles j'arrive : Les números 2, 6 seraient la Chondrosloma polylepis, Sleind., par les caracteres b, c, d; mais on les croirait Ia Chondrosloma nasus, Agass., par le caractere e. Les números 12, 16, 16 bis, Chondrosloma polylepis par ò, c, d. Parallèlo entre les Tieuciscus arcasii. , Steind.; Tieuciseus aula, Cuv. & Vai.; Ti. alburnoides, Steind.- Tl. inacrolepidotus, Steind. et les poissons du genre Teaciscus qui se ti"0uvent au Musée de Zoologie de TUniversité de Coimbra, provenants des fleuves et riviôres du Portugal. Numero de Denls Texem- pharyrig. plaire Rayons des nageoires 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 D. 10 5/5 3/7 idem 3/7 idem 3/7 idem 3/8 Des'oiitpas 3/8 examines 5 5 3/7 idem 3/8 idem 3/8 idem 3/7 idem 3/8 idem 3/8 idem 3/8 idem 5/8 idem 3/8 idem 3/8 idem 3/8 idem 3/8 idem 3/8 10 ou 11 Series d'écailles de la ligne latérale Serie d'ecailies i «omb e de fois entre ia iigne la- ' ^ ^^^ 1 hau eur térale el la base '^"i,':°"'= !nl?."' de la ventrale ,i^""l?,^"^,'l. longueur totale 10 ou 11 10 ou 11 11 ou 12 11 ou 12 10 10 10 ou 12 Provenance Leuciscus arcasii. Steind. Leuciscus aula. Cuv. k Vai. Leuciscus alburnoides. Steind. Leuciscus macrolepidotus. Steind. rivière d'Espinlio. fleuve Mondego, Coimbra. idem. rivière de Condeixa. idem. rivière d'Ansos, Pombal. ruisseau du Pinhal nacional, Leiria. fleuve Mondego, Coimbra. rivière d'Ansos, Pombal. rivière Antuà, Estarreja. rivière d'Ansos, Redinha. rivière d'Espinho. fleuve Arunca, Pombal. idem . fleuve Liz, Leiria. idem. fleuve Guadiana. idem. et les NuiniSi'0 de 1'exeDi- Parailèle entro les caractèi-os attriljués pai' Mr. Mureau à la "inata Fario. Síl'1ji.1(] et à la 'InUla marii,,,. Duli., exemplaires des tleuves et rivières du Poi-tugal oii C(j|lectioii au Muséc /oolugiquo de rUniversité de Cuimbr W Nombiv de fois que riiauteur du Ironc se conlieiít dans la longueur lotale •Ha5i 5 i a 6 I long. tot. 40' I liaut. "9% 75 i loiíg. lot. 28' I luuit. "5%75"i = 4 (*) Nombri! de fois que la loníueur de la leie se contient dans Ia longuear tolale 3 f a 4 f Iuiií;'. tot. 27' j _ / , haut. 5%75 1 ~ * ^' = 4 5 5 bis 6 7 8 10 bis 1^ li 15 bis 16 Ití bis 17 long. tot. 21',25 baut. 4%75 long. tot. 22%5_j ^ ^ , baut. 5' 1 ' - = 4 lung tot. 23', 25 baut. 5' loiíg. tot. 20', 5 I ^ , , haut. 5' í ^ long. tot. 22' I _ , „ baut. "5' 1 " * long. tot. 22',5 I _ ^ , baut. 5' í ~ ' long. tot. m ( _ . 2 baut. 4',5 i ^ 1 ! long. tot. 23', 5 ( _ ^ baut. 5', 75 í baut. i.',75 \ ^ long. tot. 17', 25 i _ t- baut. 3',50 i ■" long. tot. j_8' j haut. "4^02 \ lung. tot. 17', 5 1 baut. ^4' i long. tot. 10', 75 ( haut. .'3',75 i long. lot. 17', 5 _ 1 baut. 3', 75 i long. tot. 1.3, 75 I baut. 2', 75 i long. tot. 13',50 \ baut. 2',75 ( long. tot. 14, 25 I haut. ~1.' i long. tot. 14' I baut. ^^25 I 4 A 4i I Nombre lioi-d postérieur , de rayons de lopercle , .J'í'*",\ pas courbo i 11 cii courbe alloiigóe 10 a 12 I courbe alloiigée j 12 10 = u 4 = '^\ n = n ^*l = 5 5 = 5 5 = 4| 4^ = n 4i concavi' droite droife droilo droitc droite droitu courbe allongée droite concave droite courbe allongée ii peu prés droite droite droite droite droite droite courbe allongée droite 10 12 12 10 11 11 11 U 11 11 10 11 11 10 10 11 10 11 10 M - (0 Nombre de sôi-íea decallies de la ligne loiígiludinale Nombre li'' séries (l'écaiUes de la ligue lraM>\ersale Indicâtions des pr< vpnances et notiis \uiga.res 108 a 128 24 — "8 " 11 .i'1 1 ^iO Trinta fario. 24 - 30 ' ^ 4J a 5J 120 a 130 20 — "(1 -— ^g- + 1 =-= 40 a 56 Trutla marina. 114 29 -27+^=" fleuve Antuã, Esíaireja. 127 q.) W + ' = 42 Ileuve Alvares, Lousã. 125 ^1+1 = 52 ticuve Cabanas, Vianna. 110 4^+1=49 idem. 110 1^+1=48 Il'uve'.', Villa da Teira. 124 15- + 1=50 ideju. 117 20 '23" + 1 = 50 rivière de Cabeceiras de liasto. 121 27 ^ + 1=50 idem . 116 27 W + 1 = 5" Ileuve S ,loã do .Muiile. ? 22 -,,,,- + 1=42 Ileuve Ve/, Arcos de Vai de Vez. H4 20 , , -1,-+1=40 Ileuve Minho, Monsfio, aver le noin de Truta marisca. 114 -+.=42 idem. 115 -S+.^39 aflluente du Ileuve Alva. 110 5+1=51 Ileuve S .loão do Monte. 114 ^+.=40 Ileuve Cavado. 110 S + '=^" Ileuve Minho, Melgaçri, avec li' iioin dr Tru:a marisca 118 -■+1=50 Ileuve Ancora, Caminha, avec le nom de Tru:a sopeira. 115 f + l = .2 idem. ,u Í+-- Ileuve S. Francisco, Melgaço. 7 -Í- + i=.« idem. •> -..=40 leuve Perre, Viaiina du Caslellu. DR. L. VIEIRA : POISSONS DU PORTUGAL 59 Les números 10, 15 bis, 18, Cli. polylepis par b. ti, e. Les números 7, 10 bis, 11, li bis, 12 bis, 13. 17 se- raient la Ck. nasus par le caractere d ; mais ils ne la se- raient pas par les autres caracteres. Le numero 3 on le croirait Ch. na.ms par les caracte- res d, e; mais Ch. polylepú par le caractere b. Le numero 4, Cli. nasm par d; Ch. polylepis \mr b, c. Le numero 17 bis, Ch. polylepis par d; Ch. Wilkomii par 6. Et ainsi de suite. Je demanderai donc oíi sont les caracteres constnnts, qu'on puisse trouver pour permettre la distinction d'une quelconque de ces espòces?! NOTE D Comme c'était la classification adoptée par Mr. Mo- reau que je m'étais proposé de suivre dans la determina- tion des poissons d'eau douce du Portugal, et, en outre, comme je ne sache pas qu'on ait décrit quelque espèce de Trulla qui soit exclusive de la péninsule Ibòrique, j'avais à considérer les trois espèces que Mr. Moreau décrit dans son ouvrage — Trulla fario, Siebold., T. marina, Duh., et T. Baillonii, Moreau. Je ne pouvais pas voir la Trulla Baillonii parmi les exemplaires du Musée de Coimbra, parce que un des ca- racteres de premier ordre de cette espèce c'est de n'avoir pas plus de neuf rayons branchyostèges ; et tous les in- dividus de ce Musée ont dix, onze, ou douse rayons. D'ailleurs, on dit que la T. Baillonii est particulière aux pays froids. En mettant en parallèle les caracteres attribués par Mr. Moreau à la T. fario, Siebold., et à la T. marina; Duh., avec les caracteres trouvés dans les exemplaires que j 'ai pu observer, je suis arrivé au résultat suivant: L'exemplaire n.° 1, que je prendrais pour T. faria par les caracteres de les colomnes a, b, e, f, devrait plu- 60 ANNAES DE SCIENGIAS NATDRAES tôt être considere comme la T. marina par les caracteres des colonnes c, d. Les n."' 2, 3, 5 bis seraient la T. fario par les cara- cteres a, 6, c ; mais plutôt la T. marina par leur caractere d, qui est de premier ordre. Le n." 4 serait la T. fario par ses caracteres a, h, c, e ; mais il faudrait le considérer comme T. marina par le caractere d. On peut én dire autant du numero 5. Les n.°'' 6, 7 seraient la T. fario par les caracteres a, ò, c, d; et les autres caracteres ne s'opposeraient pas à ce qu'on les considerât comme tels. Le n.° 8 paraitrait T. fario par ses caracteres a, b, d, e; mais non pas par celui c. Et ainsi de suite jusqu'à la fin, de manière à ne per- mettre de determiner exactement presqu'aucun des exem- plaires. Dans de pareilles circonstances, il me semble mieux de m'abstenir de distinguer les deux espèces de Truttes, et de me borner à enregistrer mes observations, pour que d'autres, plus autorisés, puissent décider si elles indiquent ou non la necessite de contrôler la distinction moderne des espèces zoologiques multiples, que, après tout, on ne íiãit pas determiner, parce qu'on ne peul pas les distinguer les unes des autres. NOTE E Je considere provisoirement comme representant cette espèce, les deux individus prepares que le Musée de Coimbra possède ; car je ne puis pas m'assurer de qu'on y rencontre tous les caracteres de VAlosa vulgaria, Cuv. & Vai, espèce qui ne me semble pas se prêter a une dis- tinction assez facile et intuitive de sa congénere YAlosa finla, Selys. Toutefois je sais bien que Ton assure avoir trouvé cette dernière espèce en Portugal, non seulement au Ca- DR. L. VIEIRA : POISSONS DU PORTUGAL 61 talogue des poissons du Musée de Lisbonne, mais aussi en celui du British Museum. Pour que je puisse juger par moi même du vrai fon- dement de cette distinction de les deux espèces, ainsi que pour que j'arrive à bien les reconnaitre, il faudrait que le Musée de Coimbra aurait une série assez nombreuse de poissons du genre Alosa. Je Tattends, et je suis bien certain que je ne Tatten- drai pas long temps. NOTE F Je dis le Mugil capito, Cuv. & Vai. un des poissons de Teau douce du Portugal, de la même manière que je considere leis — V Alosa vulgaris, Cuv. & Vai; Aiiguilla vulgaris, C. Bp.; Pelromyzonmarinus, L.; Pcíromyzon flu- vialilis, L.; Flesus vulgaris^ Mor. ; Accipenser sturio, L. ; Salmo salar, L. Ce sont des poissons qu'on peut trouver tous dans les fleuves du Portugal, au moins pendant une partie de Fannée, et qui vivent aussi bien dans Teau douce que dans Teau salée. Cependant je veux ajouter, au sujet des espèces du genre Mugil, que je ne sais pas encore à présent si c'est seulement le Mugil capito, Cuv. & Vai., ou s'il sont tous les espèces du même genre, comme il me semble pro- bable, que Ton peut trouver dans Teau douce. Je n'ai pas de données pour formuler une opinion ; ni même le Catalogue du Musée de Lisbonne me donne assez de renseignements sur cet sujet. Je ferai, Tété prochain, les investigations nécessaires sur cet point. 62 ANNAES DE SCIENCIAS ^ATURAES Catalogue des poissons des fleuves et rivières du Portugal conserves au Muse'e de rUniyersité de Coimbra 1 — Gasterosteus brachycemrus, Cuv. & Vai. Nom vu\ga\re— Eagana-gala. Trois individus provenants des ruisseaux et des rigo- les des plaines du Mondego. 2 — Cyprinus carpio, Linn. Nom vulgaire — Carpa. Deux individus pêchés dans le fleuve Guadiana. 3 — Cyprinus auratus, Linn. Nom vu]gmre— Pimpão . Deux individus des rigoles du Mondego, prés de Coimbra. 4 — Barbus sp.? (*) Nom vulgaire — Barbo. Cinq individus du fleuve Guadiana. Trois du fleuve Eça, prés du mont Caramulo. Trois de la rivière de Cabeceiras de Basto. Un de Ponte da Barca. Un du fleuve Vez, Arcos de Vai do Vez. Un du fleuve Criz, prés de Gastellões. Un de TArdilla. prés de Monsao. Un du Perre, prés de Vianna. Un du Cavado, voisin de Braga. Un de THomem, prés de Braga. (1) Vide Note A. DR. L. vieira: POISSONS DU PORTUGAL 63 5 — Tl.NCA VULGARIS, Cuv. Nom vulgaire - Tença. Quatre individus du fleuve Alcôa, à Nazareth. Deux des Albufeiras, d^Elvas. 6 — Leucisgus ALBURNOiDES, Steind. (^) 7 — Leuciscus MACROLEPiDOTUS, Steind. Nom \u\gdiire— liuivaca, Bogardo. Huit individus de Melgaço. Trois de la rivière de Torres, Monsao. Cinq du fleuve Lapella, Monsâo. Dix du fleuve Minho, Valença. Huit des rigoles de Valença. Quatre du fieuve Minho, Vianna. Huit du Coura, Caminha. Quatre du Cavado, Braga. Quatre de THomem, Braga. Trois de Ponte da Barca. Trois de 1' Ancora. Trois du Vez, Ai cos de Vai do Vez. Six du Criz, Castellões. Deux du Mondego, Coimbra. Quatre du ruisseau Salgueiro, Condeixa. Trois de la riviòi"e d'Eiras. Un du Guadiana, Elvas. Deux du Guadiana, Mertola. Trois de TAlcôa, Nazareth. Trois de TArdilla, Moura. Deux de la rivière d'Ansos, Pombal. Deux du Liz, Leiria. Deux d'un ruisseau du Pinhal Nacional de Leiria. Deux d'une rivière d'Espinho. (1) Vide Note B. 64 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES 8 — Squâlius cephalus. Siebold. Nom vulgaire — Esctt/o. Bordalo. Trois de la rivière Trancoso, Melgaço. Un du fleuve Minho, Melgaço. Trois de la rivière Lapella, Monsão. Deux des Caldas de MonsSo. Quatre de la rivière Torres, Monsão. Un du íleuve Minho, Valença. Cinq du Coura, Caminha. Un du Minho, Caminha. Quatre du Lima, Vianna. Deux du Perre, voisin de Vianna. Trois du Vez, Arcos de Vai do Vez. Un d'une rivière d'Arco de Baulhe. Deux de Ponte da Barca. Deux de THomem, Braga. Trois du Cavado, Braga. Quatre du Criz, Castellões. Deux d'une rivière de Santa Comba, Cannas de Sa- bugosa. Un de TAntua, Estarreja. Un de TAlva. Deux de TArdilla, Moura. Un de TAlcôa, Nazareth. 9 — Chondrostoma sp.? (^) Nom vulgaire — Boga. Deux de la rivière de Trancoso, Melgaço. Un du fleuve Minho. Melgaço. Un du Lapella, MonsSo. Deux de la rivière de Torres, MonsSo. Deux de TAncora. Un de Ponte da Barca. Deux du Perre, Vianna. Un du Vez, Arcos de Vai do Vez. (1) Vide Note C. DR. L. vieira: POISSONS DU PORTUGAL 65 Deux de Villa da Feira. Deux de THomem, Braga. Deux du Cavado. Deux de TAntuã, Estarreja. Trois du Guadiana, Elvas. 10 — CoBiTis TAENIA, Linn. Nom vulgaire — Vcrdeman. Trois d'une riviòre de Serpa, off. par Mr. A. MoUer. 11 — Trutta FARio, Siebold (*) Nom vulgaire — Truta. Un du fleuve d'Estarreja. Un de TAlvares, Lousa. Deux du Cabanas, Vianna. Deux de Villa da Feira. Deux de Cabeceiras de Basto. Deux de S. João do Monte, Caranaulo. Un du Vez, Arcos de Vai do Vez. Deux du Minho, MonsQo. Un d'un affluent de TAlva. Un du Cavado. Un du Minho. Melgaço. Deux de TAneora, Caminha. Deux du S. Fancisco, Melgaço. Un du Perre, Vianna. 12 — Alosa vulgaris, Cuv. & Vai. (') Nom vulgaire — Sfti'eí (adulte), Savêlha, Sa- valèla, Saboga (jeunes?) Deux du fleuve Guadiana, Elvas. 13 — Anguilla vulgaris, Ch. Bp. Nom vulgaire— Enguia, Eiró. Un du fleuve Mondego, Coimbra. (1) Vide Note D. (2) Vide Note E. 66 ANNÀES DE SCIENCIAS NATURAES Un des rigoles de Pereira (variété lalirostris). 14 — Petromizon marinus, Linn. Nom vulgaire — Lampreia. Un du fieuve Mondego, à Coimbra. 15 — Petromizon fluviatilis, Linn. Nom vulgaire — Lampreia da agoa doce. Trois individus provenants de Marinha Grande. 16 — Flesus vulgar:S, Moreau. Nom vulgaire — >ò//ia. Un du fleuve Mondego, Coimbra. Un du Lapella, MonsSo. 17 — MuGiL CAPITO, Cuv. 6c Vai. (^) Nom vulgaire — Tainha. Deux individus du íleuve Mondego, à Coimbra. 18 — Accii'ENSEK STURio, Linn. Nom vulgaire — Solho, l*cixc-l{ci. Un du fieuve Guadiana, Mertola. Mr. José da Silva e Castro a dit Tavoir rencontré, à Tétat d'adulte, dans le fleuve Douro, prés du RumecSo. 19 — Salmo salar, Linn. Nom vulgaire— 5a/?Mào. Un exemplaire du fleuve Minho, à Valença. (1) Vide Note F. AVES DE PORTUGAL (Continuado de pag. 30) Order PASSERES Família TURDID^ G. TURDUS 1 — TuRDUs visGivoRUS, Linneu Nomes vulgares — Tordeia, Porto ; Tordeira, Tordo- veia, Coimbra. Abundante em todas as épocas no norte de Portugal, onde cria. Encontra-se também no extremo sul, na Serra de Monchique, e eu observci-o já em Abrantes. Informou- me ainda o dr. José Maria Rosa de Carvalho, que é com- mum nos arredores de Coimbra e da Beira, d'onde já lambem recebi ovos. Em Portugal tenho encontrado ge- ralmente três ovos nos ninhos d'esta espécie. Em 1878 observei que uma d'estas aves começou a cantar muito cedo, a 3 de dezembro. Tenho ouvido cantar esta espécie em Entre-Quintas (Porto). 2 — TuRDUS Musicus, Linneu Nomes vulgares — Tordo, Porto e todo o paiz, Tordo branco, Coimbra. Esta ave chega a Portugal em princípios de outubro, hiberna aqui e algumas vezes demora-se até muito tarde, Ann. de Sc. Nat., v. I., Abril, 1894. 68 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES fins de março ou princípios de abril, sendo especialmente abundante em novembro por occasiao da sua passagem para o sul. Gomo chega a Portugal depois de feitas as vindimas nao causa aqui os estragos que lhe attribuem em França. E' muito apaixonada por azeitonas e provavelmente ajuda a dispersar as sementes das pequenas fructas de caroço. Geralmente esta ave viaja só, ou em pequenos ban- dos. Nao consta que crie em Portugal. Durante o verão tenho-a procurado na Serra do Gerez, logar onde mais provavelmente se demoraria mas nao consegui ainda en- contrai- a. 3 — TuRDUs ILIACUS, Linneu Nomes vulgares— íTorí/o. Porto; Tordo ruivo, Coim- bra ; Tordo pisco, Penafiel. Chega um pouco mais tarde que o T. mimem e é quasi tao abundante como elle; desapparece em janeiro e fevereiro. 4 — TuRDUs piLARis, Linneu Nomes vulgares — Tordcia, Porto; Tordo tornai, Coimbra. Gommum principalmente durante os invernos rigo- rosos; chega mais tarde que o /'. mmicua e o T. iliacus. 5 — TuRDUs MERULA, Liuneu Nomes vu\gares — Melro ; Merala, Algarve; Merlo, Galliza. Muito abundante em todo o paiz, onde vive todo o anno. Em principio de fevereiro faz um ruido idêntico ao produzido pelo choque de dois seixos um contra o outro e pouco tempo depois começa a cantar, continuando até ao fim de julho. w. c. tait: aves de Portugal 69 Supponho que os Melros do extremo sul de Portugal teem um canto mais agudo que os do norte. Esta ave não recomeça a cantar no outomno como succede com mui- tas outras espécies. As variedades albina e malhada teem sido também aqui encontradas n'esta espécie. 6 — TuRDus TORQUATUs, Linneu Nome vulgar — Melro de papo branco. Tenho visto alguns exemplares recolhidos em Portu- gal, mas sem indicação da época em que foram apanha- dos. É provável que cheguem do norte em outubro. Tem sido observada nos arredores de Penafiel, e em M de mar- ço de 1886 meu irmão Alfredo Tait observou uma d'estas aves perto de Pinheiro, nos arredores de Braga. G. MONTICOLA 7 — MoNTicoLA SAXATiLis, Liuneu Nomes vulgares — \lacaco, Melres; Melro das rochas, Coimbra. Commum nos penhascos da Abitureira perto de Mel- res, Pinhão, e outras localidades de penedias escarpadas das margens do rio Douro, onde nidifica. Dos dois exem- plares do Museu de Coimbra um foi caçado em maio e o outro em julho, sendo um proveniente da serra do Zorro. É ave emigradora; canta poisada nos rochedos ou du- rante o vôo, ao atravessar de uns penedos para outros, agitando muito as azas, como é costume nos aves que cantam voando. Tem o canto agradável e melodioso. 8 — MoNTicoLA GYANUS, Linueu Nomes vulgares — Merifela, Pinhão; Melro fragoeiro. Douro ; Melro lapeiro, Caldas de Aregos ; Melro azul, Coimbra; Solilario, Alemtejo e Algarve. 70 ANNAES Dii SCIENCIAS NATURAES Gommum nas margens escarpadas do rio Douro aci- ma de Melres. Vi um exemplar recolhido em Villa Real, e encontrou-se outro em Coimbra onde, segundo o dr. José Maria Rosa de Carvalho, nao é muito vulgar. Em abril de I88Í- observei dois exemplares d'esta es- pécie nas margens do rio Guadiana. Encontra-se também nas margens do Tejo, perto de Abrantes (Ribatejo). É considerado alli como mau agouro, quando esta ave canta sobre o telhado de qualquer casa, e, principalmente, se ahi houver algum doente, porque, segundo a crença popular, significa a morte d'essa pessoa. Suppõese que a origem d'esta superstição vem do canto que parece dizer: avia-lc, avia-íc. É sedentário. Família CINCLID^ G. CINCLUS 9 — GiNCLUs AQUATicus, Bechst Nomes vulgares — Uelro peixeiro, Uelro do rio, Rio Minho. Pa.^saro fou-cou. Caldas do Gerez. É commum e habita as margens montanhosas dos rios e ribeiros, especialmente no norte de Portugal. Apparece em alguns dos aífluentes do Mondego as- sim como n'este rio, ao nascente de Coimbra. Os filhos seguem os pães por algum tempo ; é curioso observar os pães saltando das pedras á agoa e mergulhando para reap- parecerem rapidamente com um insecto que dão aos filhos., G. SAXICOLA 10 — Saxicola ^nanthe, Linneu Nomes vulgares — Tanjarro, Peniche; Caiadas, lia- bo-hranco , Coimbra e Estremadura. Tenho encontrado esta espécie desde maio até 17 de outubro nos rochedos dás praias, taes como : Lavadores w. c. tait: aves de portugal 71 (margem sul da barra do Douro), Peniche, etc. ; assim como nas serras e logares pedregosos e despovoados. É rara nos arredores de Coimbra e emigra para o sul no inverno. li — Saxicola albigollis, Vieill. Nomes vu]gn.res — Tanj-nmo, Algarve; Coelva, Abran- tes. Parece-me que esta espécie não apparece no norte de Portugal e que em todo o caso nSo se encontra senSo excepcionalmente nos arredores de Coimbra e Porto. Existem no Museu de Lisboa exemplares provenientes de Penamacor e Barranhos ; no Algarve vi e obtive al- guns exemplares, notando que ahi preferem as planicies, encontrando-se muitas vezes pousadas nas figueiras. É uma bella ave de eôres vivas cujo canto é breve mas agradável. Já também a observei em Abrantes. Emi- gra para o sul no inverno, 12 — Saxicola rufa, C. L. Brehm Nomes vulgares — Caiada, Qucijeira, Tanjarra, Coim- bra; Tanjarro, Traz-os-Montes e Peniche; Tatijc-asno, Alemtejo; Cliasco-branco, Melres. Mais commum no sul e montes elevados do que no norte de Portugal. Emigra no inverno. 13 — Saxicola leugura, Gm. Nomes vulgares — Habo-branco, Pinhão (Alto Douro); Chasco de leque, Coimbra. É vulgar nas margens fragosas do Douro, como os penhascos da Abitureira, Bateiras, etc. Encontra-se ás vezes pousado no travejamento do tecto dos lagares emquanto as uvas estSo pisadas e o vi- nho em fermentação. 72 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES Foi morto um exemplar d'esta espécie na serra do Zorro, suppondo-se até então que nao apparecia nos arre- dores de Coimbra. Tenho-o visto unicamente nas margens do Douro. O seu canto é alegre e agradável. O nome local de ave de leque provém do costume de abrir as pennas da cauda em forma de leque. É a única espécie do género Saxicola que se encontra em Portugal todo o anno. G. PRATINCOLA 14— Pratingola rubetra, Linn. Nomes vulgares — Charco, Tange- asno, Coimbra. Encontra-se nos arredores do Porto desde a segunda semana de setembro até ao fim de outubro, sendo vulgar n'esta epocha de emigração. Foi a 9 de setembro de 1883 a occasiao em que mais cedo vi esta ave, e a 19 de outubro de 1879 aquella em que a observei mais tarde. A emigração prolonga-se cerca de um mez. Gosta muito de pousar na extremidade das cannas seccas do milho. O nome vulgar em Coimbra, Tange-asno, provém da semelhança do seu canto com a linguagem dos rapazes que acompanham os jumentos quando querem fazel-os caminhar de pres>a. Dão também este nome a outras Saxicolas de canto semel!:ante e ao Lanius rufus. 15 — Pratingola rubicola, Nomes vulgares — Chas-chas, Redondela, Gallisa, Hesponha. Chasco, norte de Portugal; Cartaxo, no sul. As pessoas illustradas pronunciam o C brando em Chasco emquanto que o C duro como pronuncia o povo é provavelmente archaico. É curioso notar a differença dos dois nomes vulga- W. C. TAIT : AVES DE PORTUGAL 73 res tão distinctos. O primeiro é evidentemente onomato- })aico ; quanto ao segundo, ou do sul, Carluxo, nSo conse- gui ainda descobrir-lhe a origem; vejo porém que o limi- te septemtrional do nome (Angeja, perto de Aveiro) coin- cide curiosamente um pouco mais ou menos com o nome que no sul dao á Moladlla alva, Lavandisca, a que em Angeja chamam Arvella do latim arvum. Caldas de Aregos foi o ponto mais septentrional onde encontrei esta ave designada algumas vezes pelo nome vulgar de Cartaxo. Esta espécie é muito vulgar em todo o paiz, pousando habitualmente nos fios telegraphicos, pontas mais altas do matto ou no cimo dos muros, ou emfim em qualquer elevação. Os casaes são inseparáveis e esta Saxicola é uma das que primeiro nidifica : é mansa e nada medrosa. No povo existe a superstição de que o Chasco é pe- çonhento e excommungado porque, dizem, foi elle que guiou Judas ao logar onde estava Christo. Na Galliza diz a gente do povo que emquanto o Chas- co cantava (em dialecto Gallego) Chás, chás por aqui bem bas, o Tentilhão cantava, Pim, pim, por aqui bem vim, guiando-o em direcção contraria e resultando d'esta crença ser o Pim-pim, mais estimado ou tido em melhor conta. G. RUTICILLA 15— RUTÍGILLA PHCENICURUS, LinU, Nome vulgar — llaheía, Coimbra. O museu da Universidade possue alguns exemplares e, segundo informações do dr. Carvalho, esta ave costu- ma apparecer nos arredores de Coimbra em setembro, emigrando em outubro. É mais rara n'uns annos do que n'outros. 74 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES 17 — RUTIGILLA TITYS, Scop. Nomes vulgares — Pisco ferreiro, Porlo ; [n/á, Mel- res; Habo-ruioo, Penafiel e Peniche; !\egronc, ISoile 7ie- gra. Vigo; Ferreiro, Coinabra. Esta ave apparece geralmente onde houver pedras escarpadas, e também nas cidades, construindo o ninho nos buracos dos muros ou na beira dos telhados. Muitas vezes lhe tenho ouvido o breve mas alegre canto ao passar nas ruas do Porto. Em setembro muda de pennas e começa de novo a cantar até fins de dezembro. Encontrei-a já em dois dos pontos mais occidentaes da Europa : ilhas Berlengas e ilhas de Cies, á entrada da bahia de Vigo. G. CYANECULA 18 — Cyanecula wolfi. C. L. Brehm. Em agosto, setembro e outubro, epocha da sua emi- gração, apparece em abundância nas várzeas húmidas e ás vezes também nos jardins. A data em que mais cedo a vi foi 10 de agosto e a mais tardia 17 de outubro, de uma e outra vez nas pro- ximidades de Leça da Palmeira, (Porto). Nunca vi esta ave durante a emigração da primave- ra apezar de, por varias vezes, a ter procurado nos luga- res onde no outomno ella costuma apparecer. (Conlinúa.) W. C. Tait. OiserTações solire o systeiDEi imm e affliiMaíes zoolop fle alpiis jBlinoDados terreslres POR AUGUSTO NOBRE (Continuado de pag. 20) Os nervos m e m' (fig. 1) dirigem-se para a parte anterior do bolbo, innervando as faces lateraes da cabe- ça e os lábios. Além d'estes nervos observam-se ainda mais outros dois pares, os faciaes (e, f, e e', f ; fig. 1 ; / e 2, fig. 3) que se distribuem pela pelle, junto dos tentaculos ocula- res. Perto d'estes ainda se encontra um outro mais curto e fino não representado no desenho, que penetra na ca- mada muscular do bolbo, pouco além da sua origem nos ganglios cerebraes. Este nervo parte de entre os faciaes e e /". A todos os nervos a que acabo de referir-me appli- carei os nomes com os quaes sSo geralmente designados: q e h são os tentaculares ou ópticos ; i labial interno e m labial externo. Na parte mais anterior dos ganglios cerebraes obser- vam-se dois nervos {il e (/', fig. 1) que vSo ligar-se aos ganglios stomato-gastricos e que partem da face inferior da massa nervosa, dos pontos b e b', (fig. 2). Os nervos auditivos, difficeis de encontrar pela sua Ann. de Sc. Nat., v. I., Ahril 1894. 76 ANNAES DE SGIENGIAS NATURAES extrema finura, nascem da parte inferior da massa cere- bral, correndo quasi juntos aos connectivos que ligam os gangiios cerebraes aos ganglios viscero-pediosos e vindo terminar nos octocystos (g. 5 fig. 1) Ganglios viscero-pediosos. — Da região posterior do cé- rebro partem os dois connectivos n e n', fig. 1), bastante grossos, e que vêem unir-se aos ganglios inferiores, com- postos de duas porções, a superior constituindo os gan- glios pediosos e a inferior os visceraes. Entre estas duas porções fica um orifício por onde passa a aorta cephalica (a', fig. 3 ; a, fig. A). Do lado direito do animal e corren- do parallelo ao connectivo correspondente, vê-se o nervo genital {n fig. 1 ; h. fig. 3 ; ng. fig. 4) que, partindo do cérebro, parece também ligado aos ganglios pediosos, as- similhando-se a um connectivo. Ha aqui já uma sensivel differença entre o systema nervoso dos Arions e dos Helix a que adeante me referirei com mais detalhes. Os dois nervos pediosos collocados um ao lado do outro apresentam-se algumas vezes regularmente ovaes e distinctos. Do ganglio g 2, esquerdo, nascem da parte superior dois nervos palliaes (.s' e l', fig. 1) que passam por entre a pharynge, base do bolbo e o musculo retractor do ten- taculo ocular. O nervo .s' .s', tripartindo-se pouco além da sua origem, vae innervar a camará pulmonar do lado es- querdo do animal. O nervo t' innerva também a parede da camará pulmonar; um dos ramos d'este vae perder- se na pelle muito próxima do coração. Da outra extremi- dade d'este mesmo ganglio nascem três nervos /. 2 e 3, fig. 1 ; c, d, e, figs. 3 e 4), os dois lateraes mais supe- riormente que o central. O interno (/, fig. 1, c, figs. 3 e 4) vae inserir-se na base do musculo retractor da pharynge, seguindo por entre este musculo e um ramo da artéria que vae distribuir-se pela pelle. O central (2, fig. 1 ; d, figs. A e 4) vae innervar a regiiSo late- ral do manto um pouco abaixo da inserção dos orgaos genitaes. O outro, o externo {3, fig. 1; e figs. 3 e 4), cru- AUG. nobre: obs. sobre o syst. nervoso 77 sa com os outros dois nervos (fig. 4), passando superior- mente a um e inferiormente a outro, seguindo a aorta : no ponto em que ella se encontra com os orgSos geni- taes o nervo divide-se em dois ramos, um dirige-se para o lado direito pelo oviducto, e o outro, caminhando um pouco junto a uma das ramificações da aorta que banha os orgaos genitaes, dirige-se para o canal secre- tor da glândula hermaphrodita caminhando a par d'elle até á vesicula do mesmo nome. Do outro ganglio da direita {m, íig. 4), nascem dois nervos (r, g, fig. 1 ; a, b. fig. 3) que se dirigem vertical- mente e do lado do orificio pulmonar, vindo terminar junto d'este na parte anterior. A sua observação na po- sição natural só é possível quando se levanta primeira- mente o manto. Algumas vezes os dois nervos chegam á parte supe- rior unidos em toda a sua extensSo. Da parte inferior d'estes ganglios, isto é, dos gan- glios visceraes, nascem para o lado direito alguns nervos (o', r', u', x', z',) que se distribuem pela parte inferior da camará pulmonar na sua juncçao com a parede pallial, passando por entre a pharynge — base do bolbo— e o mus- culo rectractor do tentaculo ocular. O ultimo nervo, x', dá origem a um ramo que vae inserir-se na base do musculo retractor do tentaculo ocular e a dois outros que se distribuem pela parede da camará pallial. O nervo {z',) insere-se no pé. Os dois nervos m' e r' originam- se de um só, que se divide pouco depois do ponto em que nasce. Os principaes sSo os que correm ao longo do pé Cg, p ; fig. 1) : estes sao consti- tuídos por feixes de filetes nervosos, quatro ou cinco, e parece soldarem-se com a edade, porque, em vários exem- plares novos, encontrei algumas vezes mais um nervo desligando-se quasi na base e inserindo-se no pé, apre- sentando também a meia distancia do seu comprimento total um nervo fino que o liga ao feixe principal. Exa- minados sob um pequeno augmento, observa-se facilmen- 78 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES te que elles sao constituídos por nervos finos unidos em toda a sua extensão. O nervo g, do lado esquerdo, apresenta quasi a meio do seu comprimento um braço que, partindo do lado di- reito e passando sob o ramo principal, vem terminar no pé, á esquerda, dando origem a um ramo que atravessa novamente para o lado opposto indo perder-se também no pé. Estes nervos são livres quasi até á extremidade caudal do animal, emittindo apenas alguns filetes nervo- sos para ambos os lados e de espaço a espaço. O outro nervo do lado direito não apresenta aquelle ramo inte- ressante a que me referi, seguindo em todo o seu per- curso como a parte terminal do outro nervo. Ganglios slomalo-gasiricos. — São dois, bastante pe- quenos e regularmente ovóides, situados d'um e d'outro lado do esophago {a, a' fig. 1 ; st. fig. 3). O connectivo que os liga atravessa inferiormente ao esophago. D'estes ganglios nascem diversos nervos. Os dois que se dirigem para a parte superior penetram no tecido muscular de um 6 de outro lado do canal salivar. O nervo /) (fig. 1) atravessa a camada muscular, dirigindo-se para a parte anterior. Para o lado posterior dirigem-se os nervos que ligam os ganglios stomato-gastricos aos ganglios cere- braes, os que seguem o canal salivar e os que innervam a superfície posterior do bolbo. (Conlinúa). Ser les iBocors do Yúrn^m mariíias, Lina., et t Petroaipoi] fittíiatilis, Lídd. PAR ^ LE DR. LOPES VIEIRA Je ne cherche pas, dans celte breve notice, à décrire ni Tune ni Tautre de ces deux espèces; car je ne prétends opposer aucun doute soit à la description soit à la dis- tinction que Ton en trouve faite par les plus modernes icthyologistes. Je veux seulement compléter ce qu'on trouve écrit sur rhabitat et les moeurs de ces espèces. c|ui etant in- sufisant ou peu certain, peut laisser des doutes aux per- sonnes peu exercées et méme les induire en erreur. Parmi les ouvrages étranjers je me rapporte particu- lièrement à VHisloire nalurelle des pousom de France par le Dr. E. Moreau, Paris 1881, qui etant bien autorisée et assez moderne doit représenter un ,état de connaissances plus complet et un ensemble d'observation plus consi- dérable. En outre, elle se rapporte à ricthyologie d'un pays qui se rapproche assez du mien. Parmi les nationaux je puis seulement me rapporter à Touvrage de Mr. Baldaque da Silva sur le Eslado aclual das pescas em Portugal, Lisboa iSOi , qui est la seule pu- blication portugaise que je connaisse qui s'occupe des Anil, de Sc. Nat., v. I., Abril 18'Jl. 80 ANNAi:S DI-: scihncias naturaes moeurs du Pelromyzon marinm. Linn., ou lamproie de mer, et qui parle du l'eíromyzon jlumalilu. Limi., ou lam- proie d'eau douce. À propôs da Vclromyzon marinu^t, Linn , Mr. le Dr. Moreau, dans Touvrage ciLé, dit «Au printemps la lam- proie marine s'engage dans les fleuves qu'elle remonte parfois à une grande distance de leur embouchure». 11 n'ajoute rien sur Tépoque de fécondation de ces poissons, ni sur la couvée ou le destin de la prole. Mr. Baldaque da Silva, se rapportant seulement au Portugal, écrit que la lamproie marine quitte la mer à la fin de décembre, s'engage dans les fleuves qu'elle re- monte à une grande distance ; s'y réproduit sur les lits sablonneux, pendant les móis de mars et d'avril; que la couvée reste enfouie dans le sable et s'échappe vers la mer ausssitôt que Teau commence à s'échauffer. Ce qui dit Mr, le Dr. Moreau en France ne peut pas se rapporter au Portugal. La lamproie marine s'engage dans les fleuves du Portugal avant le printemps, mais bien à la fin de décembre et au commencement de jan- vier, comme Técrit Mr. Baldaque da Silva. Les jeunes lamproies restent enfouies dans le sable; et selon Tavis de Mr. Baldaque da Silva elles s'en vont vers la mer aussitot que Teau commence a s'echauff"er. J'ai à ajouter~que beaucoup de jeunes lamproies, si ce n'est toutes les jeunes, restent enfouies dans le sable, d'une année à Tautre; car on vient de les y trouver aux premiers jours de mars et on a obtenu trente individus, qui se trouvent à présent dans un petit aquarium du Mu- sée de d'Université de Coimbra. L'observation de ces petites lamproies marines, ainsi que celle de leur maniòre de vivre dans Taquarium, auto- risent sufisamment les assertions que je viens de faire. Ces trente individus présentent une longueur varia- ble seulement entre douze et seize centimètres; et ils ont été pêchés au bord du lit du fleuve Mondego, à Coimbra, en un seul jour. DR. L. VIEIRA : PETROMYZON MARINUS 81 L'abondance de jeunes líimproies marines, trouvées dans une petite extension du fleuve Mondego, et son de- gré de développement m'ont fait voir dès lors que ces petits poissons étaient le produit de la couvée de l'année dernière. En effet, si la lamproie marine rentre dans les fleu- ves à la fin de décembre ou au commencement de jan- vier, pour s'y reproduire, on ne pouirait croire que Ton rencontrât des poissons de la nouvelle couvée à un tel de- gré de développement, aux premiers jours de mars. S'il en est ainsi, on devrait supposer ou que de teis petits poissons sont restes dans !e fleuve depuis la cou- vée de Tannée dernière ; ou alors, que ce n'est pas seu- lement k lamproie marine adulte qui vient de la mer, mais aussi les jeunes ou petites lamproies. Mais pour que je puisse admettre que ce soit la couvée de Tannée dernière qui soit restée dans le fleuve, j'aurais de la difficulté à comprendre comment elle pour- rait avoir échappée à la force du courant des eaux pen- dant rhiver; et en outre les pécheurs praticiens disent que c'e>t pendant Tété que Wm volt les petites lamproies descendre le fleuve vers la mer. D'un autre côlé, en sup|)osnnt que les [jctits poissons soient vénus de la mer, en mème temps (\ue les adultes, la croyance générale que la lamproie marine cherche les fleuves et s'y engage seulement pour s'y reproduire, s'y opposerait, ainsi que la circonstance que personne n'a jamais vu ici que les petites lamproies remontaient le fleuve comme les adultes, et comme on le volt faire aux petites anguilles pendant quelques jours de Tété. Cest Tobservation de la manière de vivre des petites lamproies marines dans Taquarium du Musée de Coim- bra qui a éclairci tous mes doutes et qui a établi ma conviction. Je me crois donc autorisé à penser que — les lam- proies marines qui sont nées une année, restent enfouies dans le sable, probablement dans les seuls endroits du 82 ANXAES D1-: SC11',NCIAS NATURAHS lit du íieuve oíi reoii esl calme ou peu courante, et elles passent ainsi tout rhiver jusqu'à Tannée suivante, pour s'en aller seulement vers la met' à Tété nouveaii. Voilà ce qu'oii peut observer dans raquarium du Musée de rUniversité de Coimbra. On n'y apercoit pas les petites lamproies marines pendant toul le jour, du matin au soir, parce qu'elles restent toutes enfouies dans le sable du fond de Taquarium. Le matin on peut voir, à la surface du sable, des pelits trous, d'une circonférence égale à celle des jeunes lamproies marines qui se trou- vent là ; et dans Tun ou Tautre de ces trous on voit quel- quefois la téte d'une lamproie. Pendant la journée, Tagitation provoquée dans Teau de Taquaiium efface tous les trous ; mais au jour suivant, de nouveaux trous existent. On verra que mon assertion peut être bien comprise et asstez justifiée si Ton accepte que les petites lamproies marines se comportent dans le fleuve comme dans Taqua- rium. Cest ce que je crois. Pour ce qui touche à la lamproie d'eau douce ou Pe- Iromyzon jlivnnlilu, lAiin., le Musée de TUniversité de Coimbra possède à présent deux individus conserves dans Talcool el un autre encore vivant dans un petit aquarium. Ces individus ont à peu i)rès douze centimètres de lon- gueur, et ils proviennent d'un ruisseau des envlrons de Marinha Grande. Cette petite espèce, qu'on dit ne pouvoir atteindre plus de 20 à 30 centimètres de longueur, n'est pas con- nue des pècheurs du íieuve Mondego à Coimbra. Cepen- dant il ne me semble pas jírobable qu'ils Taient confon- due avec sa congénere la lamproie marine; puisque je vois qu'elles sont assez distinctes par leur ensemble ainsi V^( DR. L. vieira: PETROMYZON MARINUS 83 que par la forme et la disjDOsition de la nageoire dorsale, comme Ton peut voir par les figures de- la planche IV, La lamproie d'eau douce qui vit dans Taquarium du Musée de Coimbra s'y trouve en parfaite camaraderie avec deux Pleurodelcs Walllii, Micli., aux quels elles va se fixer parfois avec sa bouche. Elle ne cherche jamais à s'enfouir dans le sable du fond d'un des coins de Taquarium ; tout au plus elle se cache quelquefois sous un bloc en pierre qui est au mi- lieu de Faquarium, Voila une diffèrence bien saisissable des moeurs des deux espèces de lamproies, qu'il me semble intéressant d'enregistrer ici. Coimbra, le H mars 1894. Esíoço d'™ Calenflario fla Flora dos arredores do Porto POR EDWIN J. JOHNSTON (Continuado de pag. 16) ABRIL RANUNCULUS BUPLEUROIDES, Brot. Hab.—Nas serras de Vallongo e Santa Justa, em terras um pouco húmidas. RANUNCULUS REPOENS, L. Hab. — S. Gens, Leça do Balio, Mattozinhos e em muitas outras localidades, nas margens dos ribeiros e em prados húmidos. RANUNCULUS OPHIOGLOSSIFOLIUS, Vill. Hab. — Valladares, Boa Nova e Perafita, em agoas estagnadas e terras lamacentas. RANUNCULUS TRILOBUS, Desf. Hab. — Ramada Alta, S. Gens e Leça da Palmeira, em campos húmidos e nas valias nas margens das es- tradas. Ann. de Sc. Nat. v. I., Abril 1894. johnston: flora dos arredores do porto 85 RANUNCULUS FLAMMULA, L. Hab. — S. Gens, Mattozinhos, Guarda, ao norte de Boa Nova, Aliena, Valladares e Granja, nas margens dos ribeiros, agoas estagnadas, e terras húmidas. RANUNCULUS FLABELLATUS, Desf., var. grega- Rius, D. G. {li. Gregarius, Brot.) /fa6.— Margens do rio Ferreira, próximo de Ponte Ferreira, nos atalhos ao norte de S. Cosme e na planicie entre Alfena e Vallongo. AOUILEGIA DIGHROA, Freyn, Hab.— Fonte da Moura, S. Gens, Leça do Balio, Al- fena e Valladares, nas sebes e nos atalhos. CAPSELLA BURSA-PASTORIS, Moengh. (Bolsa do Paslor) Hab. — Margens das estradas, jardins e terras culti- vadas. Vulgar. LEPIDIUM HETEROPHYLLUM, Benth., var canes- cens. Gr. Godr. Hab. — Boa Nova, nos arrelvados das proximidades da praia. MALCOMIA LITTOREA, R. Br. f/aò.— Nas areias do littoral, de ambos os lados do Douro. RESEDA INTERMÉDIA, Lag. líab. — heçà do Balio, Custoias e Rio Tinto, (estrada de Vallongo), nos muros e rochedos húmidos. ASTROCARPUS CLUSII, J. Gay. Hab. — S. Gens, Guifões (margens do rio Leça), Pe- rafita e Rio Tinto, próximo da estrada de Vallongo, em terras seccas e rochedos graníticos. 86 ANNAES DE SGIENGIAS NATURAES CISTUS SALVLEFOLIUS, L. Ílab.—S. Gens, Mattozinhos, Leça, Perafita, Santa Cruz do Bispo, Serra de Vallongo e Valladares, nas mal- tas. CISTUS HIRSUTUS, L. Hab. — Abundante nas mattas e nos pinhaes e tojaes, tanto ao norte como ao sul do Douro. TUBERARIA VAR[ABIL1S, var vulgaris, Wk. Hab. — S. Gens, Custoias, Leça do Balio, Mattozi- nhos e outras localidades, nas mattas, em terras seccas ou arrelvadas e nos atalhos. VIOLA LANCIFOLIA, Thore. Hab. — Fonte da Moura, Foz, Lavadores e Serras de Vallongo e Santa Justa, nas mattas e nos tojaes. SILENE NUTANS, L. Hab.— Enive S. Gens e a estrada de Leça, Guifões, margens do rio Leça, Serra de Vallongo, margens do rio Ferreira (ao sul da Ponte Ferreira), e proximidades de Avintes, em terras seccas ou nas fendas dos roche- dos. EUDIANTHE LAETA, Rchb. Hab.—S. Gens, Mattozinhos, Leça da Palmeira, Guar- da, Rio Tinto, nas margens dos ribeiros e em terras pan- tanosas e campos húmidos. ARENARIA montana, l. Hab. — S. Gens, atalhos entre S. Gens e a estrada de Leça, Leça do Balio, Custoias, Santa Cruz do Bispo, Perafita, Rio Tinto, S. Cosme, proximidades da estrada de Vallongo, margens do rio F''erreira (ao sul da Ponte Ferreira) e Aliena, nas sebes, nos muros e nas fendas dos rochedos. JOIINSTON : FLORA DOS ARREDORES DO PORTO 87 HONKENYA PEPLOIDES, Ehrh. Hab. — Abundante nas areias do littoral, ao norte e ao sul do Douro. GERANIUM LUCIDUM, L. //a/K— Campanha (Freixo) Sampaio, e ao nascente de Fonte da Vinha, em muros húmidos. MEDICAGO MARINA, L. Hab.— Nas areias do Httoral, em Leça, Mattozinhos, ao sul de Lavadores, e Granja. LOTUS CORNIGULATUS, L. Hab.—S. Gens, Mattozinhos, Serra de Vallongo e outras localidades, nos montes, nas mattas e nas mar- gens das estradas. GENISTA ANGLICA, L. Hab.—S. Gens, Mattozinhos, Guifões, Leça de Pal- meira, Guarda, Perafita e ao sul de Lavadores, nas mar- gens dos ribeiros e em terras húmidas e lamacentas. GENISTA TRIACANTHOS, Brot. /Aa/).— Mattas, pinhaes, tojaes e montes. Abundante em muitos locaes, ao norte e ao sul do Douro. ORNÍTHOPUS SATIVUS, Brot. [Serradelld) Hab.—S. Gens e outros lugares. Cultivada nos cam- pos. CYTISUS ALBUS, Lk. llab. — Custoias, proximidades de Santa Cruz do Bis- po, nos rochedos graníticos. VICIA SATIVA, L- Hab. — S. Gens, Mattozinhos e outras localidades, fias margens das estradas e nas searas. 88 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES VICIA HIRSUTA, Koch. Hab. — Mattozinhos e Santa Cruz do Bispo, nas sea- ras. CRATAEGUS MONOGYNA, Jacq. Hab. — Entre Fonte da Moura e Castello do Queijo, Alfena, Serra de Vallongo, margens do rio Ferreira, ao sul de Ponte Ferreira, e em Valladares. BRYONIA DIOICA, L. (ISorça branca) Hab.—S. Gens e Valladares, nas sebes. QENANTHE CROCATA, L. ((E. apiifolia, Brotero) Hab. — Leça de Balio, S. Cosme, Alfena e outras lo- calidades, nas margens dos rios e ribeiros. Quando cres- ce no leito d'um rio, a planta fica ás vezes completamen- te coberta pelas aguas. N'este caso, a corrente agitando as folhas da á planta um aspecto tão singular que parece uma alga de agoa doce ; só vendo-a com a haste e as fo- lhas fora da agua é que pôde ser reconhecida. HERACLEUM SPHONDYLIUM, L. (Canabra^) Hab. —Margens dos rios e ribeiros, em Leça do Ba- lio, Mattozinhos, Perafita, Valladares, Avintes e outras localidades. CONOPODIUM DENUDATUM, Koch. Hab.— Serras de Vallongo e Santa Justa. LONICERA PERICLYMENUM, L. (Madresiha) Hab. — S. Gens, Santa Cruz do Bispo, Leça da Pal- meira, Lavadores, Valladares, e Alfena; muros e sebes. CENTRANTHUS RUBER, D. C. Hab. — Nos muros; Porto: Virtudes, rua da Restau- ração, Entre Quintas, Massarellos; Villa Nova de Gaya, no cães próximo da rua da Igreja, e em Valladares. johnston: flora dos arredores do porto 89 CENTÁUREA SPH^ROCEPHALA, L. llab. — Nas areias de littoral, ao norte e ao sul do rio Douro. COTULA CORONOPIFOLIA, L. Hah. — Valias nas margens das estradas, margens dos rios e terras pantanosas, principalmente nas proxi- midades do mar, como na Foz, Leça de Palmeira, Lava- dores e ao poente de Valladares; margens lamacentas do Douro, em Villa Nova de Gaya, no Ouro e no Bicalho. AETIIIORRHIZA BULBOSA, Cass. //aí).— Nas areias do littoral, de ambos os lados do Douro. DORONICUM PLANTAGINEUM, L. Hab.—Nas margens do rio Douro, ao nascente de Fonte da Vinha. ARNICA MONTANA, L. (Arnica) llab. — S. Gens, Guifões, Boa Nova, Guarda, ao nor- te de Santa Cruz do Bispo, ao sul de Lavadores, ao poen- te de Valladares, Serra de Santa Justa, ao sul de Ponte Ferreira, e Alfena, nos lameiros e em terras húmidas. CHRYSANTHEMUM SEGETUM, L. (Pampilho das sea- ras) llab. — Nas searas, em S. Gens, Leça do Balio e Vallongo. GALACTITES TOMENTOSA, Moench. Hab.— Margens das estradas e terras cultivadas, em Massarellos, S. Gens, Boa Nova e Lavadores. VITTADINIA TRILOBA, D. C. Prodr. Hab. — Nos muros húmidos e assombrados em Villa Nova de Gaya, rua da Igreja e no cães em frente da Al- 90 ANNAÉS DE SCIENCIAS NATURAES fandega; Massarellos, cães e rua de Entre Quintas. Oriun- da da Nova Hollanda (Port Jackson) acclimada ha mui- tos annos nas localidades indicadas. JASIONE MONTANA, L. Hab. — S. Gens, Mattozinhos, Rio Tinto, e outras lo- calidades, em terras seccas, nas mattas e nos pinhaes. ERIGA UMBELLATA, L. Hab. — S. Gens, Mattozinhos, Leça da Palmeira, Pe- rafita, Alfena e Serras de ^^allongo e Santa Justa, nas mattas, nos montes e nos pinhaes. E' muito mais desen- volvida nos montes e nas serras do que n^is proximida- des do Porto. E' esta a urze que dá uma côr roxa ás serras ao nascente do Porto nos mezes de Abril e Maio. ANAGALLIS LINIFOLIA, L. Hab. — Nas areias do littorai, abundante de ambos os lados do Douro. ILEX AQUIFOLIUM, L. (Azecinhu) Hab. — Leça do Balio, Santa Cruz do Bispo, S. Cos- me, Alfena, nos bosques, nas proximidades de Avintes (margens do rio), margens do rio Douro, ao nascente de Fonte da Vinha e mais acima ao nascente de Cres- tuma. ANCHUSA SEMPERVÍRENS, L. //aò. — Santa Cruz do Bispo, nos atalhos, Vallongo, nos campos nas proximidades da igreja, e em Lanielias, na estrada de Santo Thyrso. MYOSOTIS VERSICOLOR, Pers. Hab. — Entre a Foz e Mattozinhos, em terras areen- tas e campos cultivados. (Continua). Sir la faaae malacoloÉiiB fles iles íe S. Tlioné et ie Maière PAR AUGUSTO NOBRE Aide naturaliste au Laboraloire de Zoologia de TAcademie Polvtechniqiic de Porto ILE DE S. THOME Depiiis que j'ai publié les Conlribuições para a fauna malacologica da ilha de S. T/wmê 0), j'ai été chargc de la révision des mollusques de cette ile, qui appartiennent au Museum de Zoologie de TUniversité de Coimbra, re- cueillis par Mr. Adolpho Frederico Moller en 1885, et dont j'avais déjà donné un aperça d'une partie de ces ré- coltes en 1886 O- J'ai pourtant à ajouter plusieures espè- ces á mes listes antérieures et, profltant de Toccasion, je m'occuperai aussi des espòces recueillies par M. Cas- tro, capitaine de génie et que je n'avais pas signalées en 1891 O. MOLLUSQUES MARINS Pusionella vulpina, Born. — (Castro). Psoudoliva, sopimtina., Rang. — (Castro). Colunibolla ruística, L. Var striata, Duelos. — (Moller, Castro). Columbolla cupido, Monterosato, mss. — (Moller, Castro). Cette espèce est plus petite que le C. rústica et de couleur cornée uniforme. M. le Marquis de Monterosato a eu Tobligeance de m'envoyer plusieurs exemplaires de cette espèce, recueillis sur les cotes de Barberie, qui sont (1) Ext. ãerinslituto, Coimbra, 1891. (2) Explor. SC. da ilha de S. Tliomé: Conchas terr. e mar. recolhi- das pelo sr. .idolpho Moller (in Boi. Soe. Geog. de Lisboa, 1886). (3) Conlr. para a fauna malacologica da ilha de S. Thomé. Ann. de Sc. Nal. v, 1., Abril 1884. 7 92 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES parfaitement conformes à ceux de S. Thomé, et qu'il con- sidere comme espòce distincte du C. rmlica. Xlicinulu nodulosa,, Adams. — (Castro). IDrillia. pyi-amiclata, Kiener. — (Castro). IMaríjrinolla olivsefonnis, Kiener. — (Castro). ]>Iitra l>ai*l:>nloIam|>us piisillus, Gmelin. — (Moller, Castro). Cfilaniys g'il:>l:>a, Linneu. — (Castro). Arca cniKiicla, Chemnitz. — (Moller, Castro). Arca piílcliella, Reeve. — (Moller, Castro), Pectunculus i^ubeiis, Lamk.?— (Moller, Castro). Cardium bullatuin, Lin. — (Castro). "Vemis lyra, Hanley. — (Castro). 3Iactra isilicula, Desh. — (.Moller, Castro). GCellina 31ariee, nov. sp. PI. V, fig. I, I.* Goquille aplatie, ovalaire-allongée, arrondie aux deux extremités, sommet au premier tiers de la longueur, peu saillant, valves un peu aplaties, bord central régulière- ment arrondi, bord dorsal long et droit du côté posté- rieur, court et arrondi du côté antérieur. Valves minces, blanches, avec des stries concentriques excessivement nombreuses et fines. Ligament petit; deux dents petites à la valve droite; une médiane tròs petite à la valve gaúche. Diamètre antéroposterieur 52 m. m. Diamètre umbonomarginal 30 m. m. Épaisseur 9 m. m. Hab. lie de S. Thomc (J. F. de Castro). Telliiia DaHtzonborgi, nov. sp. Pi. 5. fig. 2, 2.* AUG. nobre: SUR la FAUNE MALACOLOGIQUE 93 Coquille un peu bombée, allongée, arrondie à Textre- milé antérieure, étroite et avec le rostre obtus à la rógion postérieure, un peu rélevée; valves assez épaisses, Tinfé- rieure réguliòrement renfiée, la supérieure un peu sinueu- se; stries concentriques et radiales três fines, couleur carminée à rextérieur et plus teintée à rintérieur et au- tour des sommets, qui sont pàles ainsi que les zones me- dianes; bord ventral arrondi, bord dorsal anguleux, som- mets aigus presque medians. Ligament petit; deux dents à la valve droite, dont une bifide, une dent à la valve gaúche aussi bifide. Diamètre antéro postérieur 54 m. m. Diamètre umbono- marginal 29 m. m. Épaisseur 9 m, m. Je considere ces deux espèces comme nouvelles, ne les ayant trouvé décrites nulle part. Hab. lie de S. Thomé (J. F. de Castro). Je me fais un plaisir de dédier cette espèce à M. Philippe Dautzenberg, savant malacologiste français, qui a bien voulu me donner des renseignements sur [)lusieu- res espèces critiques. ^mpliidosinn modesta, A Adams. — (Moller, Castro). MOLLUSQUES TERRESTRES JVanina 31ollori, nov. sp. PI. V. fig. 4. Coquille globuleuse, un peu conique, assez mince ; spire élevée, conique, à sommet un peu aigu, composée de cinq tours légèrement convexes; suture bien marquée; avec Ia loupe on observe de nombreuses stries inclinées, peu saillantes; couleur jaune cornée, peristome marron foncé; ouverture sub-quadrangulaire, columelle presque droite, un peu épaissie et retournée sur la cavité ombili- cale, qui est três étroite et en pariie reconverte par le retour de la columelle ; peristome presque tranchant. Hauteur 13 m. m. Diamètre 12 m. m. 94 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES Hab. lie de S. Thomé (Adolpho F. MoUer). Monsieur A. Moller a recueilli plusieurs exemplaires de cette espèce pendanl Texploration botonit|ue que ce na- turaliste à fait de Mai à Septembre de 188o. Cette espèce se ressemble! un peu au Canina Tho- mensú, Dohrn, mais elle en differt par la hauteur de la spíre et de i'ouverture. Chez le A. TJiomensi'<, la cavitó ombilicale est plus ouvertc et les stries que Ton observe à la surface de la coquille sont plus effacées. Elle est en outre plus petite et se dir-tingue parfaitement du /V. Mollcri. Je prie mon ami M. Moller d'accepter la dédicace de cette espèce. Buliiniuutsí Castx-oi, ^'obre. PI. V. fig. 3. lUdiminus Caslroi, Nobre, Conlrib. parti a fauna mala- col. da ilha de S. Thomé (Instituto), jiag. 2õ. Coimbra 1891. Ilab. S. Thomé (Castro, Moller). IBulimiuuN Ci-otssoi, Niibre. PI. V., fig. 7. Hiiliminus Croi^sci, Nobre, Contrib. p. 2G. Hab. S. Tlioinè (Castro. Moller). Cycloplioi-us Vaiiclollli, Nubre. PI. V , fig. G. Cyclophorus Vandellii, Nobre, E.rpl. .sr. da ilha de S. Thomé: Conchas Icrr. c mar. rcr. pelo sr. Adolplio Moller na ilha. de S. Thomé, p. 14 CBol. Soe. de Geog. de Lisboa, G.^ ser. ISSG). C.*osse, Faunale de iile de S. Thomé p. 27 {)1. I fig. 2 e 3. Hab. S. Thomé (Moller). Cycloplioi-iiisi 3Xollei'i, Nubro. PI. V., hg. G. OjrlophorLis Mollcri, Nobre, Expl. se. p. 15. Crosse, Faunule de S. Thomé; p. 28. Hab. S. Thomé (Moller). De ces doux espèces j'ai pu examiner plusieurs exemplaires. (à suivrc). NOTAS E COMMUNICACÕES Notas zoológicas — N) jornal allemão inliiulado Bi'iiiner Entomo- log. Zeitschrift, Bd. XXXVlíI, 1893, Heft ÍII, (lublioou o snr. G. Ver- hoefT uni trabalho, contiDuação d'outros si bre o niesino assumpto, intitu- lado Ueber einige palaearktische Clutopoden. N'este es-tudo descreve al- guns Myriapodos de Portugal e entre elie-! uma espécie iiova para a fauna do nosso paiz, queó a Lithobius MoUeri, Veih., n. sp. fOligubothrus Latz.)> que eu encontrei nas vizinhai:iças de Coimbra e mandei àquelle naturalista allemão. ■ O snr. dr. Pli. Bertkau quo estudou algumas das aranhas da explo- ração scientifica que eu rcalisei em S. Thomé durante o anno de 1885 e, cujos exemplares se acham na collecção do Museu da nossa Uuiversidade e na do snr. dr. Manoel Paulino d'01iveira, ac;iba (hi determinar mais uma espécie daquella ilha, recolhida por mim, (]uo é a Ncpliila pilipes, Lucas. Uns ratos das visinhanças de Coimbra que mandei para o Muzeu de Zoologia da Universidade de Berlim, a pedido do seu sábio director o dr. K. Mobius, pertencem á espécie ArcicoUi agrcslis, segundo aquelle professor acaba de me conimunicar. O Pelnclytes Daudinii, Merr. (P. pnnclolm^ Du:n. et Bib.) é vulgar uos arredores de Coimbra. Ha dias captureio-o no Jardini Botânico, Quinta da Zombaria e no sitio chamado Baleia. O Ammoryctis Cii^ternasii, Boí-ca, iafiib'?m deveiá habitar nas visi- nhanças de C-iinbra, porquanto jcá aqui apanhei os seus cyrinos e foram estes que serviram para o snr. dr. J. do Bediiaga os descrever no Insti- tuto. Por mais que tenha diligenciado nunca me foi possível observar alj O animal peifeito d'este amphibio. Onde encontrei dois exeuiplares que t xistem no Museu na Universi- dade foi em Mertola. 96 NOTAS E COMMUNICAÇÕES A primeira vez que ol)-;orvei em Portugal a lampreia d'agua doce, (Petronnjzon fliivialilis, Lin.) fii em 1861. Encontreia-a próximo à Mari- nha Grande, n'uma valia que corre ao longo do viveiro do Tromelgo no pinhal nacional de Leiria. Coimbra, 12 de março de 1894. Adolpho Fhedehico Moller. Habitat do Cliiog-loNf^a lii(âita.iiica, Barhoza du Bocage. — Em 18 do corrente apanhai vivo um bonito expmplar do pequeno e raro amphibio, Chioglossa lusilanica, perlo da estação de Cusioias, do caminho de ferro da Povoa, e distante cerca de uma legoa da cidade do Porto. Até ha pouco tempo, segundo mo consta, esta espécie, particular a'^ paiz, ape- nas tinha wdo encontrada no Bussaco, (Paulino d'Oliveira), no Gerez, (Alf. Tail), no Alerntpj I, (Barboza du Bocage) e em Vallongo (Reis Júnior). Meu irtnão Alfredo Tait encontrou no dia 23 d'este mez dois exem- plares ainda novos da mesma espécie, nas margens do rio Coina, perto da antiga ponte do Pa-irasto, não n uito distante de Oliveira de Azeméis. Está provado, pois, que tinha muita razão o Dr. Egid Schreiber em suppor que esta espech havia de ser encontrada em outras mais localida- des do norte de Portugal. Porto, Tl de Março de 1891. W. C. Tait. Peixes da Povoa de Varzim. — Em uma recente memoria publicada pelo illuslre professor da Universidade o snr. dr. Lopes Vieira (^), en- contra-se a li.-ta dos peixes observados na l^ovoa de Varzim por aquelle nosso estimadíssimo collaboradnr, a qual constituo uma importante contri- buição para a fiuna ichtyoiogi'"a do norte do paiz, que, pôde bem di- zer-se, est.ava quasi inteirain.^nte desconhecida. Transcrevemos a reff^rida lista das espécies e os seu'* nomes vulgares, pelo despjo que temos de reu- nir n'estes Antmes tudo o que diga respeito á fluna do norte do paiz: Abrotea— Phycis meiiit^^rraneus, De- Badejo— Merlangus pollachius, Mo- laroche. reau Arado ou Ferreiro— Raia oxyrhyn- Bêbedo- Trigia pinl, Bloch. ca, Linn. Besujo— Pagellus acarnp, Cuv. et Aasevia— Solea azevia, Capello. Vai. (1) iL.vplnrnçõrít zoologicnít rdilivd.t d ichlyologia mariíima da praia da Xiizarelli e da Povoa rlf Varzim, pe!o naturalista adjunto interino do Muzeu d*i Zoologia da Universidade de Coimbra. (Separata do InsliLulo, , Coimbi-a NOTAS E COMMUNICAÇÕÈS 97 Bira— Pagellus ervlhrinus, Cuv. et Vai. Bonito— Pelannys sarda. Willug. Breca— Dentex macrophtalmus, Cuv. et. Vai. Bruxa (adulto); Cascarra (novo) — Scylliim catulus, Cuv. Cabra— Trigla lyra, Linn. Caboz— Blenius pholis, Linn. Cação— .Mustellas vulgaris, Mui. et Henle. Capatão— Pagrus vulgaris, Cuv. et Vai. Capatão de cotula— Dentex Qlosus, Vai. Cavalla- Scomber scomber, Linn. Cherne— Polyprion cerniurn, Vai. Chicbarro — Trachurus trachurus, Gil n th. Chião— Galeus canis, Rondei. Choupa— Canttíarus griseus, Cuv. et Vai. Congro- Conger vulgaris, Cuv. Corvina- Sciaena aquila, Cuv. Dentiiha— Labrus inixtus, Linn. Faneca— Gadus luscus, Linn. Ferreta— Centrophorus crepidalbus, B. et Cap. Freirinha— JuliS VUlgaris, Cuv. et Vai. Goraz— Pagellus cenlrodontus, C. Bp. litngoado— Solea vulgarjs, Riss. liixa- Scyiiinuslicliia, Mull. et H^nle. Lulão— iVlotella trlcirrata, C. Bp. Maraehona — Blenius gattorugine, Bnuin. Maragota- Labrus b'"rgylta. Ascan. Meiga— Acanthias vulgaris, Riss. meio— Beryx d'^cadactvlus, Cuv. et Vai. Moreia— Miirflena helena. Linn. Olho verde — Hexanclius griseus, Raf. Papagaio do mar— Chimaera mons- Iraosa, Linn. Papoiia— Pristiurus melanostomus, C. Bp. Peixe agulha — Xiphias gladius, Linn Peixe agulha — Belone vulgaris, Selys. Peixe alecrim- Alopias vulpes. Bp. Peixe anjo — Leoidopus argenteus, Bonat. Peixe gallo — Zeus faber, Linn. Peixe gato — Centrina vulpecula, Moreau. Peixe pau — Lota elongata, Riss. Peixe prego — Ecbynorhinus spi- nosus, Blainv. Peixe rato — Malacocephalus laevis, Lowe. Peixe rei — Accipenser sturio, Linn. Penadeira — Lophius piscatorius, Linn. Pescada— Merlucius vulgaris, Cuv. pinmbeta — Brama Baii, Schneid. Ratão — Myliobatis aquila, C. Dum. Redovaiho — Rhombus maximus, Riss. Robalio — Labrax lupns, Cuv. Romeiro — Kaucrates ductor, Cuv. et Vai. Ruivo — Trigla corax, C. Bp. Salmonête — Mulus surmuletus, Linn. Sancto António — Trigla corax, C. B[) Aardiuha — Alosa sardina, Morean. margo — Sargas vetula. Cuv et Vai. Savèlhtt- Alosa vulgaris, Cuv et Vai. werrão — ScnrpoHfia sTfifa, Linn. .«^errào — Serramis cahrilia, Riss. Sevfrino — Heptdnchus cinereus, iVMII. et H^-nle. Tainha — Mugil capito, Cuv. et Vai. Tintsireirn — C^rcbarias glaucus. Tremedeira — Torpedo njarmorata, R'ís. Urge — Trigon sp.? o snr. dr. Lopes Vieira menciona aioda sob o nome vulgar — Gato — um esqualideo muito similhaute ao Acanihias lulgaris, que não ave- riguou se constituía uma espécie diversa, e uma Tainha, muito fre- quente, que não determinara lambem. Augusto Nobre. BIBLIOGRAPHIA J. Gr, Hiclalgço. — Ohras malacologicas de) enlretias 1 e'i; Parte I, 160 pag. ; Parte II, 73o pag.; alias, eairega 1, 30 laminas em ne- gro. Madrid 1890-91. O dr. Hidalgo iniciou a publicsção dos seus trabalhos, alguns já im- pressos e outros inéditos, em dose volumes de texto e um atlas de mais de 500 estampas, edição feita pela Academia de Scieneias de Madrid. A parte publicada com prebende : Estúdios preliminares sobre la fauna malacolo- gica de las Philipinas ; Estúdios preliminares subre los molluscos terrestres y marinos de Espana, Portugal y las Baleares. As memorias que consti- tuem estes estudos são já conhecidas dos naturalistas por terem sido pu- blicadas em diversas revistas scientificas. Todo o fascículo segundo, pag. 273 a 734, traia da bibliograpbia referente aos molluscos da Península; d'este modo o dr. Hidalgo conseguiu reunir todos os apontamentos que se acham disseminados por alguns centos de publicações. E' evidente que a maior parte dos auctores d'essa'í publicações uão visitaram a Península, e as suas referenciai n.ão são mais que transcripções dos poucos trabalhos originaes que ha feitos acerca da sua fauna malacologica o que, de resto, não tira o merecimento ao árduo e enorme trabalho do dr. Hidalgo o qual representa um incalculável auxilio aos naturalistas que se occuparem da malacologia da Penia^ula. Os trabalhos agora novamente reproduzidos foram já apreciados nas épocas das suas appirieõ^s e, porisso, nada poderíamos dizer que não fosse repetir o excellente acolhimento que todos elles tiveram, visto que o dr. Hidalgo oceiipa nm dos [irinieiros logares entre os malacologístas moder- nos. O atlas contém 30 es'ampas com 238 figuras reproduzidas por pho- togravura, o qne da grande nitidez e precisão aos caracteres, condições in dispensáveis para a classiíicnção das espécies. A. N. A.. 3X. JVorniaii. — On Drilish niy^iida;, a Family of Crustácea Schi' zopoda (from lhe Ann and Mag. of Nat. Ilist.) 120 pag. 2 plates 1892. Esta momnria éa sequencia du outras já publicadas sobre as diversas famílias dos Sdfznpodes, [lequenos crustáceos difficeis de classificar pela BIBLIOGRAPHIA 99 vida alguma apreciada por todos os naturalistas qae se interessam pela minneiosidade dos seus caracteres cspecificos, por vezes microscópico». O presente trabalho assim como os outros do mesmo auctor (Sote on Briíish Amphipoda; Brit. Srhizopoda and Cumarca nrw to or rave in lhe Brit. seas, etc.) interessam aos naturalistas porluguezes pelas minuciosas des- cripções, iiynonimia e distribuição geographici, e porque muitas das espé- cies enumeradas devem viver nas costas porluguezas em rasão da sua pre- sença no Mediterrâneo. De resto, escu>^ado seiá dizer, que a nossa fauna carcinologica, sobretudo os Amphipodos e as espécies pequenas dos Tlio- racostraceos, está insufflcientemente conhecida. Em todos os seus trabalhos de carcinologia, malacologia, etc, o snr. Norman mostrase um naturalista muito consciencioso e distincto, pela precisão das suas descripções e pelo elevado numero de observações que acompanham geralmente as suas memorias descripiivas. A. N. M;. Paulino Agriotes Paulinoi, Candèze : Lamprorhiza Paulinoi, Ern. Olivier; Heni- copus Paulinoi^ Bourgeois; Vesperus Bolitari, Paulino. N'e-ta enumeração não são comprehendidas algumas outras já des- criptas em diversas revistas. O auctor menciona ainda as seguintes variedades novas para a sciencia : Carabus antiquus, Dej.; var Vieirce; Nebria brevicollis, F., var. Ibé- rica; Lionichus albonotatus, Dej.: var. bimaculatus, var. immaculatus ; Ariatus capito, Dfj., var. obscuroides, Stenolopliorus descophorus, Fisch., var. unicolor.; Hister purpurascens, Herbst., var. toute rouge-chatain; Typhcea fumata, L var. lusitanica ; Anisoplia depressa, Er. var. nigra; A. floricola, V, var. nígripennis ; Drasterus bimaculatus, Hossi, var. im- maculatus. O catalogo dos Coleopteros de Portugal é a mais vasta memoria que tem sido publicada entre nóí sobre a fauna do continente, e será sem du- 100 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES nossa fauna, os quaes encoulrarão rresie livro ura guia consciencioso e seguro para os seus trabalhos de invesligaçã'>. A. N. Contribulions à la Fiore crypíognmique du nord du Portugal. — A publicação (i'esttí iiiiportan'e trabalho é lievida ao snr. Isnac Newton e conipreheude tudas as plantas recolhidas pur aquelle infatigável natura- lista e as rt-ferencias (lue, em trabalhos já iiiipreí-sos, se encontram acerca da ílora cryplOi^amica do norte do paiz. As partes publicadas aló h(je irão: Coguiuellos, Licbens, Algas marinhas, Musgos e as Hepáticas, os três pri- meiros grupos de plantas no Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa 6 as duas outras no Boletim da Sociedade Broteriana de Coimbra; resta a parte relativa às algas de agoa doce, em estudo pelo professor Ritcher. A primeira parte, 27 pag., Fangi — Un elaborada segundo o que h^ publicado no paiz e baseado nas investigações dos nossos estimadíssimos coUaboradores os srs. A. MoUer, de Coimbra e W. Tait, do Porto. A maior parte das descobertas mycologicis do paiz são devidas ao snr. Moller. As espécies que se encontram descriptas n'este trabalho, embora já publicadas a seu tempo, são as que seguem: Spliceiopsis Henriquesi, Thuem. ; Pliyllosticla infuscala, Winter; Aschochyta Molleriana, Winter; Ceirospora perichimeni, Winter: C. Mol- leriana, Winter: Diincrosporium eriophylvm, Winter: Lophium Limoni, Thuem.; Calonectria verruculosa, Niessel; Leplosplmria diaporíhoides, Winter: He rpotrirhia Molleriana, Winter. A segunda parte, 42 pag.. comprehendc os Lichcns recolhidos pelo snr. Isaac Newton e ustudado pelo dr. Nyiander. Na caria prefacio dirigida por este sábio botânico ao sor. Newton e que procede o trabalho de que me occupo eucoutra-se o seguinte periodo que mostra o valor do trabalho realisado pelo snr. Newton. « Dérnière- raent c'e^t vous qui avez inaugure une nouvelle ére pour la connaissance approfondie des Lichens portugais. Vos esploratious assidues et attentives poursuivant ces végélaux daus toutes les stations, et dans toutes leurs formes, môme les plus exigues, ont revélé dans la région da Porto la pre- sence de beaucoup d'espè>:es íuconnues auparavaut et de plusieurs oxeel- lenles nouveautés pour ia science que je me suis empressé de décrire. » As espécies descriptas como novas são as seguintes : Pyrenopus triplo- cocca., Nyl.; Ramatina digitellala, Nyl.; Lecanora sub dispa rata, Nyl.; L. plumbella, Nyl.; L quaitzina, Nyl.; L. glanco-lulcscens, Nyl.; Thiilo- thrcma Iciospodium, Nyl.; Lecidea vcaabiUs, Nyl.; L. Porluenfis, Nyl.: Arlhrina baastroidca, Ny!. Esta memoria cumpreheode 245 esp cie-. As algas manvhas, 20 pag., estudadas pelo dr. Ferdinand Ilauck elevam-se ao numero de 142 espécies e iodas ellas constituem as colheitas do snr. Newton. Dos Musgos e das Hepáticas fallaremos proximamente. A. N. ÚÈtU f^u iu^D O mimetismo nos insectos americanos W. C. TAIT Por occasiao da minha ida ao Brazil nos últimos me- zes do anno de 1888, fui, por assim dizer, forçado a umas seis semanas de aprazivel descanço em casa de um meu amigo, cuja propriedade, situada n'uma das encostas mais densamente arborisadas, domina a cidade e o porto de Santos. Durante esse tempo, e mais tarde emquanto estive em S. Paulo, Tijuca e Petrópolis, era meu entretinimento favorito colleccionar borboletas, das quaes como é sabido, o Brazil possue tão grande variedade e profusSo. Como nSo sou entomologista o meu desejo resumia- se apenas em trazer para a Europa bastantes d'estes in- sectos destinados á organisaçào de bellos quadros e á sa- tisfação do meu interesse pela historia natural. Emquanto colleccionava estes insectos impressiona- ram-me vivamente alguns factos que observei relativos aos phenomenos do mimetismo e que citarei aqui com o fim de contribuir, embora pouco, para a melhor ellucida- ção do assumpto. As borboletas por mim colligidas foram classificadas pelos snrs. Walkins e Doncaster de Strand, n'uma visita, que depois fiz á Inglaterra. O mimetismo, ou mudança de côr das borboletas do Brazil é, permittam-me o paradoxo, mais sensível quando estacionadas em descanço, do que quando temporaria- Ann. de Sc. Nat. v. I., Junho 1894. 7 102 ANNÀES DE SCIENCIAS NATURAES mente pousadas nas flores ou durante o voo, no que muito se assemelham com as borboletas europeias. Ha muitas borboletas do Brazil que, voando expostas a toda a luz do sol, ostentam todo o encanto das suas co- res, bclleza de formas e brilho metallico, emquanto que paradas ou quando assustadas tornam-se feias. Algumas como a Colmiis Júlia, (Fabr.) e a Á noria erip' pus, (Cram.) parece que tentam defender-se pela rapidez do voo, outras, como a grande Morpho azul tão vulgar na Tijuca e as brancas e amarellas de perto do Rio, voando em zig-zog e como que ao acaso. A Eunogyra e outras mais teem por habito pousar na face inferior das folhas abrindo as azas horisontalmente para descançarem, o que as torna invisíveis, excepto para quem estiver directa- mente por baixo. Ha-as com as azas transparentes e corpo leve e es- treito, como as Ilhomia, que frequentam as plantas que vivem nas florestas especialmente perto das clareiras, ou logares onde os raios do sol entram coados pela ramaria alta das arvores. A quem primeiro as viu voar por entre a vegetação das florestas, onde vive, causa estranheza o pouco brilho das suas cores quando examinadas de perto. O voar cadenciado atra vez dos arbustos e a transparência das azas orladas de preto parece combinar-se com as som- bras oscillantes das folhas das arvores. As Heliconidaj, familia a que pertencem as Ithomia são, se bem me recordo, exclusivas do continente sul americano; muitas d'ellas voam em sentido horisontal, compassada c vagarosamente, e possuem as azas brilhan- tes e garridamente coloridas. Parece porisso que não teem protec(;ão alguma contra o ataque das aves, mas alguns naturalistas (? Wallace) suppõem que possuem protec- ção invisível, contendo no corpo alguma substancia que as torne repugnantes para as aves. Esta hypothese pôde ser exacta relativamente as bor- boletas maiores e de cores mais vivas; emquanto ás mais pequenas e transparentes j)arece tiuc a sua protecção esta w. c. tait: o mimetismo nos insectos 103 na falta de brilho, senSo inteiramente, pelo menos, segun- do parece, em grande parte. Seria todavia interessante in- vestigar por analyses chimicas ou por qualquer outro meio, qual será a substancia que torna algumas borbole- tas desagradáveis ás aves e se este facto se observa egual- mente n'umas e n'outras. As borboletas brazileiras possuem de resto muitos e variados meios de disfarce para se porem a salvo. Pou- sam em geral nos lichens ([ue cobrem os troncos das arvo- res e adaptam-se t3o admiravelmente aos logares onde costumam descançar que mal se distinguem. Uma d'estas borboletas é a Ageronia feronia, Linn. O snr. Bigg-Withers nas suas — iHoneering in fírazil — (Explorações no Brazil) designa esta espécie pelo nome de u-hip-buílerfJy, borboleta de chicote, por causa do agudo estalido das azas ao batalhar no ar com as com- panheiras. Quando descanca costuma abrir as azas horisontal- mente e pousar a extremidade do corpo nos lichens par- dacentos ou na casca do tronco das arvores. Pousam ge- ralmente a uma altura de dois ou três metros acima do solo. Esta borboleta adquire então uma tal semelhan(;a de cores e de formas da superfície onde descanca, que se torna realmente invisível mesmo a uma distancia de pou- cos metros. Dotada de uma indole em extremo bellicosa mal vê approximar-se uma borboleta, seja de que espécie fòr, sae- Ihe ao encontro, voando com força e velocidade, atacan- do-a com violência e produzindo o ruido de que falia o snr. Bigg-Withers. E' notável que a face inferior das azas d'esta espécie apresenta cores mais vivas e vistosas do que a superior, que é o lado protegido. Segundo o snr. Bigg-Withers, uma das aves das florestas chamada Su- ruquá sustenta-se principalmente de borboletas e em par- ticular d'esta espécie sobre a qual se arremessa, sendo attrahida pelo estalido das azas. Não tive nunca ensejo de vòr esta ave ou qualquer 104 ANNAES DE SGIENGIAS NATURAES outra perseguindo as borboletas, sendo realmente difficil descobrir quaes sao os seus inimigos mais naluraes. O dr. Hans Gadow, de Cambridge, disse-me que os seus camaleões cantivos gostam muito de alimentar-sede borboletas. Já observei uma centopeia com uma traça na bocca c tenho visto ainda os pardaes apanharem as bor- boletas das couves. Alem d'estes, porém, não conheço outros perseguidores d'aquelles insectos. A avaliar todavia pelo seu mimetismo, durante o re- pouso, parece que devem ser muitos e constantes. A iiyiKícia dircc, Linn. é outra borboleta que prefere os mesmos logares escolhidos pela Agcroíúa fcronia, mas, quando descança, fecha as azas em sentido vertical mos- trando então o primoroso rendilhado castanho amarellado sobre o fundo creme de lichens que cobrem os troncos das arvores em que poisa. A face superior tem uma larga e vistosa faixa diagonal amarella. e branca, sobre íundo escuro, atravessando a aza superior. Estas duas borboletas sao uma prova evidente da ge- ral supposição de que as cores e formas protectoras sâo especiaes cá região do insecto que íica exposta durante o descanço, por ser a que mais está em perigo. Também claramente vemos isto na grande traça eu- ropeii de azas inferiores vermelhas, a qual, de dia ou voando, mostra o vivo carmezim das azas inferiores, tor- nandc-so riuasi invisivel quando pousada nos muros co- bertos de lichens, porisso que só mostra a côr pardacenta das azas superiores, em razQo de esconder as outras sob estas. Uma outra observação muito suggestiva é a da ma- neira instinctiva e talvez inconsciente como a borboleta eu- ropeia, cinzenta, que frequenta os mattos retrahe as man- chas em forma de olhos e negras, única parte brilhante da sua face inferior, escondendo-a debaixo da aza superior quando assustada por qualquer movimento inesperado do espectador. As borboletas das florestas do Brazil presta m-se a in- W. C. TAIT : o MIMETISMO NOS INSECTOS 105 teressantes estudos sob muitos pontos de vista. Emquan- to á côr, sao escuras, pretas, acastanhadas, azues-escu- ras e amarellas também escuras. Poder-se-ha julgar por isto que os seus inimigos são mais numerosos nas flo- restas do que nos campos descobertos. A I'ierella Una, Linn. é de côr de castanho escuro, semelhante á das folhas seccas cabidas pelo chão, sobre as quaes voa mysterisoamente como alma d'oulro mundo um pé acima do solo e seguindo de preferencia os atalhos me- nos frequentados e mais cobertos de folha. Na parte infe- rior das azas a semelhança é ainda mais accentuada não só pelas veias que possue como por um certo brilho semi- transparente particular ás superfícies seccas. E fácil obser- val-as emquanto descançam, como é seu costume, com as azas fechadas, sobre as folhas seccas e mostrando unica- mente a face inferior com as imitações de veias. Ha uma espécie muito próxima d'esta, e com hábitos muito similares, que possue manchas côr de laranja acas- tanhada nas azas inferiores ; é curioso que, emquanto isto torna a borboleta vistosa durante o voo, as azas superio- res sao semi-transparenles, de côr castanho-escuro, em tudo emfim semelhante ás folhas seccas sobre que voa e que muito se prestam a escondel-a. A Mj/scclia orsi<, Drury, tem a parte superior das azas d'um bello azul-escuro avelludado e a inferior ver- melho-escuro acastanhado. Frequenta as pequenas clareiras das florestas descan- çando em geral com as azas levantadas de modo a nccul- tar a vistosa face superior. A Taygelis euplychidia, é uma borboleta toda de côr castanho-escura tanto na parte superior como inferior das azas, tendo ao longo d'estas ultimas algumas pequenas pintas escuras por único adorno. A Ennogyra Salyrus^ Westw, é quasi tão preta, co- mo azeviche e lisa na parte superior, emquanto que na inferior, também preta mas baça, apresenta uns modestos ornatos. 106 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES A maior parte das borboletas pequenas que vivem nas íiorestas densas sao de còr castanho, escuras, com pintas negras; notei que, quanto mais densa era a flores- ta mais pequenos e raros s5o os exemplares que as fre- quentam, sendo também as clareiras e margens os loga- res mais seus predilectos emquanto que as outras de co- res mais claras gostam muito de flores e bom sol. Em algumas pequenas mattas de arbustos em plena florescência via eu muitas vezes grandes nuvens de bor- boletas na maior parte brancas e amarellas de varias es, pecies ora volteando ora em descanço. Em Santos tive occasiâo de observar casos de mime- tismo, alguns muito notáveis, como por exemplo, a traça branca de azas arredondadas que em descanço costuma estendel-as perfeitamente contra com a superfície sobre que pousa de modo que apresenta uma notável semelhança com uma d'estas manchas arredondadas de escremento de pássaros. Ha também um escaravelho cinzento-claro, Curculio, que, quando assustado se enrosca todo, encolhendo as pernas e conservando-se tao quieto que mais parece um escremento de ave gallinacea do que um insecto vivo. A enorme semelhança dos insectos pau com as has- tes seccas é muito vulgar em todos elles, sendo muitas e variadas as espécies que vivem em Santos. As borboletas de brilho metallico gostam do sol des- coberto e muitas d'ellas em toda a America do Sul sugam os fructos maduros ou cabidos, como por exemplo a grande Morpho. A enorme borboleta coruja, assim chamada pels extraordinária semelhança com esta ave, devida ás pintaa que tem na parte inferior das azas e ao corpo que parece representar o bico, pertence ao numero das crepusculares que apenas por volta das seis horas da tarde sabem dos arbustos onde durante o dia se escondem, voando então por sobre os ribeiros que atravessam os bosques. Muitas vezes presenceei isto perto do hotel de White no aprazí- vel subúrbio do Rio de Janeiro chamado Tijuca. w. G. tait: o mimetismo nos insectos 107 A Iraça dos bosques é muito mais escura confun- dindo-se por isso mais facilmente na sombra do arvoredo. Encontrei também por vezes a grande Iraça côr de castanho escura com desenhos subordinados a vários tons, que muito se confunde com os fetos seccos e vários outros cryptogamicas vasculares onde se esconde durante o dia. Um facto para que nSo estava prevenido e que muito me surprehendeu foi o da grande quantidade de borbole- tas pretas que ha no Brazil. Sao em geral adornadas de vermelho e branco. A grande e vistosa borboleta amarella, que frequenta uma planta que parece a bananeira brava, tem um voo t5o rápido e tao incerto que difificilmente se caça á rede ou é apanhada pelos pássaros. No Brazil, a profusão e variedade de borboletas é tal que se tornam muito mais íaceis os estudos de observa- ção e generalisação, accrescendo ahi para nós habitantes do velho mundo o encontrar-inos representadas as espé- cies nossas conhecidas do sal da Europa por grandes fa_ milias e exemplares muito mais vigorosos. Estão n'este caso as borboletas das couves, do enxo- fre, as Vanessa, da tartaruga, do rabo de andorinha e va- rias outras. O que sobretudo mais me impressionou foram os ves- tígios que notei de duas influencias oppostas e apparente- mente contrarias nos ornatos das borboletas do Bra/il. Uma d'estas influencias, sem duvida a que Darwin classificou de selecção sexual, é a transição para as bor- boletas de côr e brilho metallico, de contrastes frisantes no colorido e notáveis pelo desenvolvimento que altin- gem, emquanto que a outra tende a tornal-as baças e es- curas e a assemelharem-se aos objectos onde costumam pousar, provavelmente pela necessidade que teem de se esconder ou disfarçar. Na maior parte dos casos esta segunda influencia mo- difica alguma cousa a outra, moderando -a, mas também 108 ANNAES DE SGIENCIAS NATURAES por vezes prevalece a ponto de acontecer que certas bor- boletas das florestas do Brazil parecem ter inteiramente supprimidos todos os adornos para melhor poderem oc- cultar-se. Ainda mesmo no caso de terem algumas pintas pe- quenas, manchas, listas, arabescos ou qualquer outro en- feite afigura-se-me isso como que um esforço extremo do dominio da influencia ornamental. Muitas das borboletas que costumam abrir de todo as azas e virar-se serenamente para melhor ostentarem a sua belleza abrem-nas ou fecham-nas immedialamente quando qualquer perigo as ameaça, tornando-se então muito pouco visíveis. Grande parte das borboletas do Brazil apresentam uma facha em geral mais clara que o fundo e que se pro- longa das azas superiores para as inferiores de modo a ficar perfeitamente symetrica quando o insecto conserva as azas estendidas. Mi cmprative h spelette t CMen et k Loiii> PAR LE DR. LOPES VIEIRA Aide naturalistc interin au Musée de TUniversité de Coimbra La comparaison du squellete du Chien avec celui du Loup devait tròs naturellement suscitei* la curiosité scien- tiflque, soit que Ton veuille admettre, comme Tont fait Linné et Buffon, que le Canis familiaris, L. est une espèce parliculière, n'ayant rien de commun avec le Loup, soit que Ton pense, comme dans ces derniers temps, que le Chien provient de plusieurs souches, du Loup, du Chacal, ou du Renard. En effet, c'est le squelette qui ébauche le mieux la configuration d'un animal ; c'est là que viennent se des- siner les empreintes de la musculature, et qui viennent se répercuter les eífets de Tactivité physique. Enfin, le squelette nest du tout subordonné aux faciles chan- gements qui peuvent résulter de Tétat variable de la nu- trition. Rien donc de plus naturel, lorsqu'on veut rechercher si le Chien est un Loup réduit en domesticité, par les ef- fets accumulés d'un grand nombre de générations, que de mettre en paralèlle leurs squelettes. Ann. de Sc. Nat. v. I., Junho 189á, 110 ANNAES DE SCIENGIAS NATURAES II est bien possible que la lâche que j'ai entreprise ait fléjà été accomplie. Je dois môme le supposer, puisque I. Geoífmy Saint-Hilaire a dit, quand il se proposait de déterminer les caracteres privatifs du Ganis familiaris, L. — que celui-ci n'avait qu'uii seul caractere, celui d'avoir Ia queue tournée du côté gaúche. Mais s'il y a quelque étude comparative des deux sque- lettes du Ctiien et du Loup, je ne la connais pas. Voilà pourquoi j'ai été conduit à examiner le pro- blème des analogies ainsi que des différences qui peu- vent exister entre les squelettes des deux animaux, d'aprò3 ceux que le Musèe de lUniversité de Coimbra possède, et c'est le résultat de mon observation que je me propose de faire connaitre ici. En admettant même que Ton m'ait déjà devancé dans cette investigation, cela ne m'aurait pas empêché de Ten- treprendre, car je prúfére juger d'après mon observation personelle. Si j'arrive à des résultats qui s'accordent avec ceux déjà obtenus, je ne les considere cependant comme inu- tiles, mais servant à confirmer les autres; s'ils se trou- vent en opposition, ils doivent servir à montrer qu'il faudra de nouvelles recherches pour qu'on puisse juger súrement ou se trouve la généralité, ou Texception, Tin- compétence ou Terreur. On sait que Ton se livre encore à des discussions sur la souche du Chien, et que, si on refuse son origine indépendante, comme celle d'une espèce distincte, on est toutefois indécis à le considérer comme provenant d'un Loup, d'un Chacal ou d'un Renard, ou môme à lui attri- buer une origine multiple. Cependant, je n'ose pas m'engager dans une telle dis- cussion, ni même formuler une opinion sur ce sujet en- core trop confus. L. VIEIRA : ÈT. GOMP. DU SQUEL. DU GHIEN 111 Le Chien ainsi que le Loup, dont j'ai compare les squelettes, étaient du sexe masculin, d'une forme, d'une taille et d'une couleur três semblables, Tâge seulement differant, le Chien étant moins àgé que le Loup, puisque le squelette du Chien laissait voir les os du crâne et de la face disjoints, et les épiphyses des os longs des mem- bres imparfaitement soudées ou non soudées aux diaphy- ses ; tandis qu'on n'observait rien de semblable chez le Loup, dont les sutures du cràne étaient déjà soudées. De plus, la dentition ótait égale chez les deux ani- maux, non seulement par le nombre des dents de chaque màchoire, mais aussi pas leur forme et leur disposition. Tèle ossée — On voyait que Tarcade zygomatique du Chien était moins courbe et moins longue que celle du Loup; d'ou il résultait que le Chien avait la face moins large que le Loup. En outre, Tapophyse coronoide du Chien surpassait le niveau du bord supérieur de Tarcade zygomatique, tandis que celle du Loup n'atteignait pas le niveau de ce méme bord. Finalement, la crête sagittale était beaucoup moins saillante chez le Chien que chez le Loup; Tangle que for- maient les deux crétes sagittale et occipito-pariétale en- tre elles était de 55° chez le Chien et de 50° chez le Loup, c'est-à-dire moins aigu chez celui-ci que chez celui-là. Colonne verlébrale — Je n'ai trouvé aucune autre dif- férence entre celles du Chien et du Loup, que pour leur portion caudale, qui était composée de vingt vertèbres chez le Chien, et de dix neuf seulement chez le Loup, tou- tes les deux étant visiblement completes. Thorax, Bassin, Mcmbres antérieurs — Je n'ai cons- tate aucune différence remarquable entre le Chien et le Loup. Membres jjoslérieurs — On remarquait seulement que 112 ANNAES DE SCIENGIAS NATURAES les deux pieds du Chien avaient cinq doigts et ceux du Loup seulement quatre en tout. En general, les squelettes du Chien et du Loup se ressemblaient tout à fait; mais celui du Chien était bien moins robuste que celui du Loup, c'est-à-dire, que les os du Chien étaient en general moins gros. Signification des différences remarquées entre les sque- lelles du Chien et du Loup. Parmi les petites différences trouvées dans la compa- raison des deux squelettes, il y en a quelques unes que je crois d'un caractere general et comme la conséquence des diverses habitudes des deux animaux, et qui sont d'une interprétation assez facile. Pour quelques autres je ne sais les expliquer. Je considere la différence de courbature et de lon- gueur de Tarcade zygomatique, ainsi que le plus grand développement des crétes des os du cràne comme un effet des moeurs si diíférentes du Chien et du Loup. En effet, le muscle masseter, moteur principal de la mastication, va s'insérer au bout supérieur de Tarcade zy- gomatique. D'autre part, le muscle temporal, qui prend aussi part à la mastication , remplit, aussi bien chez le chien que chez le Loup, tout Tespace borne, au dessus, par la crôte sagittale et, en arrière, par Toccipito-pariétale. Au développement moins considérable de Tarcade zygomatique et des crêtes de la tête du Chien correspond le développement moins grand des muscles qui s'y insè- rent, et le contraire arrive pour le Loup. Mais si le développement des os chez le Loup est plus grand et si les muscles sont aussi plus développés et plus puissants, c'est que le Loup donne plus d'activité a ces mêmes muscles. L. vieira: ÉT. GOMP. DU SQUEL. DU CHIEN H3 Je comprends que, puisque le Loup a toujours besoin de déchirer sa proie, il doit faire constamment de plus grands efforts de mastication que le Chien, qui trouve ou qui reçoit beaucoup d'aliments tout prepares. En outre, je fais drpendre la plus grande élévation de la crête occipito- pariétale et Touverture plus grande de Tangle qu'elle for- me avec la crete sagittale, de Tactivité musculaire plus grande du Loup. En effet, comme tous les muscles extenseurs de la lête ou qui Télèvent en arrière s'insèrent à roccipital, il s'ensuit que tous les efforts musculaires que le Loup a besoin de faire pour attirer la proie vers lui avec les dents, pour la lever du sol ou pour Tentrainer au loin, doivent aussi attirer en arrière Toccipital et conséquemment faire développer Tangle qu'il forme avec la crête sagittale, ainsi que les crôtes qui donnent attache aux muscles exten- seurs de la tête. Pour ce qui touche a la colonne vertél)rale, je ne sais si la seule différence d'une verlòbre en moins à la queue du Loup est constante, et je ne peux Texpliquer. Je ne déduis non plus aucun caractere distinctif en- tre le Chien et le Loup, de ce que celui-là ait un doigt de moins aux pieds, quoique les trois Loups adultes, que le Musée de TUniversité de Coimbra possède, aient seule- ment quatre doigts aux pieds; de plus, ayant fait des in- vestigations à cet égard, j'ai trouvé que, si quelques Ghiens ont cinq doigts aux pieds, quelques autres n'en possèdent que quatre, sans qu'il y ait aucune différence, de race, ou de sexe, et sans qu'on puisse en trouver une e.xplication. On verra que, si les dissemblances que j'ai signalées entre le squelette du Chien et du Loup sont petites, elles sont encore plus considérables que celles que lui a attri- M4 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES buées Isidore Geoffroy Saint Hilaire, qui les a réduites seu- lement à une différence de courbature de la queue, cara- ctere qu'il ne m'a pas été possible d'apprécier chez les deux individus, dont jai examine le squelette.car ils sont parvenus morts au Musée. Ge que je n'ose point affirmer c'est que toutes les dif- férences que j'ai signalées soient constantes, puisque je n'ai pu comparer qu'un individu de chaque espèce. Mais I. GeofíVoy Saint Hilaire a-til compare un grand nombre de squelettes pour pouvoir garantir ses conclu- sions? 11 m'est permis d'en douter. AVES DE PORTUGAL POR W. C. TAIT (Coiitiiiuaclo cie pag, 71) G. ERITHACUS 19 — Epjgathus rubegula, (Linneu) Nome vulgar — rúco. Esta espécie é muito vulgar em Portugal durante todo o anno, mais porém no norte do que no sul, por ser mais arborizado e mais húmido. Como a outra espécie anterior, este pássaro evidente- mente prefere os logares húmidos e a sombra da folha- gem. Posto que de modo algum seja timido, nao é todavia tão familiar em Portugal como é em Inglaterra durante o inverno talvez porque aqui só costuma nevar nas serras e elle encontra sempre com que sustentar-se. Cria cedo e chega até excepcionalmente a fazer ninho durante os invernos temperados. Em 22 de outubro de 1(S80 o clr. José Maria Rosa de Carvalho escreveu- me de Coimbra, informando- me que um casal de Piscos andava a fazer ninho na igreja de Cellas, entrando por uma ja- nella onde faltava um vidro. N'aquelle mez a temperatura tinha sido muito l)randa. Ann. de Sc. Nat. v. I, Junho 1894. 16 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES A 4 de janeiro de 1884 um amigo meu communicou-me ter visto um exemplar ainda mal emplumado, n'um jar- dim em Villa Nova de Gaya. G. DAULIAS 20 — Daulias luscinia, (Linneu.) Nome vulgar — Rouxinol (Portugal), lluiseíior (Gal- liza). Chega em abril e fica até ao outomno; é raro nos arredores do Porto e muito abundante nas províncias do Minho, Douro e na Beira. Nao sei se o Rouxinol do norte Daulias philomela, (Bechst), já foi encontrado em Portugal. G. SYLVIA 21 — Sylyia rufa, Nomes vulgares — Papa amoras, Porto; Charrasca, Melres; Cheldra, Esmoriz. Abundante e geralmente distribuído. Chega ao Porto quasi sempre e pouco mais ou menos no dia 8 de abril, embora o tenha já encontrado em março. A sua partida coincide com o desapparecimento das amoras de que é muito guloso, sendo provável que muitas das silvas abun- dantes pelos montes provenham de sementes dispersas por este pássaro. Nas visinhanças de Santa Clara a Velha e de S. Mar- tinho das Amoreiras encontrei um exemplar com a cabeça mais escura e cores mais vivas do que a forma com- mum do norte de Portugal. O prof. Newton a quem enviei um exemplar commu- nicou-me que nunca tinha visto n'esta espécie cores tão vivas. Observação. — Tenho quasi a certeza de ter visto a Sylvia curruca perto do Porto. w. c. tait: aves de portugal 117 O Muzeu de Coimbra obteve um exemplar de Ma- jorca em 1878. Como se encontra na Andaluzia no in- verno e primavera, é provável que durante a emigração tenha sido observado no paiz. 22 — Sylyia subalpina, (Bonelli) O dr. Carvalho informou-me que no Muzeu de Coim- bra ha um exemplar obtido em Bragança no mez de agosto. 23 — Sylvía gonspicillatâ, (Marm.) O Muzeu de Lisboa possue dois exemplares, um dos quaes foi recolhido na Arrábida. 24 — Sylvía melanocephala, (Gm.) Nome vulgar — Tulinegra dos vallados; Coimbra; Fura-moita, Verride. Muito commum nas margens do Mondego e em Abrantes e parece geralmente distribuida no sul do paiz. Supponho ter visto esta fugidia espécie perto do Porto, em 10 de junho e 23 de dezembro de 1883. É provável que resida todo o anno em Portugal como succede em alguns pontos de Hespanha. Vi muitos exemplares em Abrantes durante novem- bro, mas nunca os vi ao norte do Porto. 25 — Sylvía orphea, (Temm.) Nunca observei esta espécie no norte de Portugal, encontra-se porém nos arrabaldes de Lisboa e abundan- temente no pinhal da Quarteira, perto d' Albufeira (Al- garve), em junho. O canto é muito forte para o tamanho que esta ave tem e parece uma combinação do da Tutinegra com o da Cotovia pequena, (Alauda arbórea). 118 ANNAES DE SCIENGIAS NATURAES Esta, como a Sylma ínelanocephala, é uma das aves do meio dia de Portugal; nSo parece todavia que seja muito commum nos arredores de Coimbra. Já a encon- trei no Alemtejo. 26 — Sylvia ATRicAPiLLA, (Linn.) Nome vulgar — Tulinegra. Esta espécie é abundante e sedentária, frequenta os jardins e os logares arborisados. Canta todo o anno excepto em novembro, dezembro e janeiro, sendo o seu canto mais vigoroso na primavera e fraco nos mezes de julho e agosto durante os quaes muda a penna. 27 — Sylvia salicaria, (Linneu.) Encontrei um ninho d'esta espécie com três ovos (9 de junho de 1882) na Ilha do Conguèdo, rio Minho, pró- ximo a Valença, obtendo um exemplar d'esta ave e obser- vando outros nos salgueiros. Vi outros exemplares em Angeja perto d' Aveiro e no Jardim Zoológico de Lisboa, durante o verão, emquanto que perto do Porto só nos mezes de agosto, setembro e outubro se podem ver quando apparecem em grande nu- mero nos pomares e nos jardins. Sao muito gulosas de figos assim como da baga do sabugueiro e de outros fructos. G. MELIZOPHILUS 28 — MELIZOPHILUS UNDÂTUS, (Bodd.) Nomes vulgares — Cheidc, Jou, (Traz-os-Montes); Fe- losa preta, Penafiel ; Rozinha, Vianna do Castello. Esta espécie encontra-se em Portugal em todo o anno, porém nao ha duvida de que é parcialmente emi- gradora. Na barra do Douro, por exemplo, não se en- contra no verão, apparecendo pouco mais ou menos a iO w. c. tait: aves de portugal 119 ii'outubro e ficando até os princípios ou meiados de feve- reiro. Nao se affasta inteiramente do litoral durante o verSo, porque observei um exemplar e o ninho em 4 de junho de 1882 na Ilha de Cies, Bahia de Vigo. Esta espécie prefere os tojos e as urzes das charne- cas altas e as serras. Tenho visto occasionalmente alguns pequenos ban- dos no inverno, quando a neve e o frio das serras prova- velmente os obrigam a descer aos valles e á beira-mar. Tenho encontrado também esta espécie na serra do Gerez, Beira, Extremadura, Ribatejo, Alemtejo e Algarve, nos tojaes. SUB-FAMILIA — PHYLLOSCOPIN^ G. REGULUS 29 — Regulus cristatus, (Roch.) Nome vulgar — Eslrellinha, Felosa de touta, Pena- fiel. Apparece no inverno em pequenos bandos. A variedade — Regulus cristatus maderensis, encon- tra-se na Madeira. 30 — Regulus ignicapillus, (Roch.) Esta espécie que é conhecida pelos mesmos nomes locaes que a precedente, apparece geralmente no inverno e aos pares. Segundo o Coronel Irby esta ave cria perto de Gi- braltar; é portanto possível que também se encontre em Portugal durante o verão apezar de ainda a não ter en- contrado n'esta epocha. G. PHYLLOSCOPUS 31 — Phylloscopus collybita (Vieill.) Nomes vulgares — Felosa, Porto; Firafolha, Ancora; Ferifolha, Jou, (Traz-os-Montes). Feloca, Ovar; Furi- 120 ANNÀES DE SCIENCIAS NATURAES folhtty Estoi, (Algarve); Filosa, Redondella, Galliza, Hes- panha. Sedentária e abundante, cria nos mattos e silvados a pouca altura no chão; é mais commum no verão. Canta desde a primeira semana de fevereiro até quasi ao fim do agosto, recomeçando em novembro mas por pouco tempo. 32 — Phylloscopus troghilus, (Linneu). Nome vulgar — Felosa. Apparece, de passagem, em agosto e setembro. NSo me consta que esta ave crie em Portugal, o que porém talvez possa effectuar-se no verão visto que o co- ronel Irby affirma que nidifica no sul da Hespanha. 33 — Phylosgopus sibilatrix, (Bechst.) Nome vulgar — Felosa. O Muzeu de Lisboa possue um exemplar obtido em Barranhos. 34 — Phylloscopus bonellii, (Vieill.) Existe um exemplar no Muzeu de Coimbra. Esta espécie apparece nas visinhanças d'esta cidade no outo- mno segundo informação do dr. Carvalho. suB-FAMiuA — ACROCEPHALINyE G. HYPOLA.IS 35 — Hypolais polyglotta, (Vieill.) Nome vulgar — Felosa, Feloria, Porto. Commum, chega na primavera e parte no outomno^ Cria nos arbustos a um metro ou dois acima do solo, construindoum ninho aberto, leve e elegante, com hervas, e mostra ter uma especial predilecção pelas moitas de giestas. w. c. tait: aves de portugal 121 Ainda nao poude observar a Hypolaia iclerina; não me surprehende porém que tenha sido encontrada em Hespanha durante a primavera e o outomno, por- que a considero como uma íórma do norte que deve ser esperada unicamente n'aquellas estac^-ões. G. AEDON 36 — Aedon galactodes, (Temm.) Tenho visto este pássaro nos mattos perto de Abran- tes e nas proximidades de Tavira. NSo o tenho porém encontrado no norte de Portugal. G. ACROCEPHALUS 37 — AcROCEPHALUS STREPERUS, (Vieill.) Nome vulgar— Uouxinol pequeno doa caniças, Ovar. Abundante nos caniços dos sitios pantanosos como Ovar, Esmoriz e Estarreja. Chega na primavera e cria em maio e junho; em agosto apparece de passagem nas relvas e nos pomares sendo visto até ao fim d'outubro. 38 — AcROCEPHALUS ARUNDINACEUS, (L.) Nomes ^ulgaves — Uouxinol grande do^ caniças, Ovar; Ferreiro, Murtoza; linla-ró-rô. Vagos, perto d' Aveiro. Abundante nos canaviaes dos sitios pantanosos como em Ovar, Estarreja, Angeja e Aveiro, nao se encontran- do durante os mezes de inverno. Esta espécie é um representante desenvolvido do A. Slreperus, e frequenta os grandes canaviaes, das aguas mais profundas; o seu canto é muito ruidoso e tem o voo mais pesado. O seu canto que pôde traduzir-se do seguin- te modo: — karra-karra-karra, karri-karri-karri, charra- charra-charra, ouve-se ruidoso e claro por sobre os pân- tanos; algumas vezes pôde vér-se esta ave voando d'una caniçal para outro, desapparecendo nos logares mais fe- 122 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES chados e segurando-se obliquamente nos caniços ou poi- sando perto da extremidade pendente. O ninho é perfei- tamente construido de hervas seccas entrelaçadas e em forma de taça, sustentado por três ou mais caniços onde elles são mais densos. 39 — AcROCEPHALUS ÂQUATicus, (Gmel.) E' commum esta espécie nas antigas salinas de Mat- lozinhos na segunda semana de agosto, podendo encon- trar~se alli até á terceira semana de outubro. Tenho-a visto também nos campos húmidos perto do Castello do Queijo, mas unicamente no outomno, não obstante tel-a procurado frequentemente no inverno, primavera e no verão. 40 — ACROCEPHALUS SH.ENOB.ENUS, (L.) Esta espécie encontra-se também nas proximidades de Mattozinhos e nas margens do canal de Leça (também chamado rio Leça) onde frequenta os caniços emquanto que o A. aqualicus, prefere os juncos. Apparece em agosto e setembro, durante a passagem. A õ de novembro de 1882 observei dois perto de Abrantes. (Continua). Nota acerca do habitat da «Yipera berus», L. em Portugal POR A.XJGUSXO N033IÍE A Vipera bcrus, L. foi já encontrada no Porto por Steindachner. Até hoje, porém, ainda este habitat nSo foi confirmado por outro naturaUsta nas publicações que cor- rem impressas sobre os reptis que vivem em Portugal. Ha alguns dias, em uma excursSo que fiz ao alto Mi- nho com o snr. Adolpho Moller, tive occasião de recolher um exemplar d'aquelle ophidio na encosta d'Alcobaça, perto de Castro Laboreiro, uma das ramificações da Serra do Suajo. O exemplar é ainda novo e mede 35 centimetros de comprimento. E' todo de còr preta, razão porque é conhe- cida esta víbora pelo nome de cobra negra. Dão-lhe ainda o nome de escorpião e é este mesmo o nome mais geral- mente empregado. A côr preta, a forma da cauda, curta, e os dentes da maxilla superior, distinguem esta vibora de qualquer ou- tra cobra, com que se poderia confundir, visto que a única vibora cujo habitat era positivo em Portugal (Vipera La- taslei, Bosca) distingue-se immediatamente pela forma da cabeça. Os outros caracteres, tirados da forma e disposi- ção das escamas, estão de accordo com os que são indi- cados pelo snr. dr. Bedriaga na sua memoria : Les Vipèrcs Européennes et Circummédilerranéennes (Congrès Interna- tional de Zoologie; deux."''' Session^ à Moscou; Première partie, 1892, p. 236). Ann. de Sc. Nat., v. I., Junho 1894. 124 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES O exemplar que recolhi possue duas escamas entre a frenasal e a subocular, seis escamas limitando anterior- mente o focinho e a parte superior da cabeça, onze esca- mas circumdando os olhos, e uma só ordem de escamas entre os olhos e as labiaes superiores. Os camponezes teem um grande medo d'este ophidio porque sabem que é extremamente venenoso : dizem que a sua mordedura causa infallivelmente a morte nao sendo atacada immediatamente. Segundo me aífirmaram, elles distinguem também esta vibora das cobras pelo silvo que emitte e por ser aggressiva, factos estes já mencionados por Lacepède; não se affasta também do logar onde nasce, sendo por este motivo mais frequente em certos pontos do que n'outros. Notam ainda que o seu comprimento é pequeno e que engrossam muito. Por informações que obtive, esta vibora encontra-se em Traz-os-Montes, na fronteira. Os exemplares de côr negra são classificados por al- guns naturalistas sob o nome de Vipera bcrus, L. var. Prés ler, L. E' com este nome que ella se encontra figurada em Jan, Iconog. générale des Ophidiem; livraison 45, pi. 11 fig. 2. Foz do Douro, 26 de junho de 1891. SOBRE UM CISO TERITOLOGICO DO «PORTUHUS PUBER» POR A. GOLTZ DE CARVALHO O caranguejo que vive n'esta costa e que tem mais largo consumo na alimentação é o Porlunus puber. Para ser capturado agita-se a negaça em frente da talisca onde se occulta e logo que sahe para fora, attrahido pela isca, é rapidamente colhido no redefolle. Vi ha tempo um d'estes crustáceos, já preparado com outros para serem vendidos, com uma interessante defor- midade. Apresenta a pata maxillar direita d'este specimen te- ratologico um desvio para a parte interna na peça movei, Ann. de Sc. Nat., vol, L, Junho 1891. 126 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES encruzando ao fechar com a peca fixa, e, pela parte infe- rior d'esta mostra uma segunda pinça com ambas as pe- ças fixas. Tamanho natural Esta monstruosidade poderia fazer-se desapparecer arrancando o membro defeituoso, visto estes animaes te- rem a propriedade invejável de reproduzir os membros amputados. Mas nao viria o novo membro com o mesmo defeito do membro amputado? Ou poderia um membro perfeito amputado vir a ser substituído por um. defeituoso? Só pelo resultado de numerosas e pacientes observa- ções feitas nos aquários se poderá responder a estas per- guntas. Buarcos, 23 de maio de 1894. Esíoço í'iiiD CaleHíarío ia Flora íos arreiores ío Porio POR EDWIN J. JOHNSTON (Continuado de pag. 90) CALYSTEGIA SOLDANELLA, R. Br. //ftò.— Nas areias do littoral, ao norte e ao sul do Douro. DIGITALIS PURPÚREA, L. {Dcdaes) Hah.—S. Gens, Foz, Fonte da Moura, Leça do Ba- lio, Mattozinhos, Boa Nova, Valladares, e outras locali- dades, nos atalhos e nos bosques. GLECHOMA HEDERA<:EA, L. Hab. — Santa Cruz do Bispo, nos atalhos, mas rara- LAVANDULA STCECHAS, L. [Hosmaninho) Hab.— Aliena, e Serras de Vallongo e Santa Justa. SALVIA VERBENACA, var. pnecox, Lge. (S. verbena- coides, Brot.) Hab. — No Areinho, nas margens areentas do Douro. PLANTAGO BELLARDI, All. Hab. — Terras seccas ou areentas em Mattozinhos, ao nascente do Gastello do Queijo, e ao nascente de Boa No- va, próximo da estrada de Pedras Rubras. Ann. de Sc. Nat., v. I., Junho 1894. 128 ANNAÉS DE SCIENCIAS NATURAES ARISTOLOCHIA LONGA, Clus. Hab. — Foz, Fonte da Moura, entre S. Gens e a es- trada de Leça, Leça do Balio, margens do rio Leça, Mat- tozinhos, Alfena e Valladares, nos bosques áe carvalhos e nos atalhos. CYTINUS HYPOCISTIS, L. í/aò.— Mattozinhos, tojaes das proximidades da rua do Godinho, Serras de Vallongo e Santa Justa. Parasita nas raizes de algumas Cisíineas, por ex. Cúlu>> hirsuluSy Helianlhemum ocridcnlale e Tuhcraria globulariwfolia. EUPHORBIA DULGIS, L. Hab.— Rio Tinto, proximidades da estrada de Vallon- go, Santa Cruz do Bispo, e proximidades de Avintes: nas margens dos ribeiros. EUPHORBIA AMYGDALOIDES, L. Hab.—S. Gens, Leça do Balio, Santa Cruz do Bispo, Foz, Valladares, Alfena e outras localidades, nos bosques e nos atalhos. ÍRIS PSEUDACORUS, L. Hab. — Mattozinhos, Guarda e ao poente de Vallada- res e Aliena, nas margens dos ribeiros e nos lameiros. TAMUS COMMUNIS, L. i^orça prela) Hab. — S. Gens, Leça do Balio, Fonte da Moura e Alfena, nas sebes. SCILLA ODORATA, Hffg. et Link Hab. — Margens dos ribeiros, pinhaes e bosques de carvalhos, entre S. Gens e a estrada de Leça, Rio Tinto, próximo da estrada de Vallongo, Alfena e proximidades de Avintes. SIMETHIS BICOLOR, Rth. i/ctò.— Nas mattas e nos tojaes e pinhaes. Abundan- tes em muitas localidades ao norte e ao sul do Douro. JOHNSTON : FLORA DOS ARREDORES DO PORTO 129 ASPHODELUS CERASIFERUS, ? Gay. //aí>. — Serra do Pilar, Leça do Balio, nos pinhaes, e margens do rio Ferreira, ao sul de Ponte Ferreira. CAREX DURLEI, Steud. (Est. II) Hab. — Ao sul de Ponte Ferreira, margens do rio Fer- reira. CAREX MÁXIMA, Scop. ííab. — Alfena, na sombra dos bosques em terra hú- mida e nas margenos dos ribeiros. GYMNOGRAMMA LEPTOPHYLLA, Desv. Hab. — Nos atalhos, na sombra, e em muros e roche- dos húmidos. Abundantes em muitas localidades. Continuam em flôr durante abril as seguintes espé- cies Anemooe trifolia. L. Cardamine pratensis, L. Halimium uinbellatum, Spach. Viola paluslris, L. Brachytropis mierophylla, Wk. Erodium cicutariuin, Hèrit. Genista falcata, Brot. Pterosparura caalabricum, Spach. Ulex lusitanicus, Mariz Sarothamnus graadiflorus, Webb. Potentilla Tormeatilla, Sibth. » spleadens, Ram. Fragaria vesca, L. Saxifraga granulata, L. Crepis virens, L. Coleostephus Myconis, Cass. Soliva Barclayana, D, C. Evax. pygrríea, Per=. Eriça lusitanica, Rud Pinguicula lusitanifa, L. Píiillyrea angustifolia, L. Omphalodes lusitanica, Púurr. Myosostis palustris, With. Verónica serpyllifolia, L. Pedicularis lusitanica, Hffg. et Link. Ajuga reptans, L. Paronyehia argêntea, Lam. Euphorbia segetaiis, L, Potamogeton natans, L. Ornilhogaium umbellatum, L. Narcissus Bulbocodium, L. NOTA— No ultimo numero, Reseda intermédia deve ser Reseda média. 130 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES MAIO RANUNCULUS HENRIQUESII, Freyn. Hah. — Nas margens do Rio Leça, Ponte da Pedra, e entre Leça do Baliu e Moreira, e em Alheira Baixa, nos atalhos nas proximidades do Rio Avintes. RANUNCULUS PARVIFLORUS, L. Hah. — Villarinha e proximidades de S. Gens, nas margens das estradas; V. N. de Gaya (Rua do Rei Ra- miro) idem. THALIGTRUM GLAUCUM, Desf. Hah. — Leça do Balio, nas margens do rio Leça, Al- iena, nas margens dos ribeiros, Valladares, idem; Avin- tes, nas margens do rio Avintes. PAPAVER RHAEAS, L. {Papoula) TJah. — No Areinho. NASTURTIUM OFFICINALE, R. Br. (Agrião) Hah. — Mattozinhos, nas margens dos ribeiros. HELIANTHEMUM VULGARE, Gartn. Hah. — Mattas e atalhos húmidos em S. Gens, Foz, Mattozinhos, Perafita e S. Paio. SILENE GALLICA, L. var. Imitanica, Wk. Ha,b. — Ramada Alta, S. Gens, Mattozinhos, e varias outras localidades, nas margens das estradas, nos cam- pos e em terras seccas. SILENE HIRSUTA, Lag. i/aò.— Mattozinhos, Leça, Rio Tinto (próximo da es- trada de Vallongo) Ponte Ferreira e outras localidades, em terras seccas ou areentas. JOHNSTON : FLORA DOS ARREDORES DO PORTO 131 SILENE PORTENSIS, L. Hab. — Rua da Restauração, Arrábida e areias do lit- toral, tanto norte como sul do Douro. TÚNICA SAXIFRAGA, Scop. //a6.— Areinho, nos muros e rochedos. HYPERICUM HUMIFUSUM, L. Ílah. — S. Gens, Leça do Balio, e Valladares, nos ata- lhos e nas margens das estradas. HYPERICUM LINEARIFOLIUM, Vahl. Hnb.—S. Gens, e Gustoias, em terras seccas. LAVATERA CRETIGA, L. (I. silvesiris Brol.) Hab. — Mattozinhos e Valladares, nos campos. RADIOLA LINOIDES Gmel. Hab. — Leça do Balio, Mattozinhos e outras localida- des, nos atalhos e em terras seccas. GERANIUM robertianum, l. /fab.— Lordello, S. Gens, S. Cosme, Perafita, e ou- tras localidades, nos atalhos e muros velhos. GERANIUM COLUMBINUM, L. Hab. — Fonte da Moura, Serralves, Santa Cruz do Bispo, Perafita e S. André, nos atalhos. RHAMNUS FRANGULA, L. Hab.—S. Gens e outras localidades, nas sebes. ORNITHOPUS EBRACTEATUS, Brot. Hab. — S. Gens e outras localidades, em terras sec- cas e nas margens das estradas. Abundante. TRIFOLIUM STELLATUM, L. Hab.— No Areinho, em terra secca ou areenta. 132 ANNAES DE SGIENCIAS NATURAES ADENOCARPUS INTERMEDIUS, D. C. {Codeeo) Hab.—Rua da Restauração, S. Gens, Mattozinhos, Foz (Pasteileira), Avintes e outras partes, em terras sec- cas. ROSA CANINA, L. (liosa de cão.) Hah. — Leça do Balio, Rio Tinto, ao norte de S. Gos- me, Aifena, A^alladares e Alheira Baixa, nas margens ou proximidades dos rios e ribeiros. ALCHEMILLA ARVENSIS, Scop. /Yaò.— Villarinha, S. Gens, Ramalde, Custoias e mui- tas outras partes, nos campos cultivados. SEDUM ALTISSIMUM, Pom. /íftò. —Sampaio e no Areinho, nas margens do rio Douro. SEDUM HIRSUTUM, All. Hab. — Uuros e rochedos, na rua da Restauração, rua de Gonçalo ChristovSo, Arrábida, ao sul de Ponte Fer- reira, (margens do rio Ferreira) e outras localidades. SEDUM BREVIFOLIUM, D. C. Hab.—S. Cosme, Vendas Novas (estrada de Val- longo) e outras localidades, nos muros e rochedos. UMBILICUS PENDULINUS, D. G. {Conchclos) Hab.— Muros e rochedos, vulgar em muitas partes. DROSOPHYLLUM LUSITANICUM, Link. {Pinheira or- valhada, Papa moscas.) Hab. — Serras de Vallongo e Santa Justa, abundante; na Magdalena (n'um tojal, abundante) e nos lados do monte, em Lamellas (estrada do Porto a Santo Thyrso); mas raro. DROSERA INTERMÉDIA, Hayne. Hab. — S. Gens, Boa Nova e Ponte Ferreira, em ter- JOHNSTON : FLORA DOS ARREDORES DO PORTO 133 ras lamacentas ou pantanosas, crescendo ás vezes no Sphagnum, sem terra alguma. LYTHRUM ACUTANGULUM, Lao. Hab. — S. Gens, Leça do Balio, Leça da Palmeira, Mattozinhos e Valladares e outras localidades, em terras húmidas, e nas margens dos ribeiros. ORLAYA marítima, Koch. Hab. — Mattozinhos e Boa Nova, nas areias do litto- ral. SAMBUCUS NIGRA, L. (Sabugueiro.) Hab.^-heçdi do Balio, nas margens do rio Leça (plan- tada?) e perto das margens da estrada da Granja, proxi- midades do Senhor da Pedra. RUBIA PEREGRINA, L. var. laíifolia, Gren. et Godr. Hab.—S. Gens, Valladares e outras localidades, nas sebes. GALIUM DEBILE, Desv. Hab. — Valladares, nas margens dos ribeiros e em terras húmidas. CENTHRANTHUS CALCITRAPA, D. C. Hab. — S. Gens, Villa Nova de Gaya e outras locali- dades, nos muros, rochedos e em terras seccas. TOLPIS BARBATA, Gartn. Hab. — Em terras seccas; abundante em muitas par- tes do norte e sul do Douro. ANDRYALA INTEGRÍFOLIA, L. var. corymbosa. Lam. Hab. — S. Gens. Candal, Serra do Pilar, Ramalde e vários outros logares, nos muros e rochedos e em terras seccas. 134 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES CIRSIUM FILIPENDULUM Lge. Hab.—S. Gens, Foz, Leça da Palmeira, Mattozinhos, proximidades de Lavadoz e outros logares, nas mattas, nos pinhaes e nos tojnes. PULIGARIA ODORA, Rchb. (Herva .Uonlàa.) Hab. — Foz, Mattozinhos, Leça da Palmeira, Perafita, Santa Cruz do Bispo, Alfena, Serra de Santa Justa, Val- ladares e outras localidades, nas mattas e nos pinhaes. PHAGNALON SAXATÍLE, Cass. Ulccrim daa paredm) Hab.— Muros e rochedos,— Arrábida, rua da Restau- ração, muro das Virtudes, Gandal, Areinho e entre Fonte da Vinha e Oliveira do Douro, próximo das margens do rio Douro. LEPIDOPHORUiM REPANDUM, D. C. //aò,— Mattas e pinhaes, na Foz, Mattozinhos, Leça da Palmeira, S. Gens, Perafita, Serra de Vallongo e ou- tras localidades. Abundante. CENTÁUREA ULIGINOSA, Brot. Hab. — S. Gens, Boa Nova, Perafita, Serra de Val- longo, Alfena e Valladares, nos lameiros e em terras pan- tanosas. CENTÁUREA LIMBATA, Hffg. et Link. Hab. — Nos montes entre Alfena e Vallongo, em Ponte Ferreira e nas Serras de Vallongo e Santa Justa. (CoiitínúaJ. CoDtriliiJíçõss íara a raalacoloiia portaEieza POR J^XJGHJSTO NOBRE Esta lista comprehende os molluscos marinhos que recolhi em uma excursão que fiz á Bahia ou concha de S. Martinho, ossim como alguns outros de diversas locali- dades, pouco conhecidos e novos para a fauna portu- gueza. As espécies colhidas em S. Martinho sào as se- guintes : Murex erinaceus, L; Aa.s.sa rclwulala, Muller ; var ní- tida, Jeffreys; Nassa incrassala. Mui.; Nalica cale7ia, C. ; Scalaria commuiiis, Lk. ; Cypram europcea, Mtg. ; Lillorina lillorea, L. ; Troclius linealm, C. ; 7'. obliqualus, Gm. ; Pa- tclla Lusilanica, Gm. ; l\ vulgata, L. ; Aclamou lornalilis, L. ; Plwlas cândida, L., (recolhida também em Aveiro); Maclra helvacea^ Chemnz. ; .)/. suhlruncala, Montg. ; Lu~ traria oblonga, Chemnz. ; Syndosmia ovala, Phil. ; Scrobi- cularia piperala, Gm. ; Solcn siliqua, L. ; Ceralisolen legu- men^ L.; Tellina fabula, Gron. ; T. lenuis, Costa; Donax trunculus, L. .• Lucinopsis undala, Penn. ; Dosinia linda, Pult. ; Tapes decussaíus, L. ; T. pullaslra, Mtg.; Cardium edale, L.; Mylilus Galloprovincialis, Lk.; var flava. Poli; Modiola barbala, L. A praia de S. Martinho é toda constituída de areia fina á excepção da entrada que é marginada de rochedos. Ann. de Sc. Nat., vol. I., Junho 1894. R 136 ANNAES DE SCIENCIAS NATU AES As espécies que considero pouco conhecidas e algu- mas novas para a nossa fauna são : Neptuaía gracilis, (Gosta) — Povoa de Varzim. Fusus rostratus, Olivi — Faro, (Capitão Castro). Nassa semistriata, Brocchi — Tejo, no Estoril. Velutiaa laevigata, Pena — Foz do Douro, Leça. Lamellaria perspicula, Linneu — Estoril. Odostomia plicata, Mtg. — Matoziohos. 0. rissoides, llanley — Malozinhos. Parthenia spiralis, Mtg. — M;itozÍDhos. Eulima distorta, Dtísh. — Leça. Clatiiurella purpúrea, Mtg. — Foz, Estoril. Chenopus Serresianus, Michaud — Povoa de Varzim. Rissoia cimex, L. — Cascaes. R. costata, Adams — Matozinhos. R. striata, Montg. — Matoziuhos. Adeorbis sabearioatus, Mtg. — Estoril. Janthiua pallida, Har/ey — Adherentes ás Vellelas rolladas sobre as praias em Cascaes e Setúbal. Siphonaria Algesirae, Quoy et Gaimd. — Estoril e Cascaes. Utriculus truncatulus, Brug. — Matoziuhos, Estoril, Haminea hydatis, Lin. — Barreiro. Eacontrei em junho do anno passado uma quantidade extraordinária do exemplares d'esta espécie rolla- dos, c aiuda com o animal, em uma praia por detraz da estação do caminho de ferro uo Barreiro. Haminea córnea, Lk. — Setúbal, Cascaes. Akera buUata, Muller — Cascaes. Dentalium novemcostatum, Lk. — Algés. Syndosmia alba, Wood — Matoziuhos. S. nítida, Miiller — Algés. Thracia papyracea. Poli — Setúbal. Lyonsia norvegica, Ghemnitz — Setúbal. Kellia suborbicularis, Mtg.— Matozinhos, Foz. Lasaea rubra, Mtg. — Matozinhos e Foz, muito eommum, sobro os roche- dos entre as algas que vivem no limite superior das marés. Anomia aculeata, Milller — Foz, Matozinhos. ConlriiiotioD á UMi fle Ficltljolop laritie PAR LE DR. LOPES VIEIRA Aide naturaliste inlerin au Musée de l'Université de Coimbra Le 18 mai de Taiinée courante, le Musèe de TUni- versité de Coimbra a reçu de Buarcos, village pur le bord de la mer, à 39 kilomètres de Coimbra, un poisson con- sidere comme inconnu de tous les pôcheurs de cette cote, à 6 kilomètres de laquelle on Tavait pêché dans un filet, ou il se trouvait presque mort. Pour nous, qui cherchons depuis quelques années à connaitre toutes les espèces de poissons qui fréquentent la cote océanique du continent du Portugal ; qui avons vu toute la pôche de Nazareth et de Povoa de Varzim (toutes deux d'un grand mouvement) et cela pendant les deux móis oú Ton travaille le plus ; qui avons eu, pour le com- pte du Musée de Coimbra, des explorateurs à Lisbonne, Setúbal, Nazareth, Buarcos, etc, ce poisson ctait une vé- ritable nouveauté. Long de 2. ""70, et, appartenant visiblement à Tordre des plagioslomes et au groupe des squales, dont il présen- tait la forme générale, comme on peut le voir par la fi- gure ci-jointe (reproduction exacte d'une photographie de Tanimal mont(3) il ne nous restait qu'à le chercher parmi les espèces comprises dans le groupe indique. Comme c'était le plus naturel, nous avons consulte premièrement le Mémoire de notre compatriote, le savant directeur du Musée National de Lisbonne, Mr. Barbosa du Bocage, publié à Lisbonne en 1866 et intitule — Pois- Ann. de Sc. Nat,, v. I. Junho, 1894, 138 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES (2) som plagioslomes {Squaleí<). Notes pour servir à Vichlyo- logie du 1'orlugal. L'exarrien de la ciei des familles qui s'y trouve pag. 60, nous portait à considérer le poisson, dont nous par- lons, comme appartenant à la famille des Lamnidae et au genre Selache. Toutefois, en lisant la déscription de la seule espèce du genre Selache, qu'on y trouve consignée, nous avons remarque que, bien que notre exemplaire ait quelques ca- racteres généraux de Tespòce Selache máxima, Mull. A Henle, il se trouvait en désnccord, pour avoir — un mu- seau long et pointu, et non pas — un museau court, com- me on Vv décrit; et aussi parcequ'il portait un creux à Textremité du museau, lequel, três long et quelque peu releve, rappelait fort celui d'un cochon. Alors nous avons ouvert le tom. I. pag. 306 de Vllis- íoirc nalarellc des poissons de France, de mr. le dr. E. Moreau, et nous y avons trouve mentionné que — «le museau (du Selache máxima) parait de forme un peu va- riable, comme on peut facilement le vo.ir en comparant les figures données par de Blainville, Lesueur, Yarrell, Couch, Gervais. Le Pélerin du Musée de Genes, animal três bien monte, a le museau trus allongé, arrondi, ter- mine en pointe, ce qui lui a fait donner le nom de Selache roslrala: il a le museau scmblable à celui du Squale pô- chc à Concarneau en avril 1876 (V. Journ. Zool., A. V. pi. XII). Le Pélerin étudió par de Blainville avait « le mu- seau três court assez obtus, releve à son extrémité». Or, nous nous croirions autorisés, par cette indica- tion, à appliquer la déscription du Selache máxima. Mull. et Henle, au poisson du Musée de Coimbra, si Ton n'y avait fait aussi mention d'une carène sur les côtés du tronçon de la queue, caractere que lui accorde aussi mr. le dr. Gunther in Cal. of lhe fishes in lhe Bril. .l/iís'., vol. VIIÍ, pag. 394; mais qu'on ne rencontre pas, même à Tétàt rudimentaire, chez Tindividu dont nous parlons. En outre, presque en même temps — O Occidenle — (13) L. vieira: cont, à l'étude de l'ichthyologie 139 public à Lisbonne le 1 raai 1894 nous parvenaifc, et on y voyait des gravures représentant un poisson de 8'",50 de longueur totale, que le Musée National de Lisbonne ve- nnit d'obtenir et de classev — Selo eh o máxima ; cet individu présentant un museau entièrement arrondi et une na- geoire caudale aux deux lobes égaux, et formant presque un croissant, ce qui était fort different de ce qu'on obser- vait sur le poisson du Musóe de Coimbra. En présence de telies divergences, nous avons pris la résolution de consulter à cet égard, mr. le dr. G. A. Boulenger, le savant naturalisfe du Brit. Mus., en lui en- voyant un croquis de la tête, cou et porlion caudale de notre poisson et en lui demandant son opinion sur ce sujet. Nous avons reçu de cet illustre savant Topinion que le poisson du Musée de Coimbra lui semblait être le Síjua- lius roslralm, Marc, que mr. le dr. Gunther, le célebre ichthyologiste du British Museum considere comme vrai- ment identiciue au Selache máxima. En môme temps, nous avons pu savoir aussi, par Tintermediaire du directeur de notre Musée, mr. le dr. Paulino d'01iveira, que mr. Birbosa du Bocage, directeur du Musée de Lisbonne, auquel il avait communiqué les caracteres principaux que Ton trouvait au poisson du Mu- sée de Coimbra, est encore indécis pour le considérer identique au Selache máxima. Nous n'avons pas d'opinion établie sur ce point, quel- que étrange que cela puisse paraitre I Nous n'avons pas pu consulter tout ce qu'on a écrit sur ce Squale; et nous ne savons pas non plus si Topi- nion d'autrui pourrait dissipcr toutes les reserves que nous maintenons encore pour ce qui touche à une complete Identification entre le Selache máxima, Mull. et Henle, et le poisson qu'on voit represente par la figure ci-après et qui va étre placé dans la salle des vértébrcs du Portugal, au Musée de TUniversité de Coimbra. Quoiqu'il en soit, nous enregistrons ici ropinion des savants. Siir la faie raalacolome to iles de S. Tlomé el íe Majère PAR AUGUSTO NOBRE Aide naturalisle au Laboratoire de Zoologic de rAcadémie Polvtechnique de Porto (Suile) Pour terminer ce qui se rapportte à la faune de S. Thomé, je dirais que je vais prochainement publier une révision des mollusques marins, parce que les produits zoologiques de Ia nouvelle exposition Coloniale de Porto, qui m'ont étó confies, m'ont permis d'étudier quelques types mal representes dans les collections que j'ai eu oc- casion d'examiner jusqu'à la publication de mon der- nier mémoire dans llnsliluto. Je reserve donc pour ce tra- vail, quelques renseignements nouveaux. A Tégard des mollusques terrestres, on voit que la faune s'accroit sen- siblement depuis les recherches de M. M. Moller et Cas- tro et dernièrement par celles de M. Newton, dont les produits viennent d'être étudiés, par M. Albert Girard, du Muséum de Lisbonne, qui en a décrit sept espèces nou- velles. Ann. de Sc. Nat. v. I., Junho 1894, AUG. nobre: sur la faune malacologique 141 ILE DE MADERE Dans une note préliminaire publiée dans l Instilulo {^) j'avais fait connaitre une série de mollusques de Tile de Madère qui avaient été mis gracieusement à ma disposi- tion par Mr. Ernesto Schmitz de Funclial. J'avais resolu de publier cette liste avec les rensei- gnements dont je disposais parce que je la croyais interes- sante, quoique resumée, en attendant toutefois de nou- veaux óléments avec lesquels il me serait permis de pré- senter un travail plus complet. Je suis aujourd'hui en mesure de présenter d'autres renseignements, car, après la publication de mon premier mémoire, j'ai reçu, de la part de M. Schmitz, de nouveaux matériaux dont je vais m'occuper. Je dois toutefois si- gnaler, avant de traiter des nouvelles recherclies de M. Schmitz, que M. le R. Boog Watson a fait publier dans le Journal of Conchology une interessante notice sur la même faune de Madère, dans laquelle il fait Ia critique des travauK anLérieurement publiés : ceux de Mac An- drew et nos contributions. Ce ne fut pourtant que Tannée derniòre que j'ai pris connaissance de ce mémoire, parce- qu'on ne peut se procurer facilement toutes les revues étrangòres, mais je me crois encore en temps pour dire de mon côté ce que je trouve nécessaire. Quoi qu'il soit, on doit, pensons-nous, toujours faire con- naitre sans retard les faits acquis pour la science, surtout quand ils proviennent de matériaux mis à notre disposi- tion pour Tétude, mais, à la vérité, on ne peut toujours faire que des listes bien pauvres de details quand soi même on ne visite pas les régions au sujet desquelles on écrit. Voilà la raison pour laquelle mon mémoire a été considere par M. Watson comme excessivement resu- (1) Contribuições para a fauna malacologica da Ilha da Madeira. Ext do Instituto n.® 3 de 1889. Coimbra. 142 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES mé. Je me suis borne a enrégistrer 1 'habitat des espèces d'après les renseignements de Mr. Schmitz qui en general se ropportaient aux dragages par lui effectués dans la baie du Funchal et au Caniçal, et à plusieurs récoltes fal- tes sur les plages de la naème baie. J'avais donc de for- tes raisons pour croire à Tauthenticité des matériaux soumis à mon examen par Mr. Schmitz, et, quelques es- pèces exceptées qui m'ont parues accidentelles, je n'ai eu de grands doutes au sujet des espèces énumérées sur ma liste. Je m'étais donc conform'é aux renseignements com- muniqués par Mr. Schmitz et je n'y pouvais rien ajouter) n'ayant encore visite Madòre. Mon travail a eu au moins le mérite d'appeler Tatten- tion de Mr. Watson sur la faune de Madère, et qe natura- liste ayant résidé pendant dix années dans cette ile, per- sonne mieux que lui pouvait três vraisemblablement doter la science d'un travail important et peut-être complet. Malheureusement Mr. Watson après avoir publié deux mémoires sur divers groupes de mollusques de Tile de Madère, et enregistré une partie de ses récoltes à Madère dans son beau travail sur les Mollusques du Challenger, a laissé sous silence pendant bien des années ses précieuses recherches sur la faune de cette ile, ou il y a des faits interéssants que seule Tobservation directe peut permettre de constater ou encore Tabondance d'exem- plaires à examiner, mais je n'ai pas eu cette bonne chance. Cest ce qui a lieu à Tégard de Tidentité du Littorina canariensú, d'Orbigny et Lit. slriata, King. D'après les observations de Mr. Watson on arrive à la conclusion que la Lií. canaricnsis a été établie par d'Orbigny sur des exemplaires jeunes du L. slriala, parce que, comme écrit Mr. Watson: «This species in its earliest stage always présents the tubercles and the relative différence of shape, wich from hundreds of specimens on can trace in every shade of transition into the larger, smother, more globose, AUG. NOBRE : SUR LA FAUNE MALACOLOGIGUE 143 and altogether more common-place form of full growth described by King.» Le fait est d'autant plus important que, pour qui n'a pas à sa disposition un grand nombre d'exemplaires il est impossible de considérer les formes décrites par d'Or- bigny et King comme une seule espèce. Moi même je n'ai eu encore Toccasion de confirmer les observations de Mr. AVatson, n^ayant à ma disposition qu'un petit nom- bre d'exemplaires. Sur ce point et sur la présence accidentelle de quel- ques espèces à Madòre je pense comme Mr. Watson qu'il faut de nouvelles recherches pour confirmer les données obtenues. Toutefois la critique de Mr. ^Vatson m'a suggéré quelrfues doutes que je me propose de présenter. Pecten Loveni, Dunker. Je n'ai vu autre part contestée Tespèce de Dunker. Mr. Gustave Dollfus m'écrivait en 1888 qu'il Tavait recue aussi de Sierre Leonne envoyée par le Dr. Jullien. Myíilus cdiilu, L Je n'ai pas indique le .]/. edulis, L.> comme vivant à Madère, mais la var. Calloprovincialis, que je considere comme une espèce différente. La forme edulis est un forme plutôt atlantique^ la Galloprovincialis plus méditerranéenne. Sur notre litoral on constate la ra- rett' du M. edulis sur les plages du sud. Cardium pauciscoalalum, Sow. Cest Tespèce de So- werby celle qui vit à Madòre. Je crois que le C. echina- lum, L., est bien une espèce diíferente du C. pauciscosía- tum. Sow. Le C. echinalum, L. ne vit pas dans la Mediter- rance. Tellina serrala, Brocchi: Mr. Watson ne considere pas comme improbable Toccurence de cette espèce à Madère. D'après Berlin — H évision des Tcllinidés du Muséum d' Hisl. nal. de l'aris (Nouv. Arch., 1878, pag. 205) «le T. fabula, Gron. ; T. nilida, Poli et la T. serrala, Brocchi s'etendent jusqu'au Senegal, comme nous avons pu nous en assurer 144 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES par Texamen de la belle collection de M. Petit de la Saus- saye, actuellement en possession de Mr. Fischer.» Psammobia Fcrroemu, Chem. Cette espèce a été pos- lérieurement recueillie à La Luz, Ganaries, (Dautzenberg, Voyage de la Goelellc Melila aux Canaries el au Senegal.) et a été draguée au large des Açores par le Tallisman. Scalaria commulata, Monterosato. D'après Mr. Wat- son cette espèce a été généralement acceptée comme le S. pseudoscalarns, Brocchi. Avec M. le Dr. Kobelt {Prodo- mus)y Mr. le Marquis de Monterosato, et MM. Bucquoy, Dautzenberg et Dollíus {Uoll. du llousúllon) je les consi- dere comme espèces distinctes. Bufonaria scrohiculala, L. Ce nom a été adopte par Kie- ner. D'après Mr. le Dr. Hidalgo, le terme scrobiíalor doit ôtre préféré, parce que ce nom n'est pas defectueux: Linné Tavait fait dériver de scrobis et nom de scrobiculus. Olivella leucozonias., Philippi. Vit aussi au Senegal. Ringicula Someri, de Folin. Cette espèce que Mr. Watson dit ne pas connaitre a été décrite et figurée dans la Monograpliie du genre Ringicula, par Morlet (in Journal de Conchyliologie, p. 128, pi. V, fig. 12, 1878). Vit au Cap Vert. Mr. Fischer comprend cette espèce {Manuel de Conchyliologie à pag. 153j, dans la liste des MoUus- ques de Cap Vert. Cest une espèce plus petite que la /í. conformis, Mont., plus étroite, avec la dent supórieure plus aigue, et le labre moins épais. La coul^r est d'un blanc plus pur. Telles sont les observations que je crois devoir join- dre à la critique du savant malacologiste anglais. Je donne ci-après la liste des dernières trouvailles de Mr. Schmitz, que j'ai eu occasion d'examiner : je me rap- porterai toutefois dans ce qui va suivre uniquement aux renseignements fournis par M. Schmitz. (à suivrcj. Uma excursão á serra de S. Gregório POR ADOLPIIO FREDERICO BIOLLER Tendo sido encarregado pela Direcção do Jardim Bo- tânico da nossa Universidade de fazer uma exploração botânica ao norte do paiz, escolhi como ponto de partida a aldeia de S. Gregório, no concelho de Melgaço. Parti para alli no dia 18 de junho do corrente anno. Acompanhou-me por alguns dias o nosso amigo, o snr. Augusto Nobre, redactor d'esta revista, que desejava explorar a fauna do rio Minho e seus afUuentes. S. Gregório é uma pequena povoação que íica situa- da na fronteira e dista de Melgaço oito kilometros. Outrora esta povoação teve um commercio impor- tante, mas depois decahiu muito; actualmente porém ten- de outra vez a animar-se. A estrada que a liga com Melgaço tem já 7 kilome- tros concluídos, falta-lhe o oitavo e ultimo, que anda em construcção. S. Gregório não é sede de freguezia, a egreja matriz está n'uma pequena povoação a cerca de um kilometro de distancia. Este facto, de povoações importantes não serem sedes de freguezia, dá-se em vários pontos do paiz, como por exemj)lo na Mealhada e no Cargal do Sal que são ca- beças de concelho e teem a matriz em aldeias próximas. A parte alta de S. Gregório está a cerca de 250 me- tros acima do nivel do mar e o rio Minho fica-lhe ao norte á distancia approximada de 1,500 metros. Ann. de Sc. Nat., v. I., Junho 1894. 146 ANNAÉS DE SCIENCIAS NATURAES Do nascente, banha a parte bnixa d'esta povoação o pequeno rio ou ribeira de Trancoáo, affluente do Minho, que limita Portugal da Galhza e tem a sua origem próxi- ma a Alcobaça, Ha uma pe(|uena ponte internacional sobre a ribeira de Trancoso, que liga S. Gregório com uma pequena aldeia hespanhola e onde existe um posto de fiscalisaç-ao aduaneira. A estação do caminho de ferro da Galliza, marginal ao Minho e chamada Frieira, está approximadamente a 1,800 metros de distancia de S. Gregoi'io, porém, o cami- nho que conduz alli é mau e tem de se atravessar o Mi- nho em barco. Dos lados sul e poente de S. Gregório está a serra que tem por ponto culminante o castello de -Castro Labo- reiro o qual fica a cerca de 1,250 metros de altitude. Para se ir a esta povoação passa-se pela aldeia deno- minada Alcobaça, situada na fronteira e que fica perto de 2 ^2 horas de caminho de S. Gregório. A poente de Alcobaça ha um monte que tem a mes- ma altitude de Castro Laboreiro. D'esta parte da serra já me occupei n'uma noticia que dei sobre a serra do Suajo no Jornal de Horiiculíura Pra- tica, do Porto, no numero de novembro de 1890. O solo em volta de S. Gregório ó todo de origem gra- nítica. Esta povoação é abundante em agua e de boa quali- dade. S. Gregório é saudável e o seu clima é temperado na estação invernosa e quente durante a calmosa. Para exemplo diremos que, no dia 26 de junho ás 2 horas da tarde estando a atmosphera bastante carregada de electricidade, dentro de casa marcava o thermometro 30° c. O quarto onde fiz esta observação thermometrica tinha duas janellas voltadas para o norte e estavam com as vidraças abertas. Na mesma occasião fiz a leitura do meu aneróide o qual marcava 738 mm. A cultura principal de S. Gregório e povoações limí- trofes ó a vinha, milho, batata, algum centeio e os pra- dos. A videira é toda cultivada em parreiras ou ramadas, F. MOLLER: EXC. Â serra de S. GREGÓRIO 147 mas estabelecidas a pouca distancia do solo, isto c, em média a cerca de l.^^õO d'altura. O vinho é magnifico e achamol-o muito mais agradá- vel ao paladar do que o affamado de Monsão. Arvores fructiferas observamos a cerejeira, em grande quantidade, pereiras, macieiras, ameixoeiras, pecegueiros, laranjeiras, etc. N'outro tempo cultivava-se alli a oliveira, mas como a producrão era muito incerta os lavradores foram-nas arrancando, de sorte que hoje esta arvore é alli rara ; tal- vez valesse a pena introduzir as variedades hespanho- las de maturação precoce e próprias dos climas septen- trionaes do paiz, taes como : fídloludo ou Villoluda, Bc- dondillo, Varal blanco. Empelíre, Hacimnl, Varal negro, Colchonuaa, Ojillo de Lichrc, Carrasqucna e Vcrdego, e so- bretudo esta ultima variedade. Emquanto a arvores tlorestaes encontram- se : o carva- lho, {(Jaerca^ pcduncalaía Ehrh.), castanheiro {Caslanea vulgaru Lamk.), pinheiro {Pinm marilima Brot. non Lamk.), vidoeiro {Uclula jiubncem Ehrh.), amieiro {\lnm glu'inosa Gártn.) e alguns salgueiros e entre elles o Salix airo-cincrca Brot., S. alba L. e S. viminalk L. Próximo a uma azenha que fica junto á ribeira de Trancoso e nao muito distante de S. Gregório, vimos um lindo exemplar de vidoeiro com o tronco muito direito. Teria uns 20 metros de altura por 0,%0 de diâmetro na base. As essências florestaes abundam principalmente na parte inferior da serra, próximo aos ribeiros e corgas. A parte elevada tem pouco ou nenhum arvoredo e só matto rasteiro, e este mesmo nSo apparece em todas as locali- dades. O malto é constituido por Ulcx (tojo), Cislm (sarga- ços) e Eriça"! (Urzes). A flora em volta, de S. Gregório e bastante rica em espécies, mas não apresenta grandes novidades. E' porém 148 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES possível que na primavera se encontrem nos montes espé- cies interessantes. Na epocha em que alli estivemos, as plantas dos mon- tes já estavam seccas ou tinham já florescido. Só na parte baixa da serra e nos altos, nos pontos onde havia agua, é que se encontravam plantas em flor. Ainda assim fizemos uma colheita muito soffrivel. Emquanto á fauna pouco pudemos observar, pois o nosso fim era fazer uma exploração botânica e pouco tem- po nos restava para outros estudos. Ainda assim pudemos averiguar o seguinte : habitam alli alguns mammiferos como a lebre, {Lcpm meridionalis Gene), coelho {Lepm caniculm L.), raposoi {Canis melano- gaster Ch. Bp.), texugo {Môlca Taxa^. L.), Lontra {Lutra vulgaris L.) e, nos pontos mais distantes, o lobo (Canis lú- pus L.), Javali (Sus scrofa L ) e corso {Cervus capreolus L.). Dentre as aves citarei: perdiz {Pcrdrix rubra Bris.), codorniz {Coíurnix commuriii Bonat.), cuco (Cuculas ca- norus L), poupa {IJpupa epops L.), corvo (Gorom corax L.), pega {Pica caudata L.), gaio {Garrulus glandarius Vieill), pardal {Passer dumcsíicus Briss.), tentilhão {l'rin- gilla cadebs L., pintasilgo {Carduelis clegans Steph.), Al- véola {Molacilla alba I..), papa-figo {Oriolus galbula L.). melro [Turdus merula L.), pisco Ilubccula [amiliaris Blyth.), chapim {Parus major L.), andorinha das chaminés [Hirundo ruslica L.), andorinhão Cypsclas apus 111.), etc. No rio Minho encontra-se a truta (Jrulla fario Steind), boga) Chondrosloma polyUpis Steind), escalo {Leuciscus pyrenaicus Gthr), e a enguia {\nguilla deuliroslris Yar- rel), camarões e mexilhões (Unios e Anodontas). Na epocha própria pescam-se salmões, truta marina, sáveis e lampreias. Em Melgaço vimos a vender no mercado barbos que diziam ser pescados n'este rio. Na ribeira de Trancoso só se encontram a truta e a enguia. Em reptis observamos as espécies seguintes : Rana esculenta L. var. hispânica, Michah. F. MOLLER: EXC. Á serra de S. GREGÓRIO 149 Hana ibérica Boulenger. Alytes obsteíricans Laur. car. Boscai, Lotaste. Salamandra maculona Laur. var. Molleii. Bedriaga. Triíon marmoraíus Barb. du Boc. l'leuro(leles Walllii Mich. Anguis fragilis L. Lacerla ocellata Daud. Laccrla muralis Laur. var. fusca Bedr. Psammo lromu< algirus L. Tropidoiiolus nalrix L. Emys caspica Bosca. Próximo a Melgaço foi ha dois annos encontrado pelo servente do Museu de Zoologia da nossa Universidade o Chalriles Hedriagai Bosca. O snr. Augusto Nobre n'um passeio que fez á serra capturou, ao atravessar um caminho, uma víbora que, quando m'a mostrou, vi logo que me achava em pre- sença de uma espécie que nao era a Vipera Laía^tei Bosca. Depois de eu regressar a Coimbra este nosso amigo escreveu-nos dizendo que já a tinha determinado e era a Vipera berus L., e que a descreveria no presente numero d'esta revista. Que saibamos, esta vibora até hoje só tinha sido encontrada por Steindachner nas visinhanças do Porto. Algumas pessoas, tanto em S. Gregório como em Melgaço, affiançaram-nos que na serra, e principalmente entre Alcobaça e Castro Laboreiro, habita uma lacertidea a que lá dSo o nome de Escorpião e da qual diziam ser um pequeno lagarto quasi com o aspecto de uma lagartixa {Lacerla muralis Laur.), pouco mais ou menos de um pal- mo de comprimento. Este animal, segundo me disseram, tem a particularidade de apresentar duas membranas, dos lados do corpo, que pôde desenrolar ou estender para saltar como que voando ao mesmo tempo. Accrescentavam que este reptil apparece com mais frequência no tempo das ceifas dos fenos, saltando ou voando deante das gadanhas e escondendo-se durante o 150 ANNAES DE SCIENCIAS N ÀTURAES inverno nas medas das palhas e fenos ; diziam ainda que os caçadores temem este animal, porque mordendo na ca- beça dos cães, produz-se uma grande inchação, resultando muitas vezes a morte. Talvez aqui haja confusão e seja antes a mordedura da Vipera bcrm L., que cause isto, e não a d'aquelle ani- mal, |iois também ouvi dar o nome de escorpião a esta vibora. Não temos elementos bastantes para conjecturar com segurança que espécie de animalejo possa este ser, ainda não archivado, que saibamos, em nenhum dos Museus públicos do paiz. Porisso perguntamos aos mais entendidos e especia- listas : será tal lacertideo o Chamaelco vulgaris Cuvier rnr. A. (G. Unereus Aldrov., Lacerla chamaeleon L.), que habitando principalmente na costa mediterrânea da Africa septentrional, tem também sido encontrado no meio dia de Hespanha e na Sicilia? Ou tratar-se-ha antes de uma espécie de Draco ainda não determinada? Não abandonaremos a questão e daremos conta do que pudermos averiguar. Coimbra. Estttlos sota a faia aplica to rios flo lorte ie Portoíal AUGUSTO NOBRJE Comprehendo na memoria cuja publicação hoje inicio, os peixes, molluscos e crustáceos que vivem permanente ou temporariamente na agua doce, valendo-me para isso dos materiaes que tenho recolhido e consultando o que já ha escripto sobre o assumpto pelo naturalista ulti- mamente fallecido Arthur Morelet — Deítcriplion des mol- lusques ter. et fluv. du Portugal 1845 e Hévision, etc. (Jour- nal de Conchyliologie, Paris 1877), assim como o recente e excellente trabalho do snr. dr. Lopes Vieira — Conlrihu- lion à l' elude des poissons d'eau douce du Portugal d'après la collection du Musée de Vlhiwersilé de Coimbra, (Annaes de Sciencias Naturaes, vol. 1.° 1894). Tenho a certeza de que o meu trabalho não será com- pleto mas que dará uma ideia geral da fauna dos nossos rios: outros naturalistas o completarão algum dia. província do MINHO RIO MINHO O curso d'este rio, em terras portuguezas, prolonga- se desde S. Gregório, a localidade mais septentrional do paiz, até á sua barra, abaixo de Caminha. De S. Gregório para cima o rio atravessa a Galliza. Os affluentes do Minho são o ribeiro de Trancoso que Ann. de Sc. Nat., v. I., Junho, 1894.— Porto. ^ 152 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES serve de fronteira de S. Gregório para o sul e o rio Coura que desagua em Caminha. Ha ainda outras ribeiras a que me referirei quando isso tiver logar. Até Vilia Nova de Cerveira, 11 kilometros acima de Caminha, o rio é muito largo e as margens bastante pla- nas; embora depois comece a estreitar-se pouco a pouco, só se torna apertado e de margens em rocha por vezes ta- lhadas quasi a pique, alternando-se com pequenas praias de areias e de seixos, antes de chegar a Melgaço e depois de ter passado Monsão, onde existem as aguas thermaes, em margem plana e innundada pelas pequenas cheias do rio. As aguas thermaes com a temperatura de 42° C, se- gundo a minha observação feita em um dos depósitos de nascente, emergem a alguns metros do curso de verão do rio. O primeiro affluente a que me referi é o ribeiro de Trancoso, o qual nasce pouco acima de Alcobaça, pequena povoação situada a uns 800 metros de altitude. O ribeiro corre por entre as montanhas portuguezas e hespanholas, com grande declive, recebendo as aguas de ambas as ver- tentes, aguas frescas e de terrenos graníticos, e que cor- rem tumultuosas por entre os despenhadeiros das serras como os que se encontram antes de chegar a Alcobaça. Ao passar por esta povoação, o ribeiro quasi insignificante ainda serve de fronteira : a sua origem fica pouco além, no macisso granítico que se eleva logo atraz de Alcobaça e que corre ao poente de Castro Laboreiro. Ainda porém se sobe até Portellinho, a nascente de Alcobaça, descendo- se então por um planalto atravessado por um ribeiro que, passando junto á villa de Castro Laboreiro, vae desaguar no rio ^^ez. N'aquelle ribeiro observei, antes de chegar á villa de Castro, um exemplar de Truta com 15 a 20 centi- metros, e muitos outros, pequenos e de dimensões com- prehendidas entre dois e quatro centímetros. Este ribeiro deve estar a uma altitude de 1,200 metros pois que o Cas- tello de Castro Laboreiro pouco se eleva sobre esse planalto, e a situação d'este castello é de 1,250 metros aci- A. nobre: estudos sobre a fauna 153 ma do nivel do mar. D'elle porém darei mais detalhes quando me occupar do rio Lima e dos seus affluentes. Peixes (*) Barbm, sp. ? Só vi exemplares de barbos nas mSos de uma mu- lher que de Melgaço se dirigia para S. Gregório, e que me disse tel-os comprado naquella villa. Em S. Gregório é porém desconhecido este peixe porque nSo vive no Minho nem em Trancoso, segundo informações que consegui obter, porque n5o recolhi exemplar algum. Ribeiro d'Ardélla, perto de Monsao, (dr. Lopes Vieira). Leuciscus macrolepidotus, Steind. Minho e aftluentes (dr. L. Vieira). E' vulgar no rio Minho até S. Gregório. Squalim cephalus, Siebold. Minho e affluentes (dr. L. Vieira). Nao consegui obter esta espécie no ribeiro de Tran- coso nem d'elle me souberam dar noticias. O Museu de Coimbra possue exemplares, que o empregado da explo- ração feita ao Alto Minho recolheu n'aquelle ribeiro. Chondrosloma^ sp.? Rio Minho e seus affluentes (dr. L. Vieira). E' vulgar no rio Minho. Com relação ao ribeiro de Trancoso direi o mesmo que da espécie precedente. Trula faria, Siebold. Minho e affluentes (dr. L. Vieira). Vulgar em todo o rio Minho e no ribeiro de Trancoso até Alcobaça e rio de Castro Laboreiro. (1) Adopto a classiflcação seguida pelo snr. dr. Lopes Vieira, As es- pécies, cujo nome especifico ainda resla fixar, indico-as sem este nome, por- que, a meu vêr, é áquelte dislincto naturalista que cabe o direito de as de- terminar definitivamente. As tabeliãs dos caracteres distinctivos do recente trabalho do snr, dr. Lopes Vieira são provas, mais que sufflcientes, para'se ajuizar inteiramente do valor dos caracteres difTerenciaes attribuidos às di- versas espécies de Barbus, Leuciscus, Chondrostoma e Trutta. 154 ANNAES DE SGIENCIAS NATURAES Em alguns exemplares do ribeiro de Trancoso, colhi- dos em fins de junho, observei os ovários ainda em tão in- completo estado de maturação, que faziam prever uma eclosão ainda demorada por algum tempo. Este mesmo facto tive occasião de o examinar em exemplares colhidos poucos dias antes no rio Vez, nos Arcos de Val-de-Vez. Alosa vulgaris, Cuv. et Vai. Vive no rio Minho subindo até além de S. Gregório, onde é abundante até julho. Anguilla vulgaris, Ch. Bp. Abundante em todo o rio Minho e ribeiro de Tran- coso. Petromizon marinus, Linneu. Abundante até S. Gregório. Encontra-se n'esta loca- lidade até melados de abril. Flesus vulgaris, Moreau. Ribeiro Lapella e Monsão (dr. L. Vieira). Mugil capito^ Cuv. et Vai. Valença. Não a encontrei nem obtive informações a respeito do seu habitat, acima d'esta localidade. Salmo salar, Linneu. Apparecem em todo o Minho e em S. Gregório até fins de abril. Mollnscos Ancylus simplex, (Buc'hoz) Espécie bem caracterisada em S. Gregório, nas mar- gens do Minho, onde é muito commum debaixo das pe- dras e~ seixos. Em Monsão é extraordinariamente abun- dante. Encontrei-a egualmente nas torrentes da encosta de Alcobaça e no rio de Trancoso, mas tanto n'um local como n'outro com menor desenvolvimento. Ltmncea ovala, (Drap.j Commum em todo o rio Minho. Em Monsão e S. Gre- gório notam-se alguns exemplares com a espira quasi 1 A. NOBRE : ESTUDOS SOBRE A FAUNA 155 que inteiramente corroída e apresentando uma forma muito approximada da espécie designada pelo nome de canalu, que poderá ser considerada como variedade da espécie ovala. Os exemplares são porém pouco desenvolvidos. Encontrei esta espécie em Monsão nas aguas ther- maes a 39». C. Limncea truncalula, (Múller). Rio Minho, em S. Gregório. Só a observei n'esta lo- calidade mas é possível que se encontre em todo o rio Minho. Planorbis spirorbis, (Linneu). Monsão e Valença, margens do rio. iHanorbis albus, Míiller Monsão, margens do rio. iHlhinia lentaculala, (Linneu). E' curioso notar que esta espécie, commum no sul, sobretudo nos arredores de Coimbra, se encontre no ex- tremo norte em tão grande abundância como em Monsão e Valença, sem apparecer em qualquer outro rio do norte do paiz. Não vi se ella se encontra em Melgaço, mas aci- ma, em S. Gregório, nem um único exemplar observei. E' verdade que as aguas do rio Minho, em S. Gregório, correm com violência por causa das numerosas pesquei- ras, e que em Monsão, o rio sendo mais largo, as suas aguas mais se espraiam. Em Monsão encontram-se até nos canaes de sabida dos tanques das aguas thermaes, a uma temperatura de 39°. C, sendo porém mais abundantes nas poças d'agua formadas pelos alargamentos do rio, a pequena distancia dos tanques e em aguas impuras ou quasi estagnadas. Em Valença são abundantíssimas nas margens do Minho. Os exemplares de Monsão teem a côr acastanha- da ferruginosa mais escura que os de Valença, que são de côr amarella córnea, muito mais escura que os do norte da Europa e similhantes aos de Franca e Bélgica assim como aos do sul de Portugal. Todavia a côr da concha varia, como se sabe, segundo as causas exteriores. 156 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES A espira dos exemplares do norte do paiz apparece geralmente truncada, tem três ou quatro voltas e raras vezes possue cinco. Na revisão que fui encarregado de fazer de alguns molluscos do Museu de Coimbra, encontrei exemplares que, segundo a etiqueta que traziam, haviam sido recolhi- dos no Porto. Nas minhas excursões aindi porém não consegui encontrar esta espécie nos arredores d'esta cidade. Valvata piscinalis, Múller. Muito commum em Monsão e Valença. Esta espécie, commum nos arredores de Coimbra, ainda não foi encon- trada ao norte d'aquella região. E' muito interessante a presença d'esta espécie no rio Minho sem apparecer nos outros rios do norte de Portu- gal, onde, pelo menos, até hoje a não encontrei. Vive nos mesmos logares que a Bithinia tentaculala. Nas aguas thermaes de temperatura elevada não a encontrei. Os exemplares são muito desenvolvidos, apresentam 6 Vs 81 '^ ni- "^- de diâmetro e 6 de altura. U71Í0 Batavus, (Maton et Rackett). Muito commum em todo o rio Minho, sobretudo em Monsão. Os exemplares que colhi apresentam um allon- gamento muito pronunciado. Unio liltoralis, Cuvier. Muito abundante nas mesmas localidades. Concha bastante espessa e quasi sempre com os vértices muito corroidos. Unio pictorum, (Lin.) Encontrei um único exemplar em Monsão, ainda novo, e no qual não consegui descobrir os caracteres attri- buidos por Morelet ao seu Unio mucidus. Ânodonta cygnea, Linneu. Só recolhi um único exemplar, em Valença, mas bem caracterisado embora ainda um pouco novo. Ânodonta sp? Monsão. Um único exemplar muito pouco desenvol- vido. A. NOBRE : ESTUDOS SOBRE A FAUNA 157 Pisidium Casertanum, (Poli). S. Gregório, nas presas d'agua. Os exemplares são bastante desenvolvidos, de concha frogil e translúcida. Pisidium pusillum, (Gmelin). Dois exemplares recolhidos n'um pequeno reservató- rio de agua na margem da estrada que vae de Melgaço a S. Gregório. São de côr amarellada. Creio poder attribuir a esta espécie dois exemplares que encontrei perto de Alcobaça e que perdi. Pisidium amnicum, (Miiller) Commum em Valença e Monsão. Embora defira um pouco da espécie typica, considero-a como a mesma espé- cie, ainda que tenha o valor de uma variedade local. As differenças consistem na maior elevação dos vértices, dando ao galbo uma forma mais triangular, a maior sa- liência dos dentes, côr mais escura, concha mais solida e mais alta, em diâmetro, e as estrias mais numerosas e fi- nas. O maior exemplar tem 8 Vs ni. m. de comprimento, 7 m. m. de altura e 5 de diâmetro. Approxima-se de alguma das formas descriptas co- mo distinctas do P. amnicum, mas do seu grupo, e que, a bem dizer, nSo constituem mais que variedades embora algumas d'ellas sejam notáveis. Crustáceos (^) Caradrina Desmaresíii, Joli. S. Gregório, nas margens do rio e entre as plantas aquáticas. Observei um exemplar em Valença. Gammarus pulex, Lin. Aguas represadas de S. Gregório. Abundante. (1) Espécies classificadas peio snr. dr. Manoel Paulino d'01iveira. CAREX DURI^I, STEUDEL POR EDWIN J. JOHNSTON This rare plant, of which the accompanying photo- type (Plate 6) is a representation, was found near Barcel- los by Snr. António Ricardo da Cunha, keeper of the her- barium of the Polytechnic School in Lisbon. It has also appeared on the banks of the river Ferreira, about 7 miles east of Oporto..The group of plants on the left and the flowering stem in the centre are on a scale of very nearly one half the natural size; the numbered figures on the right are of course magnified. Fig. 1. Section of leaf, the concavity being on the upper side. In some plants recently examined, the leaves were found to be channelled at the base, but with the edges roUed inwards near the middle and extremities. 2. Utriculus with glume, under side. The glume is ovate-acuminate, but the edges have partly rolled inwards upon its removal from the spikelet. 3. Utriculus, upper side. 4. Section of the same, showing the achenium in the centre. 5. Part of male spikelet. 6. Male flower, under side. The edges of the glume have rolled inwards, as in Fig. 2. These figures were drawn from fresh specimens with the camera lúcida, and they correctly represent what was under the microscope at the time, but the rapidity with Ann. de Sc. Nat., v, I., Junho 1894.— Porto. JOHNSTON : CAREX DURI^I 159 which the edges of the glumes curl inwards when deta- ched from the spikelets is so great as not to allow time to make some arrangement for keeping them flat. Severa! experiments were afterwards tried with li- ving plants, with the object oí finding some way to keep the glumes in their natural shape, but as in every case the difficulty above mentioned invariably recurred, some modi- fication of plan seemed to be necessary, and it was thought that a dried plant might perhaps answer better, as not being liable to changes of form in any of its parts. Accor- dingly, the above illustration, taken from such a specimen, represents a female spikelet, and also, separately, on the right and left, one of the utriculi as seen respectively from the upper and the under sides, in the latter case with the dark chestnut-brown glume underneath it. As there is hardly any perceptible difference in dimensions or in form between the dried and the tresh specimens, it is hoped that, taking the two illustrations together, they will, col- lectively, give a fair idea of the general appearance and specific characters of the plant. Dfiscriíção i'ma um espeáe k YapÉ fle Aiipla (estampa viu) POR AUGUSTO NOBRE VAGINULA SIMROTHI, HOV. Sp. Corpus elongatum, vel ovatum, dorsum convexum in speciminibus vero spiritu vine conservatis, sublilissime rugosum. Color obscure olivaceo- viridis, infra pallidore; solea anguste, postice acuminata, media leviter ex- pansa, transverse rugosa ; lentaculis anterioribus, parvis, rugosis, posteriori- bus, parvis, transverse striatis. (Coli. Nobre). Long. 42 ; lat. 23, alt. 12 mill, Hab. in Angola, Africae occidentalis. Corps allongé presque ovale, manteau convexe sur le dos dans les échantillons conserves dans Talcool, três finement rugueux, intièrement par- semé de petites granulations presque seulement visibles à la loupe sur les bords inférieurs ; couleur vert-olivâtre sur le dos etjaunâtre inférieurement. Pied étroit, un peu conique postérieurement et un peu plus élargi vers le mi- lieu de sa longueur, strié transversalement. Les tentacles supérieurs sont rides transversalement, bleuâtres, les in- ériears bifldes et rugueux comme la peau de la tôte. Longeur du manteau 42 m. m. » » pied 38 » » Largeur du manteau sur le dos 23 » » Largeur du pied 7 » » Hauteur 12 » » Largeur des bords du manteau 6V2 » » Entre os productos zoológicos enviados á Expo- sição Colonial do Palácio de Crystal do Porto, encontrei um exemplar d'esta espécie a que tenho o prazer de dar o Ann. de Sc. Nat., v. I. Junho, 1894.— Porto. NOBRE : DESCR. d'UMA ESPÉCIE DE VAGINULA 161 nome do snr. dr. H. Simroth, que estuda presentemente as Vaginulas da Africa Oriental, e ao qual o nosso paiz é devedor de algumas importantes memorias sobre os mol- luscos terrestres de Portugal e dos Açores. Fiz todas as minhas observações com um único exem- plar muito contrahido pelo álcool. E' evidente pois que as medidas indicadas não são as do animal em vida. Pela mesma razão não completei as minhas investigações sobre a anatomia do animal. Os desenhos da estampa 8.* darão uma ideia da organisação da Vaginula Simrothi. Dos ór- gãos genitaes, as observações que fiz são muito incomple- tas. Reservo todos os detalhes para quando me fôr pos- sível obter novos exemplares. EXPLICAÇÃO DA ESTAMPA VIII Fig. 1— Animal, augmenlado. » 2— Radula; dentes centraes c lateraes. » 3— Dentes inarginaes. » 4 — Maxilla. » 5— Systema nervoso central. » 6— Tubo digestivo. » 7— Ganglios sob-esophagicos, vistos pela parle [iosleri< BIBLIOGRAPHIA C. A. de Souza Pimentel — ÁRVORES GIGANTEAS DE PORTUGAL— Lisboa, .1894, 1 brochura in-«.°, 22 pag., 5 photolypias e 1 estampa. O nosso estimadíssimo collaborador o snr. Souza Pi- mentel, apresenta n'este breve estudo as arvores mais no- táveis que conhece, ou de que tem tido noticia, como o cas- tanheiro d'Alcongasta, que o snr. Pimentel considera como uma verdadeira maravilha de corpulência e vigor de vegetação, os sobreiros de que no estrangeiro se nSo en- contram exemplares que excedam os nossos em corpu- lência e qualidade superior dos seus productos, as azi- nheiras, os carvalhos, alguns colossaes, alguns pinheiros, notáveis pela sua altura, os cedros, os freixos, dos quaes o da villa de Trancoso é o maior do paiz e talvez da Eu- ropa, e os plátanos. E' uma memoria interessante e cons- cienciosa, como todos os trabalhos do snr. Pimentel, e na qual é estabelecido o confronto entre a vegetação do nosso solo em tempos remotos e o da época actual, de que os exemplares descriptos pelo distincto agrónomo e silvi- cultor não são mais que documentos históricos. Albert Alexandre Glrard — ETUDES SUR UN POISSON DES GRANDES PROFON- DEURS DU GENRE HiMANTOLOPHUS DRAGUE SUR LES COTES DU PORTUGAL, ET DESCRIPTION u"UN ECHENEIS NOUVEAU DES COTES DU PORTUGAL — LiS- bonne, 1893, broch. in-8.°, 13 pag. e 2 pi. (Ext. do Boi. da Soe. de Geogr. de Lisboa, ser. 11, n.° 9). N'esta memoria descreve o seu auctor mais um peixe curiosíssimo, que até agora só era conhecido por três exemplares recolhidos na Groenlândia e nas ilhas West- man, próximas da Islândia e que foi apanhado na rede de arrasto de um vapor de pesca por 80 a 90 braças de fundo nas alturas de Nazareth, ao noile de Lisboa. A descoberta d'este peixe vem trazer mais uma im- portante addição á fauna portugueza, e delimitar a zona Ann. de Sc. Nat., v. 1., Junho 1894.— Porto. BIBLIOGRAPHIA 163 em que vive, o que até agora era totalmente desconhecido, visto que dois dos outros exemplares tinham sido encon- trados mortos, um rollado sobre as praias da Groenlândia e outro flucluando á superfície do mar, junto da mesma costa, sendo o terceiro pescado nas costas das ilhas West- man, mas talvez sem que fosse notada a profundidade em que foi apanhado. E' bem sabido porém que, grande parte das espécies que nas regiões frias vivem em zonas pouco profundas se encontram, no Atlântico que banha as nos- sas costas, nas zonas abyssaes onde a temperatura é sen- sivelmente egual á d'aquellas regiões. O outro peixe, novo para a sciencia, é uma espécie de Hémora (Echeneis) conhecido dos nossos pescadores pelos nomes de «pegadar, agarrador e peixe piolho )^ no- mes fundamentados no facto de possuírem estes peixes uma ventosa na parte superior da cabeça. A espécie em questão Ecíieneú pcdiculus é prove- niente dos mares do Algarve. Duas novas contribuições para a fauna portugueza e bem tractadas como todos os trabalhos do bem coniiccido naturalista do Museu de Lisboa. BalthBzar Osorle — ESTUDOS ICHTYOLOGICOS ÁCERC.\ DA FAU^NA DOS DOMIMOS POKTUGUEZES NA Afkic A — Lishoa, 1893, bioch. in-S", 13 pa;^. (K\t. ilu Jornal de Sc. Malli. Hliys. e Aaí., 2.=* série, ii." 10) Comprehendem estes estudos duas notas, uma sobre os peixes de Angola e outra sobre os de S. Thomé, Tiln- cipe e ilheo das Rollas, e são a sequencia de outros já |)U- blicados sobre as mesmas faunas, pelo mesmo auctor. Os peixes de Angola foram todos j-ecolhidos pelo in- fatigável naturalista Anchietta; e os dos nossas outr;ts possessões fazem parte das explorações dos snrs. Mõlier-, Quintas e F. Newton. O snr. dr. B. Osório descreve uma espécie nova Cirrhiles allanlicus, colhida no ilheo das Rollas pelo siu-. F. Ne^^'ton. Esta memoria é mais uma utilíssima contribiiií-ao para o estudo da faunu afVicana da qual o distincto natu- ralista adjunto ao Museu de Lisboa é um dos niai.-, assí- duos investigadores. 164 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES A. Itilne. Edwards et E. — E,. Bouvier — CONSIDÉRATIONS GÉNÉRALES SUR LA FA3I1LLK DES Galathiíidks — Paiis, 1894, bioch. in-8.0, 136 pag. e gravuras, (Ext. des Annales des Sciences Natuielles, vol.) Esta memoria constitue a mais completa monographia que tem sido publicada até hoje sobre as Galatheias. Os seus auctores, sobejamente conhecidos, o primeiro um dos mais notáveis sábios francezes e o segundo seu brilhante collaborador nos trabalhos carcinologicos, e auctor de ex- cellentes memorias sobre o systema nervoso dos gastero- podes, tiveram á sua disposição, para o presente estudo, as collecções do Muséum de Paris e as que foram reco- lhidas por differentes navios exploradores — o Blake, o Hassler, o Travailleur, o Talisman e o Hírondelle. Não faltou pois riqueza de material para a elaboração da perfeita memoria de que nos occupamos, sabendo-se que as Glatheias sSo crustáceos das zonas abyssaes. Depois de um estudo dos caracteres adaptivos e heri- ditarios em que são analysados minuciosamente os cara- cteres e funcções physiologicas dos differentes órgãos, ap- pendices cephalicos, carapaça, abdómen, appendices bo- caes e thoracicos, guelras, sexualidade, coração e desen- volvimento, os auctores estudam os caracteres e classiti- cação das Galatheias, famílias e sub-familias chegando á conclusão, d'accordo com J. Boas, e fundados nos nume- rosos caracteres communs que existem entre as Galatheias e os Paguros e nas homologias notáveis que approximam as Aegleineas d'este ultimo, que as duas famílias se li- gam aos Macruros por uma forma intermediaria com- mum, que esperam poder conhecer em investigações ul- teriores, estabelecendo todavia um systema das aí!inida- des da família das Galatheias, cujo estudo fazem detalha- damente. O terceiro capitulo comprehende a distribuição geographica e bathimetrica das Galatheias. Por elle se vê que ha certas espécies que nos interessam directamente por serem exclusivas, até então, as costas portuguezas e hespanholas ; iHplychus rubro-nitlalm, A. M. Edwards. Elasmo)wlm vaillanli. A. M. Edwards e llunvlopsis media, nov, sp., recolhidas respectivamente ás profundidades de 899, 1,068 e 717 metros. Além d'estas é citada outra espécie, Galalhea ^Irigosa, L. recolhida nas ilhas Berlengas a 600 metros de profun- didade. o iliS^ Note m l8 «lepiioiíiis arpelens», Bonat. vel «caDdalBS», cuntii. PAR LE DR. LOPES VIEIRA Aide naturalistc interin au Muséc de TUniversité de Coimbra On verra, par la planche IK ci-jointe, qui est Texacte reproduction photographique des animaux montês d'après nature, que le Muséc de rUnivcrsité de Coimbra posse- de dans sa collecli.on, deux poissons du genre Lcphlopiis, dont Tua presente tous les cai-actères des descriptions classiques du l.epvlopa:^ (irficnlcm ou rawlalus; et Tautre en a la contíguration généi-ale, mais diffère de celui-la par Teífilé du corps, c'est-à-dire, parcequ'il a une hauteur du corps bien plus moindre relativement à la longueur. En effet, Texempiaire le plus grand, ayant l'",31 de longueur et 0"\0,)5 de hauteur, Texemplaire le plus petit, dont le corps a i"',U de longueur, devrait avoir 0"\072 de hauteur; puisqu.e c'est: P\31 : 1"',0 :: O'", 95 : x = O'", 072 Mais il en a seulement O'", 035; c'est-à-dire, une hau- teur à peu prés proportionelle à la moitié de Tautre, com- me on le voit bien par les figures de la planche IX. Le plus grand des deux poissons est venu du mar- Annaes de Sc. Nal. v, I., Outubro 1891. n 166 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES (2) ché de Lisbonne pour le Musée de Coimbra en 1890; Tautre a été acquis, cette année, pendant rexploration zoologique accomplie à Setúbal, En comparant les deux poissons je n'ai pu nullement supposer qu^ils puissent représenter une seule et même espèce zoologique; car parmi les nombreux individus de Tespèce Lcpidopus argentem, Bonat., que j'ai eu lieu d'examiner dans quelques-unes des plages du Portugal ou Ton pêche le plus, je n'ai jamais vu un poisson qui ressemble au plus petit des deux, par Textension de son corp relativement à la hauteur. Toutefois je dois ajouter que, en cherchant la des- cription d'une autre espèce du même genre dans les ou- vrages que j'avais à ma portée, je ne Ty ai pas trouvée. Ni VHul. Nal. des poissons par Cuv. & Vai.; ni Yllist. JSal. des poissons de France, par le Dr. E. Moreau, ou son Man. d'ichlhyoL française, Paris 1892; ni le Cat. of lhe fishes in lhe Brit. Mus. par le Dr. Gunther; ni The Bril. fishes par Day ne reconnaissent plus d'une espèce au genre Lepidopus. Ges considé rations m'ont porte à faire une esquisse, en grandeur naturelle, de chaeun des deux poissons et à consulter sur ceux-Ià Mr. le Dr. A. G. Boulenger, du British Museum, mon maitre en cette spécialité, en lui exposant mes doutes et en lui demandant la bienvaillan- ce de m'éclairer et de me donner son opinion à ce sujet là-dessus. Ma demande a été honorablement accueillie, et Mr. le Dr. A. G. Boulenger a formule son jugement, en dé- clarant qu'il regarde les deux poissons comme absolument identiques et en ajoutant qu'on ne saurait en trouver au- cune autre espèce du même genre dans la mer qui bai- gne la cote du Portugal. Malgré la grande autorité du sage naturaliste, qui a certainement à sa portée tous les éléments d'étude qu'on puisse trouver n'importe oíi, il reste encore dans mon esprit les motifs de doute que voici. (3) L. vieira: note sur lès lepid. argent., etc. 167 Parmi les nombreux Lepidopus argenleus, Bonat., que je me suis mis en devoir d'examiner, je n'en ai ja- mais trouvé aucun, comme je Tai déjà dit, qui puisse être compare au plus petit de la planche IX, quant à la lon- gueur de son corps. En outre, à Setúbal, plage oú Ton se livre grande- ment à la pêche, aucun des pêcheurs n'a connu ni n'a jamais vu un tel poisson; et ce fut pourtant une circons- tance que Texplorateur du Musée de Coimbra a bien vé- rifiée, en interrogeant les diíférents pêcheurs de cette pla- ge là, à fin de venir à bout de connaitre le nom vulgaire qui Ton donne a ce poisson. D'ailleurs, on peut constater une différence três sai- sissable à la configura tion du bord de Topercle des deux poissons; puisqu'il a la forme d'un demi rectangle au plus petit des deux; et celle d'une demi-ovale au plus grand, comme on le voit dans la planche X. Je ne suis parvenu à remarquer aucune autre diffé- rence extérieure entre les deux poissons ; et celle que Ton peut trouver à Tegard de la nageoire dorsale est tout-à- fait fictive et resulte de ce que Ton y trouve la membra- ne inter-radiaire anéantie, et les rayons osseux abaissés. Dans de pareilles circonstances, je crois de quelque utilité d'enregistrer ici les deux formes trouvées au Lepi- dopus ; en attendant que Tavenir veuille confirmer ou non l^ur identité. Siiteiflíos para a faia inalacolojica flo arcliipelai Se Calo Veríe AUGUSTO NOBRE Ainda que a fauna das ilhas de Gabo Verde tenha sido já estudada por alguns naturalistas, nao se pôde di- zer que esteja inteiramente conhecida porque falta reco- lher quasi que inteiramente as espécies pequenas, tSo pouco exploradas em toda a região africana. Actualmente o snr. João Cardoso Júnior procede a successivas explorações malacologicas na ilha de Santo Antão e cujo r-rsultado amavelmente resolveu submetter ao meu estudo. As investigações do snr. João Cardoso Júnior refe- rem-se também a algumas das ilhas do mesmo archipe- lago cuja fauna ainda não é conhecida ou está muito mal explorada. E' de esperar portanto que o snr. João Car- doso que, com tanta actividade tem feito conhecer a flora de Cabo Verde, muito principalmente a flora medica, pres- tará á malacologia afi'icana excellentes serviços. Do que já tenho recebido, producto das suas colhei- tas scientificas, publico hoje esta primeira lista a qual comprehende em geral as espécies mais vulgares, re- servando algumas espécies raras ou representadas por Annaes de Sc. Nat. v. I., Outubro 1894. A. nobre: subs. para a fauna malac. 169 exemplares únicos ou mal conservados para novo artigo, quando as novas colheitas do snr. Cardoso Júnior me pro- porcionem ensejo de o fazer, resolvendo algumas duvidas que os referidos exemplares me apresentam. Spirula Peroni. Lamk, — Ilha do Sal e de Santo An- tão. Olira flammulala, Lamk. — Santo Antão, Santa Lu- zia, Sal. Harpa rósea, Lamk. — S. Vicente, S. Nicolau, Santa Luzia, Sal. Mitra cornicula, Linneu. — Santo Antão e Santa Luzia. Tritonidea viverrala, Kiener. == [íucdnum linealumy Dunker.=/??í/. .\loll, p. 19 e 66. = 1'urpura viverraloides, d'Orbigny, Moll. da Canarica, p. 91, est. 6, f. 38. — Santo Antão, S. Vicente, Santa Luzia, S. Nicolau, Sal. Sobre os rochedos, entre as algas. Commum. Columbclla vibraria, Lamk. — Ilha do Sal. G. ruxiica, L. var. slriala, Duelos. — S. Vicente, San- to Antão, Santa Luzia, S. Nicolau, Sal. I'urpura hwmasloma, L. — S. Vicente, S. Nicolau, Santo Antão, Santa Luzia, Sal. Vive sobre os rochedos, entre as plantas marinhas. Commum. P. neriloidcíi, Lamk. — S. Vicente, Santo Antão, S. Nicolau, Santa Luzia. Commum sobre os rochedos. Triton olearim, Linneu.=7'. succinlum, Lamk. Animaux sans verlébres, ed. Deshayes, tom. X, p. 628.-Ilha do Sal. llanella scrobiculalor, Lamk, /. c. p. 626, v. 9. — San- ta Luzia, S. Nicolau, Santo Antão. Caasis crumena, Brug. — S. Vicente, Santo Antão, S. Nicolau, Santa Luzia, Sal. Cyprwaspurca, L. — S. Vicente, Santa Luzia, S. Ni- colau. Santo Antão. C zonala, Chemnitz.—S. Nicolau, Santa Luzia, San- to Antão, Sal. G. lurida, L.— Santo Antão, S. Vicente, S. Nicolau, Santa Luzia, Sal. Entre os exemplares que examinei pro- 170 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES venientes de-S. Nicolau e de Santo Antão, notam-se al- guns com uma forma accentuadamente globosa. Slrombus bubonius, Lamk.— S. Vicente. Triforis pervcrsus, L. — Santo Antão. Cerithium guiniacum, Philippi.— Ilha do Sal. Os exem- plares sao mais pequenos que os da ilha de S. Thomé. I^lanaxis HennannsenU Dunker, l. c, p. 16, est. II, f. 33-34. — Santo Antão, entre as plantas marinhas da zo- na litoral. A espécie de Santo Antão é a mesma que a de S. Thomé, Os numerosos exemplares que comparei, d'uma e d'outra ilha, nSo offerecem differenças sensiveis. Muito commum em Santo AntSo. Tumlella bicingulala, Lamk, l. c, p. 256, vol. IX. — Santo Antão. LiUorina globosa, Dunker, /. c, p. 9, est. ÍV, f. 10. Santo Antão. Muito vulgar sobre os rochedos da zona li- toral. Fossarus ambiguuíi. (Lin.), Lc Fosí^ar, Adanson, Hisl. Aaí. í/m Senegal, p. 173, est. 13, f. 1.— Santo Antão. Calyptrwa (Trochatella) radiam, Lamk, l. c, p. 626. Santa Luzia ; alguns exemplares teem a espira elevada e outros um pouco achatada. Janlhina nilens, Menke.— Kobelt, Proilomua, p. 224. Santo Antão. Natica porcelana, á'Orh\gn\, l. c, p. 84, est. 6, f. 27-28. — Santa Luzia. Esta espécie é a mesma que se en- contra na Madeira e em S. Thomê. iSerila sencgalensú, Gmelin. Le Piuiar, Adanson, /. c, p. 188", est. 13, f. 1. — Santo Antão, S. Nicolau. Esta espécie parece que é commum sobre os rochedos. Não ha differença alguma entre estes exemplares e os que tive occasião de examinar provenientes de S. Thomé. Trochus Tamsi, Dunker, L c., p. 16. est. 11, f. 40-42. Santo Antão, S. Vicente. Em Santo Antão esta espécie é muito commum sobre os rochedos. Fissurella rósea, (Gmelin).— Lamk, /. c., p. 595, vol. VIL— Santo Antão. A. NOBRE : SUBS. PARA A FAUNA MALAC. 171 Spondylm gwderopm, Lin.— Lamk, /. c, p. 184, vol. VII.— S. Vicente e S. Nicolau. Hmnilcíi sinuof Rede fixa . . . De movimento Jiorisonlal ou arrasto. De movimento ascendente ^ ^- 1 — Rede da pescada Rasca Sardinlieira Petisqueira Bran queira 6 — Meijoeira 7 — Arte 8 — Zorro 9 — Rede do mexoalbo 10 — Rede de pé 11 — Coa 12 — Extramalho 13 — Rede de salto 14- Covo 15- Copo 16 — Redefolle DE FARPA APPARELHOS EMPREGADOS COM ISCA, INSTRUMENTOS QUE NÃO QUANDO SE EMPREGAM LEVAM ISCA 17 — Gorazeira 18 — Coni,'rueira 19 — Canna 20 — Fisga ,- Arpão ( '22 — Bicbeiro í 20 , 21 1 — Uede da pcscala. Esta rede tem malha de 6 a 8 centímetros de nó a nó, tem 42 metros de comprimento e 4"',50 de altura. Está um ou mais dias no mar e apa- nha pescada, ruivo, cação, peixe-prégo, etc. Importa em 4?§(530 réis. 2 — liasca. As malhas d'esta rede teem 48 centime- tros de nó a nó 6 o panno tem 50 metros de compri- mento e 5 metros de altura. Costumam os pescadores tel-a no mar de 6 a 8 dias e apanha raia, rodovalho, pa- trucia, etc. O seu custo é de 2?^240 réis. 3 — Sardinheira. Tem a malha miúda (O™, 017) e 17 metros de comprimento e 6 metros de altura. Usa-se na pesca da sardinha de novembro até janeiro. Cada rede custa 5;$i390 réis. GOLTZ DE CARVALHO : A PESCA EM BUARCOS 195 4 — Petisqueira Esta rede tem três pannos sendo o de dentro um panno de rede da pescada e os de fora tem malhas mais apertadas. Tem 43 metros de comprimento e 3™, 50 de altura. Pesca linguados, raias, tremelgas, etc. Importa em 3)$Í780 réis. 5 — Hranqueira. O panno do meio d'esta rede tem a malha egual á da sardinheira e os pannos de fora teem as malhas como as da rede da pescada. Colhe roballos, sargos, etc. NSo excede o seu custo a 6;$000 réis. 6 — Meijocira. Esta rede fica preza a umas estacas de madeira que se cravam no fundo do mar quando a maré o permitte. Tem três pannos sendo o do meio com malha mais miúda que os de fora. Apanha roballos, sargos, corvinas, etc. Importa em 1)5500 réis. 7 — Arte. Esta rede é lançada no mar a uma distan- cia de 2 kilometros da praia. Gompõe-se de duas partes principaes — mangas e sacco. Apanha sardinha e im- porta em 300<5000 réis a rede e as cordas, e outros obje- ctos em 700í50GO réis. 8 — Zorro. É uma rede que se puxa de terra ou de uma bateira para outra. Apanha sardinha e pilado e im- porta em 27)í!000 réis. 9 — Hcde (lo mcxoaího. Rede que se puxa de uma bateira para outra e apanha pilado. Custa 22)5000 réis. 10 — llede de pé. Rede pequena que a pé ou a nado se lança no mar e é puxada de terra. Pesca fanecas, ca- marões, etc. Importa em 4?$Í000 réis. 11 — Coa. Rede de malha miúda que apanha tainhas, camarões, etc. Importa cada uma em 2!$Í000 réis. 12 — Exlramalho. Rede pouco empregada. Serve para apanhar a solha e custa ÍÍj>SOO réis. 13 — Hede de salto. Esta rede é lançada com o im- pulso do braço para o mar, puxando- se em seguida. Apanha tainhas, sargos, camarões, etc. O seu custo é de 6;$000 réis. 14 — Covo. Tem esta rede um arco de ferro na bocca 196 ANNAES DE SClENClAS NATURAES do sacco e uma corda para a puxar. Leva isca presa com fios e colhe faneca e safio. Importa em 1)$Í000 réis. 15 — Copo. Mais pequena que o covo. Apanha ca- marões. Custa 40 réis. 16 — li ede folie. Tem na bocca do sacco um arco com uma haste de pau. Apanha caranguejos quando sa- hem dos seus esconderijos attrahidos pela negaça. Ob- tem-se por 80 réis. 17 — Gorazeira. Cada linha tem 83'",30 e um anzol em cada distancia de 1"\70. Um apparelho completo leva 40 linhas. Apanha ruivos, bacamartes, gorazes, raias, etc. Cada linha importa em 480 réis. 18 — Congrueira. Cada linha tem dois anzoes. Os pescadores levam 6 linhas para o mar. Pesca faneca e congro. Cada linha custa 100 réis. 19 — Canna. De um fio prezo á extremidade de uma canna pendem dous anzoes pequenos. Pesca tainha e custa 120 réis. 20 — Fisga. É como uma forquilha de 4 dentes far- peados. Crava-se em fundos de areia para apanhar o lin- guado. Custa 500 réis. 21 — Arpão. Serve para ar|)oar cetáceos ou peixes grandes. Importa cada um em 1^600 réis. 22 — Bicheiro. Emprega-se principalmente para apa- nhar o polvo que vem â negaça. Custa 60 réis. {Conlinúa). de aipis pDliiiODaflos lerreslres POR AUGUSTO NOBRE (Continuado de pag, 78) Helix aspersa, L. Nos indivíduos desenvolvidos de Hclix aspersa os ganglios cerebraes e os viscero-pediosos encontram-se fundidos, apresentando o aspecto de faxas, uma superior, o cérebro, e outra inferior constituindo a massa nervosa sob-esophagica (est. xi fig. i). Ganfjlioíi cerebraes — Os ganglios são indistinctos. Toda esta massa cerebral tem a forma de uma faxa da qual partem os nervos tentaculares e faciaes, assim como o genital, do lado direito. O nervo mais anterior (a) é o que se dirige para o tentaculo inferior bifurcando-se quasi na sua terminação, um dos ramos dirige-se para o tentaculo e outro para o seu musculo retractor. O nervo ocular occupa o penúltimo logar (o). Em- quanto ao nervo penial vê-se que é manifestamente um nervo cerebral, (fig. xi p). Ganglios viscero-pediosos — Nos indivíduos bem des- envolvidos é quasi impossível distinguir os diversos gan- glios que constituem esta massa nervosa sob-esophagica. D'estes ganglios partem os nervos palliaes, o que se di- Ann. de Sc. Nat, v, I., Outubro 1891. 13 198 ANNAE3 DE SCIENCIAS NATURAES rige para a porçSo terminal dos orgaos reproductores (b) e o nervo columellar. Dos ganglios visceraes nascem alguns nervos que em feixe vao inserir-se nos tecidos do pé, e alguns outros la- teraes que terminam nas paredes do monto. O systema nervoso dos Helicideos é bem conhecido principalmente na Helix pomalia, que nSo temos no nosso poiz mas da qual a H. aíípersa é muito próximo repre- sentante. Os desenhos que acompanham esta curta descripçSo servirão para estabelecer o confronto entre o systema nervoso d'esta espécie e o do Ai^ion Imilanicm, assim como das que seguem, em face das conclusões a que chegamos no fim d'esta memoria. Plutoiíia atlântica, Mor el Dr. D'este interessantíssimo mollusco ha bons esiudos parciaes feitos por Arruda Furtado e pelo dr. Simroth. O systema nervoso é porém pouco ou nada conhe- cido, pelo menos segundo as publicações a que me refiro. Arruda Furtado foi quem primeiro estudou anatomi- camente este animal, descrevendo os seus caracteres ex- ternos, systema digestivo, reproductor e concha. O desenho dos orgSios reproductores é um pouco confuso em razSo de um erro lithographico que parece fazer communicar o canal da vesícula seminal com a por- ção livre do oviducto. O snr. Francisco Affonso Chaves, um dos directores do Muzeu Municipal de Ponta Delgada e naturalista a quem a sciencia açoriana deve excellentes serviços, offe- receu-me, para o meu estudo, três exemplares em álcool de Plulonia com os quaes eu pude organisar esta noticia anatómica sobre o animal, que espero completar quando puder ter ao meu dispor exemplares vivos para o estudo do systema circulatório que, pelo exame que me foi pos- sível fazer nos indivíduos contrahidos pelo álcool,' offe- AUG. nobre: obs. sobre o syst. nervoso 199 rece particularidades que merecem um estudo deta- lhado. Acerca da Plulonia communicou-me o snr. Chaves algumas observações pessoaes que, pelo seu interesse, eu não posso deixar de tornar conhecidas. Arruda Furtado encontrou poucos exemplares na re- gião do Pico do Carvão. O snr. Chaves foi mais feliz pois que as encontrou nos Ginetes, nas Sete Cidades, e, no anno passado, nas Furnas, durante a exploração que fez com o distincto mineralogista, de Lisboa, o snr. Rego Lima, mas sempre em pequeno numero. Uma exploração de 4 horas que desse dois exempla- res, era, segundo diz o snr. Chaves, uma exploração bem succedida. Em razão dos muitos pedidos que tão curioso mullusco tem motivado, o snr. Affonso Chaves resol- veu-se a estabelecer um viveiro com exemplares prove- nientes das Sete Cidades. Na primeira estação que fez com exemplares do Pico do Carvão foi pouco feliz, o que não succedeu já na segunda com exemplares prove- nientes das Sete Cidades e nos quaes o snr. Chaves fez algumas observações, como a mudança de coloração que se effectua segundo o meio em que vive o animal, rea- lisando-se esta alteração em poucos mezes. Assim : a côr geral das Plutonias que é castanho escuro (mais escuro que a indicada por Simroth), passa á côr amarella um pouco eècura quando o animal vive entre a rama secca de pinheiro. Esta alteração da côr pôde bem ser devida é mudança ou pobreza de alimentação ou a falta de luz. Sobre este ponto devia o snr. Chaves repetir as suas observações. Os phenomenos de homochromia são tam- bém vulgares nos molluscos, segundo os objectos a que se fixam. Systema nen:oso : Ganglios cerebraes — Para se poder vêr distinctamente os ganglios que constituem o collar nervoso deve dissecar-se um individuo em imcompleto estado de desenvolvimento : do contrario os nervos apre- sentam-se quasi fundidos ou, pelo menos, pouco distm- 200 ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES ctos. N'aquelle caso, (Est. xii), vê-se o cérebro constituído por dois pares de ganglios que se salientam nitidamente sobre o bolbo pharyngeo, que é muito longo e musculoso. Os nervos que mais facilmente se observam par- tindo d'estes ganglios são os seguintes : um nervo muito fino a que vae perder-se na pelle da cabeça, e que in- nerva provavelmente a bocca; outro egualmente fino que se insere nos tecidos junto do outro também muito del- gado, o nervo labial (c) ; em seguida a este encontra-se um nervo mais grosso, o nervo ocular (d), que se intro- duz no musculo retractor do tentaculo no ponto indicado no desenho. Ao lado do nervo ocular vê-se outro nervo da mesma espessura e que depois de dar dous braços para o musculo retractor do tentaculo inferior vae termi- nar junto d'elle mas na pelle. Ainda pelo lado de íóra d'este se encontra outro nervo egualmente fino que se dirige para os tecidos lateraes do manto. Se, pela disposição d'estes nervos, a iHulonia se appro- xima mais dos Arion que dos Hclix, pela situação dos ganglios stomato-gastricos as suas relações com as Tes- lacclla são evidentes, das quaes diíferem todavia por ou- tros caracteres. Nervos slomalo-gastricos — Contrariamente ao que te- mos observado até aqui, estes ganglios ficam abaixo dos ganglios cerebraes, visto que a situação do collar nervoso é no bolbo pharyngeo e não sobre o esophago como nos llelix e Arion. D'estes ganglios partem, para cima, os connectivos que são os nervos externos, e outros que se inserem no& tecidos da pharynge. Para baixo seguem dois pares de nervos muito finos que se dirigem um d'elies para o esophago e o outro para as glândulas salivares, que são isoladas uma da outra. Ganglios viscero-pediosos — Nos indivíduos cujo des- envolvimento não é completo, os ganglios são em nu- mero de cinco e deixam entre si um espa(;o por onde passa a aorta. AUG. NOBRE : OBS. SOBRE O SYST. NERVOSO 201 Do ganglio da direita nasce o nervo penial (p) assim como outros nervos mais finos que vão terminar nas paredes do manto. D'este mesmo ganglio e para o lado inferior, partem alguns nervos um dos quaes (/í) se dirige para a glândula hermaphrodita alojada em um dos lóbu- los do fígado. O ganglio superior (.s^) emitte um nervo que vae terminar na camará pulmonar ao lado do corarão. O ganglio t dá origem a um dos connectivos que li- gam os ganglios viscero-pediosos com os ganglios cere- braes. O ganglio v emitte o outro connectivo e alguns nervos dos quaes os l e U se dirigem para a parte ante- ■ rior do bolbo, os nervos m para as paredes do manto e o nervo n para a camará pulmonar. Sysícma vascular — As observações que consegui fa- zer com respeito a este systema teem apenas um cara- cter provisório, porque só um dos exemplares dissecados me permittiu as observações que seguem ; os outros, muito contrahidos pelo álcool e ainda mais, de pequenas dimensões, nSo me serviram para a confirmação que de- . sejava, além do que só em exemplares vivos se podem fazer investigações a serio sobre o apparelho vascular. O que fere immediatamente a vista é a falta de rede pul- monar arborescente como a dos Arion ou da Tcslacella para nao fallarmos nas dos Helix, assim como outra par- ticularidade a da bifurcação da aorta, (r, fig. 4, est. xii) voltando o novo ramo, para a camará pulmonar, depois de passai: por debaixo do intestino. Para o estudo d'este systema é porém necessário uma injecção corada, muito fina, porque as dimensões do animal são muito pequenas (fig. 1, est. XII,) (^). {Conlinúa). (1) Desenho, segundo exemplar vivo, copiado da memoria de Ar- ruda Furtado: Viquesnelia atlântica^ Moreiet et Drouet (in Jorn. de Sc. Malh. Phys. e Nat. n." 32, 1882). NOTAS E COMMUNICACÕES I2.0 vista aquicola — Ao enlhusiasmo que deu logar á pro- mulgação de medidas tendentes a iniciar entre nós a aquicultura succe- deu o que se tem visto, um silencio completo. Foi nos porém affirmado que novamente se recomeçará esta campanha de que grandes benefícios resultarão para o paiz, o qual continua a ser o único, que se diz civili- sado, onde a aquicultura não mereceu ainda a decidida protecção dos governos. Com o fim de provar tudo isto iniciaremos no próximo nu- mero uma serie de artigos de propaganda a fim de tornar conhecido no paiz o que lá fora se vae passando relativamente á cultura das aguas, que, cm alguns paizes, é motivo de tantos cuidados como a cultura das terras. Entre nós, nem ao menos as medidas que a Commissão central de Piscicultura conseguiu decretar são devidamente postas em pratica. Haja em vista o regulamento. E ainda ha dias foi dito no parla- mento que « aquillo de que o paiz mais precisa é de medidas que con- corram para o desenvolvimento do seu commercio e da sua industria, n'uma palavra, para a riqueza publica ■>. De útil, porem, nada foi posto em pratica, de inútil e prejudicial algnma coisa se fez. Tudo isto virá a lume em artigos subsequentes. Emquanto á execução do regulamento. . . ainda não ha muito que dois regedores das visinhanças do Porto encontrando-se em exercicio criminoso de pesca em um dos rios mais próximos d'esta cidade mutua- mente se interrogavam se não tinham recebido o regulamento da pesca ultimamente publicado! Este facto define nitidamente a manha e estupi- dez d'esses simples, encarregados da execução da lei. Creio também que a pouco mais se resume a chronica aquicola o norte do paiz n'estes últimos tempos. A. N. £Ispoiijas ica.i*iiiata. — Nas nossas ilhas de S. Thomé e do Principe habita, nas florestas húmidas e sombrias, um moUusco ter- restre de grandes dimensões o qual ahi designam pelo nome de Búzio do Matto ou Olé. Este moUusco é a Achatina bicarinata Brug. (A. si- nistrosa Pfeiffer) da familia das Stenogyras. Os negros em S. Thomé comem com prazer este animal. Os ovos da Achatina bicarinata, Brug. são quasi do tamanho dos de rolla, A sua clara é a coUa mais forte que se conhece, segundo ouvi dizer no Principe. Adolpho F. Molle». Hni>ita.t oi*oii*o — Posso hoje dar mais algumas informações acerca da decantada Lacertidca da Serra de Castro Laboreiro de que falleí no numero passado d'esta re- vista, assim como da Vi fera berus L. Um amigo meu muito conhecedor da Serra da Soajo e a quem pedi informações acerca d'estes dous reptis, diz-me o segumte : « Paliando com um pequeno lavrador da Gavieira, povoação da Serra do Soajo, sobre o assumpto, disse-me. e confirmaram outros d'a- quella freguezia que se achavam na occasião presentes, que os dois ani- maes também apparecem nas visínhanças da Gavieira. As cobras pretas a que elles chamam Escorpião (Vipera berus L.) apparecem por ali bastantes, e, disse também, que havia dias (Julho) fora ali morta uma de mais de três palmos de comprimento. Todos conhecem ali esta cobra por ser muito venenosa. Emquanto ao lagarto de azas, são ali muito raros, mas ainda as- sim apparecem; affirmou-me que uma filha d'elle ainda ha pouco ma- tara um e o levara para o mostrar na povoação ». NOTAS E COVIMUMCAÇÕES 205 De tudo o que for sabendo acerca desta curiosa Lacertidea infor- marei os leitores d esta revista. Coimbra. Adolpho F. Molleu. Estal>elecii*i«*iitos 3 Juillet-1893). Do Tonkin são descriptas 8 espécies novas : Ennea calva. E. ato- maria, Streplaxis (Eustreptaxis) Dorri^ Xesta ti}u'lÍ7ieata, Macrochlan- ris teniii granosa., Microcystis Mirmido, Kaliella Haifhonoensis e Pu- fina Dorri ; do Congo francez é dada a descripção do Spatha sorru- pala. Pb. Dailtzenbcrg — DESCRIPTION D'UN PERIDERIS NOUVEAU PROVENANT DU DAHOMEY — UESGRIPTION DUNE NOUVELLE ESPÈCE DU GENRE L1TT0R1NA PROVENANT DES COTES DE LA TUNTSIE. BrOCh. Ín-8,° p, 6 pag. et 1 pi. (Ext. du ,Jour7}. de Condi, n." 1 Jaiiv. 1893). É do Perideris ainipigmentiim, Reeve, que a nova espécie P. Lechalelieri mais se approxima, da qual se destingue todavia por alguns caracteres tirados da forma e da côr. BIBLIOGRAPHIA 211 A Liitortna Nervillei, da Tunísia, é pelo auctor considerada como próxima da L. functata, Gmelim pela sua côr, emquanto que pela forma se assimelha um pouco á Littoriíia tenebrosa, Montagu (L. rii- dis, var tenebrosa) do Oceano Atlântico. Ph. DaHtzenbepg— MOLLUSQUES MARIXS DE SAINT .lEAN-DE-LUZ — Broch. in-8.® gr, 2 pag. (Ext. Mem. Soe. Zoei. de France, tome vii, 1891). Enumeração das espécies recolhidas vivas por dragagem effe- ctuada pelo snr. Chevreux no seu yacht Melita, entre as quaes ha al- gumas espécies dos mares quentes, como — Ringicula conformis, eja- gania reticiilata. Ph. Dantzcnbertç = DeSCRIPTIOX D'UN HKLICIEN N0U\ EAU PROVENANT DE LA COTE occiDENTALE Du iiARROc = Broch. ia 8." gr. 2 pag. et 3 fig. (Ext. du Buli. Soe. Zoai. de France, t. xix-1894.) O auctor descreve o Helix (Jacosta) Renati, recolhido em Ouali- diya pelo commandante René Schlumberger chefe da Missão militar franceza em Marrocos. Ph. nnutzeiíbers = MSTE DES MOLLUSQUES TERRESTRES ET FLUVIATILES RE- CLEILLIS PAR M. TH. BARROIS EN PaLESTINE ET EN SVRiE. BrOCll. Íll-8.° gr. 25 pag. et flg. (Ext, Rev. ISiol. du nord de la France, t. vi, 189 3-94). Não obstante ter já sido estudada por alguns naturalistas a fauna malacologica da Syria e da Palestina, não havia ainda uma monographia tão completa em synonimia e outras informações como a que este dis- tincto naturalista acaba de publicar. Quatro espécies novas vieram en- riquecer aquella fauna, graças ás investigações do professor Barrois; são ellas : Planorbís homsensis., Pyrgiila Barroisi, Bithinella contempta e B. Pi aalmy E uma memoria bem feita e que constituirá uma útil contribuição para os naturalistas que estudam a fauna d'aquella região. A. N. índice Dr. B. Machado . Edwin Jounston. Augusto Nobke . — As sciencias naluraes, pa^. 1. — Esboço cl'um calendário da Hora dos arredores do Porio, (Est. I e II), pag. 5, 84, 127 e 181. — Observações sobre o syslema nervoso e aíTinidades zoológicas de alguns pulnionados terrestres, (Est. Ill, XI e Xll), pag. 17, 75 e 197. — Aves de Portugal, pag. 21, 67, 115 e 187. — Note sur une poivson-lune, pag. 31. — Gontriliutlon à i'étude des poissons d'eau douce du PortugHl d'après la coliection du Musée de Zoo- logie de runivervilé de Coimbra, pag. 53. — Sur les nuBurs du Pelromyzon marinus, Linn. et du P. flavíatiliíi, Linn., (Est. IV), pag. 79. — Sur la fãuiie maiacolocique des iles de S. Thomé et de Madère, (Est. V), pag. 91, 141. — O mimetismo nos insectos americanos, pag. 101. — Étude comp^rative du squelellet du cbien et du loup, pag. 109. — Nota acerca do habitat da « Vipera berus » L. em Portugal, pag. 123. — Sobre um raso teratologico do Porlunus puber, pag;. 125. — Contribuições para a malacologia porlugueza, pag. 135. — Contribution à richthyologie mantime, (Est. VI), pag. 137. — Uma excursão á serra de S Gregório, pag. 145. — Estudos sobre a fauna aquática dos rios do norte de Portugal, pag. 151. — Carex Duna', Steudel, (Est. VII), pag. 158. — Descripc.ào d'uma nova espécie de Vuginulii de Angola, (Est. VIII), pag. 100. — Note sur le Lopidop^is argenlens, Bonat. vel cauda- lalus, (..iinlh, fE^t, ix e X), pag. Iii5. — Subsidio'^ para a fauna melacologica do archipelago de Cabo Verde, pag. 168. — Preparações esquelética*; no Museu da Universidade de Coimbra, pag. 17^. — Esboço d'um Calendário da Flora dos arredores do Porto, pag. 181. — Aves de Portugal, pag. 187. — A pesca em Buarcos, pag, 193. niotas c conimunicações : Adolpho F. Mollek. -Subsídios para a fauna de Portugal, 41; Notas so- bre a fauna do Suajo, 42; Notas zoológicas, 95; Esponjas de S. Thomé, 202; Achalina birarinnta, 203; Habitat de Chioglossa liisilaníca,-203; Aranhas de S. Thomé, 204; Reptis de Castro Laboreiro, 204. A. Do.<5 Reis Juniok. — Cinvlus aqualicus, 41. Augusto NoBnE. — Narcissus cydamineu^, 45; Projecto de uma estação zoológica em Cascaes, 47 ; Peixes da Povoa de Varzim, 96; Revista aquicola, 202 ; Estabelecimentos de Piscicultura na Suécia, 204; Congresso scientiQco, 205 ; Uma nova doença da vinha, 205. Baldaque da Silva. — A piscicultura em Portugal, 45. Caklos Pimentel. — A piscicullura, 34. W. C. Tait. — Habitat de Chioglossa lusilanica, Barbosa do Bocage, 96. Necrologia : Pedro Arthnr Morelet por Alb. A. Girard, 49. Jttibllographia: Pag. 98 e 162. W. C. Tait . . Albert. a. Girard Dr. Lopes Vieira Dr. Lopes Vieira Augusto Nobre . W. C. Tait . . Dr. Lopes Vieira Augusto Nobre . Goltz de Carvalho Augusto Nobre . Dr. Lopes Vieira Adolpho F. Moller Augusto Nobre . Edwin J. .Iohnston Augusto Nobre . Dr. Lopes Vieiba Augusto nobre . Dr. Lopes Vieira Edwin J. Johnston W. C. Tait . . . Goltz de Carvalho. 1 . Jt Anx de Sc Nat., \oI. I. 1894 Est. III Aug. Nobre, dc-1. Photog. e Phototyp. Courrege & Peix-olo, Porto ARION LUSITANICUS, MABILLE J.\.\ DK Sc N\T— V)L I, 1801 Est. IV ^.if Photog e 1'hototyp. Co;cne_e & Peixoto. Porto Pelrunyort iiiiriíius, [.. Pílromyzon fluviatilis, L. Pciruinyzon mnrinus, L. Ann. dk Sc. Nat.— Vol. I, I8;a. Est. V I ♦ 5 • * 6 ^ ® mLm ^P rhotog e Phototvp. CoMrré^e & Peixoto. Porto. Mollu^qucs dcs ilcs de S. Thomc et de Madcro ANN. DE Sc NaT.- VOL. I, 1894 -PORTO Est. VI Courrege Jimior, Photli. — Porto CaREX DURLEl, Seudel Ann. de Sc. Nat. — Vol. I, 1891— Pof Est. Vlll Aug. Nobre, dd. rrege Jiinior. Phnth _ |'( Vaginula Si.mrothi. Ann. de Sc. Nat. — Vol. I, 1894. Est. II Ann. de Sc. Nat. — Vol. I, 1894. Est. X Ann. de Sc. Nat. — Vol. i 1804 Est. Xí gicu em Gascacs. A lliur Morelel. í I, Flora dos arredores do Porlo: Oxilií purpúrea; Senecio scandens. 'II. Flora dos arredores do Porlo : Narcissus ci/ritmineus. ' Jll, Arion lusitanicus, Mabille. pORro i • YPOGRA PH IA OCCIDEN TA L 8o, Rua da Fabrica, 8o z^ Primeiro anno— n.° 2 Abril de 1894 ANNAES SCIENCIAS NATURAES iS.Ko-f- PUBLICADOS AUGUSTO NOBRE Naturalista adjuncto ao Laboratório dt Zoologia da Acaderaia Polytechnica do Porto Director da Esta^ião Aquicola do Rio Ave Sócio correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa SUMxVlARIO Dr. Lopes Vieira W. C. Tait Augusto Nobre Dr. Lopes Vieira Edwin J. Johnston Augusto Nobre NOTAS E COMMUNICAÇÒES : Adolpho F. Moller \V. C, Tait Augusto Nobre BIBLIOGRAPHIA. ESTAMPAS : Contribntion h VéLude des poissons d'eau douoe du Portugal, Waprès la colleclion du Musée de. Zoologie de fUnioersité de Coimbra. Aves de Portugal. Observdçúef; sabre o systeina nervoso e affinidades zoológicas de alguns pulnionados terrestres. Sur les nioiurs du Petromyzon ma- rinus, Linn., et da Petromyzon, fluvialilis, Linn. Esboço de um calendário da flora dos arredores do Porto. Sur la fanne inalacologiqne des iles de S. Thonié et de Madère. Notas zoológicas. Habitat de Cliioglassa lusitanica, Bo- cage. Peixes da Povoa de Varzim. / IV. — Petromyzon mannus, L.; Petromyzon tliiviatili?, L. V. — Mollusques des iles de S, Ttiomé et de Madère. Acabado de imprimir a 12 de abril. PORTO -Typoi^raphia Occidental Primeiro anno— n." 3 Jullio de 1894 LABORATÓRIO BIOLÓGICO DA FOZ 03 DOURO ANNAES SCIENCIAS NATURAES PUBLICADOS POR AUGUSTO NOBRE SUMMARIO W. C, Tait —O mimetismo nos inseclo< dinericanos. Dr. Lopes Vieira . .—Elude comparalive du squelelle du Chien el da l.ouri. W. C. Tait —Aoes de Purlugal. Augusto Nobre . . .—Xota ácerciL do habitat da « Vipera berus'>, [.. em Portugal A. Goltz de Carvaltio. — Sobre um caso terutologico do « Porlunus puber^^. Edwin J. Jolinston .—Esboço de um calendário di flora dos arredores do Purlo. Augusto Nobre . . . — Contribuições para a tnalticologia porlugxieza. Dr. Lopes Vieira . . — Conlribulion à VéLude de 1'tchthyologie maritune. Augusto Nobre . . .—Sur la faiine mnlacologique des Ues de S. Tlioiué et de Madère. Adolpho F. Moller . — ('ma excursão á serrai de S. Gregório. Augusto Noi)re . . .—Estudos sobre a fauna aquática dos rios do norte de Portugal. Edwin J. Johnston .—Carex Duricei, Steudel. Augusto Nobre . . ..—Descripção d'uma nova espécie de Yaginula de Angola. bibliographia. estampas: ^ VJ Carex Durisei, Stt-udeL *VII Poisson capiuré à Buarcos. iNlll Vaginula Simrothi, nov. sp. Acabado de imprimir a 21 de julho PORTO — Typographia Occidental Librairie C. REINIALD & C", 15, rne des Saints-Pères, Paris Viennent de paraitre: LES FORMES DES ANIMAUX LEUR DÉBUT, LEUR SUITE, LEUR LIAISON La nalure va du siraple au complexe; elle pro- cede au nioyen d'une différenciation moiphologi- que, continue et progressive, liée á Ia division dit travail physiologique. (príncipe fondainental, d'après H. Milne-Edwards). L'EMBRYOLOGIE COMPARÉE PAR Le D' Louis ROULE LAURÉAT DE L'INST1TUT (GRAND PR IX DES SCIENCES PHYSIQUES), PROFESSEUR A LA FACULTE DES SCIENCES DE TOULOUSE Un volume grand in-8 de xxvi-1162 pages, orne de 1014 figures dans le texte et d'un frontispice en couleur. Cartonné à Tanglaise st fr. TRAITÉ DE PHYSIOLOGIE HUMAINE COMPRENANT rHistologie et TAnatoinie microscopique et les principales applications MEDECINE PRATIQUE Par L. LANDOIS Professeur de Physiõlogie et Directeur de Tlnstituf physiologique de TUniversité de Greifswald TRADUIT SUR LA SEPTIÈME ÉDITION ALLEMANDE Par G. MOQUIN-TANDON Professeur de Zoologie et d'Anatomie comparée à la Faculte des Sciences de Toulouse Un volume grand in-S", orne de 356 figures dans le texte. Cartonné à i'anglaise 3» fr. Primeiro anno— n." 4 Outubro de 1894 iS,U^ LABORATÓRIO BIOLÓGICO DA FOZ DO DOURO ANNAES SCIENCIAS NATURAES PUBLICADOS o cn cl O OS c bfl 'w CO CS CO rt 3 O) CO CS •o AUGUSTO NOBRE SUMMARIO Dr. Lopes Vieira. . — 'íioíe sur le Lepidopus argenteus, Bonat. vel caudatus, Gunth. Augusto Nobre. . . — Subsidiou para a fauna malacologica do archipelago de Cubo Verde. Dr. Lopes Vieira. .— Preparações esqueléticas no Museu da Universidade de Coimbra. Edwin J. Johnston .— Esboço de um calendário da flora dos arredores do Porto. A. Goltz de Carvalho— .4 pesca em Buarcos. W. C. Tait. , . . — Aves de Portugal. Augusto Nobre. . . — ubservações sobre o systema nervoso e affmidades zoológicas de alguns pulmonados terrestres. NOTAS E COMMUNICACÕES : A. N. . . A. F. Moller A. N. WBLIOGRAPHIA, .— Revista aquicola. .— Esponjas de S. Thomé—Achatina bicarinata.— Ha- bitai da Cfiioglossa lusitanica. —Aranhas da ilha de S. Thomé.—Repti^ da Serra de Castro Laboreiro. .— Eslabeleciínentõs de Piscicultura na Suécia.— Con- gresso scienti fico. —Uma nova doença da vinha. ESTAMPAS : IX 6 X -Lepidopus argenteus, vel caudatus, Giinth. XI — Systeiua nervoso de Helix aspersa, L. XII — Organisação de Piulonia atlântica, Mor, et Drouet. Acabado de imprimir a 8 de novembro PORTO — Typographia Occidental o c CS u O o. N w o lc$ C CJ •O «^ (fí (X, B 6 c o CS u G Cl, ^ r> 'm S CO V ^ h CS • «o c cr CO '^ CO OT O CS < V 'd o *3 cr PUBLICAÇÕES QUE TROCAM ANNAES DE SCIENCIAS NATURAES FeTerelro a Outnbre de 1894 Annalen des K. K. Naturhislorischen Hofmuseums. Wien. Annales de la Société d' HorticuUure et d'Histvire Nãturelle de VHé- rault. Montpellier. Annali dei Maseo Cívico di Storia Naturale di Çrenova. Génova. Archives du Musée Teyler. Haarlem. . ^ Atli deli' Academia~Pontificia de' Nuovi Limei. Roma. Atti 4et Museo Cívico di Sloria Naturale di Trieste. Triesle. Atti delia Socíelà Italiana di Scienze Nalurali. Milano. ~ Atti delta Società Toscaún di Scienzi ISaturali. Bergens Museum Aarbog. Bergen. * Bíoíogical Soei et y. Washington. Boletim da Sociedade Broteriana. Coimbra. Boletim da Sociednde de Geog>-aphía. Lisboa. Boletim da Sociedade MartTns Sarmento. Guimarães. Boletín de la Real Academia de Ciências y Artes de Barcelona. Bulletin de la- Société Beige de Microscopie. Bruxelles. Bulletin de la Société Centfal d'Aquicultúre. Paris. Bulletin de la Société d'Élude des Sciences JSaturelles de^ Nimes. Nimes. Bulletin de la Société Royale Linnéenne de Bruxelles. Bruxelles. * Bulletin de la Société Sdenttfíque de VAude. Franca. 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